quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Exercício

Sempre achei que não seria querida. Recebi conselhos aos montes e levei a sério principalmente os que me diziam para não perder a moral em sala de aula tentando ser amiguinha de aluno. Segui à risca todos eles. Os conselhos.
Mas talvez seja o fato de me referir aos artistas como "esse caba aqui" ou então porque realmente eu me importe.
Só sei que hoje todas as turmas me abraçaram quando eu entrei em sala e falaram de saudades e de vontade de ter mais aulas. Minhas aulas.
Achando estranho fui para sala de professores e abaixei a cabeça concentrada em meus planos, quando escuto:

- Ah, é você então, a professora que é a grande novidade... a que passa os "exercícios de pensar"?

Gaguejei.

Talvez eles, os alunos, também se importem, quem sabe...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Recomeçar

"Gosto das perdas que me tiram tudo. Pra sentar em mim, olhar ao redor, e ficar. Até redescobrir em mim força e possibilidades de recomeçar. Tudo que vivi já me ampliou os vãos de dentro, e tanto, que me sinto tão menor em mim. Mas, com espaços para crescer."
Cecília Braga

Então é isso.

Assim... sabe... nenhuma dor dura para sempre. E quando ela vai embora (e ela sempre vai, podes crer) os espaços que ficam ah! eles são possibilidades.

Por esses dias estive muito mal. Poucas pessoas o souberam. Menos ainda o notaram. Desta forma, em silêncio ou em palavras desesperadas, fui aos poucos, delineando novas formas de ver. De vê-las.

É como se de repente, houvessem acendido todas as luzes. Estou ofuscada, mas livre do medo. E do escuro.

Por enquanto...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Adiantada

Sei que o blog tem andado às moscas por esses dias, mas é que ando ocupada contribuindo com os rumos da educação de nosso amado País.
Hoje, depois de dar dez aulas seguidas sem tirar de dentro, não sinto mais meus pés e perdi a voz. Não sei quem eu sou nem onde estou, nem muito menos onde está Wally.
Está sendo terrível. Maravilhoso. Assustador. Apaixonante. Tudo ao mesmo tempo agora.
E hoje, estressada com o barulho desencadeado pela rebelião de trinca e cinco alunos do sexto ano, passo longos minutos dando uma lição de moral que assustaria minha mãe. No meio do meu texto sério, exclamo exaltada:
- Vocês não são mais criancinhas, gente! Que que é isso?
No meio do meu falatório vejo uma mãozinha estendida lá no fundo. Uma menininha de voz doce e olhar inteligente diz:
- A senhora tem razão. A mais nova aqui sou eu, e eu JÁ tenho nove anos.
derreti.com.br

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Vida nada fácil

Foi por amor?

Bom, tava precisando mesmo de dinheiro. Mesmo. O dinheiro do antigo projeto não saiu, o outro trabalho de produção só em Maio (adiado again), o estágio na Casa das Artes encerrado. Enfim... desespero mode on.
Ainda tentei resistir e enfiei a cara na escrita de montes de outros projetos, mas nestes eu só ganho a grana (pela elaboração) quando e se eles forem contemplados no edital que participarem. Enfim... então...
Não, eu não comecei a rodar a bolsinha.
Mas Segunda vou conhecer a a escola onde começarei a dar aula. Isso mesmo, virarei professora novamente, quase quinze anos depois de desistir dessa vida.
Vou ensinar artes visuais.
Acabei lembrando de um episódio que uma amiga da universidade me contou. Ela foi fazer uma pesquisa sobre os professores de artes visuais nas escolas do município e perguntou a uma diretora:
- A Senhora tem professora de artes visuais no seu colégio?
- Não, aqui a gente não precisa disto não, não temos crianças com este problema.- respondeu a mulher enigmaticamente.
Foi só quando ela já estava saindo que entendeu. A sujeita achava que professor de artes visuais era aquele ensinava para crianças... cegas!

Rezemos...

Coelhos

- Amiga, desse mato não sai coelho, viu?
- Nenhumzinho? Nadica de nada?
- Pode até sair. Mas não espere coelho-consideração, coelho-respeito, coelho-cuidado...

Nazaré

Tava eu lendo esse blog aqui, indicação da borboleta mais linda da minha vida, o que acabou por me inspirar em também contar dos botecos que freqüento aqui na terrinha.

Pois é, como os de casa já sabem, minha balada é no boteco. A seita que fundei junto com a Lú, não me permite freqüentar boates ou barzinhos da moda. Sou devota, sabe comoéqueé. Meu negócio é sentar, conversar, cerveja gelada com preço em conta e amigos por perto. Então acabo sempre por ir aos mesmo lugares.

Destes mesmos lugares existem os três que são os mais-mais. São eles (por ordem de freqüência): Major, Elvis e Nazaré. Vejam bem, é regra clara entre frequentadores assíduos, chamar os botecos pelos nomes de seus respectivos donos.

Vamos começar hoje falando de Nazaré e de seu estabelecimento.

Quando eu estava morando com a amiga-esposa no saudoso cafofo, Nazaré era uma mão na roda. Ficava numa praça há apenas dois quarteirões do nosso apartamento e era (é) aberto até altas horas da manhã. Lá, cansamos de acompanhar as caminhadas dos saudáveis do bairro pela tal praça enquanto tomávamos a saideira vindas de algum outro lugar de perdição.

A dona do bar, a Nazaré em questão é uma figura que merece um documentário. Grossa feito papel de enrolar prego, feia que só a molesta e desaforada até dizer basta. Nossa relação, que hoje é das melhores, não teve digamos... um começo muito auspicioso.

É que, no primeiro dia que tomei da sua cerveja, resolvi namorar com um dos homens que me couberam neste latifúndio, dentro de um carro, na tal praça e a sujeita zangou-se. Disse-me desaforos, gritou e estrebuchou. Eu bêbada e humilde, escutei calada para só no outro dia, de ressaca, prometer nunca mais voltar lá. Mas lembrem que era perto, né? Ficava aberto até de manhã?

Resisti o quanto pude, envergonhada dos meu atos e ainda tendo os gritos recebidos ecoando em meus ouvidos. A amiga-esposa foi decisiva para que eu, enfim, cedesse.

- Vamos- ela insistiu.

- Vou nada, mulher!- respondi

- S, veja bem, eu tenho um amigo que já flagrou Nazaré transando dentro do banheiro do próprio bar. Ela tava só fazendo charminho contigo.

- Sério?

- É, parece que o cara não pôde pagar a conta.

Já estava rindo ao imaginar a cena quando a amiga-esposa complementa:

- Coitado do meu amigo, demorou meses para se recuperar emocionalmente do choque com o visto.

Gargalhei e fomos. Nossa paz foi selada nesse mesmo dia. Quando Nazaré estava quase ensaiando dar outro escândalo comigo, a amiga-esposa me defende com uma piscadela cúmplice para ela e a frase:

- A gente sabe né, Naza, como são essas coisas?

Depois disso, Naza calou e nos serviu mais uma cerveja. Nunca mais tocou no assunto.

Vivemos felizes e em harmonia durante muito tempo. Ela chegou a ser quase que carinhosa conosco, nos tratava bem, ria feliz quando chegávamos, o que para os que a conhecem sabe tratar-se de um feito digno de medalha.

A comida em Nazaré é um capitulo a parte. Você pode escolher entre galinha e carne, acompanhada de macaxeira ou inhame. Só. Tem prato ou quentinha de cinco, sete e dez reais. A comida é boa, apesar (ou talvez por isso) de Nazaré não ser... digamos... muito higiênica.

A prova dos nove tivemos no dia que a amiga-esposa, que é fina e meiga e luxo e glamour, mas tem uma tara alimentar secreta com pés de galinha, pediu-os a Nazaré junto com nosso prato de cinco reais de galinha com macaxeira.

- Tem mais não, fia. O último pé eu servi praquela mesa ali.- comunicou-nos Nazaré apontando para a mesa ao nosso lado.

- Tá bom, trás mesmo sem o pé o prato de macaxeira com galinha.- respondeu a amiga-esposa conformada.

Passa um tempinho e Nazaré chega a nós com um sorriso vitorioso e o nosso prato. Milagre! Havia um pé de galinha nele! Quando Nazaré se afastou rebolando em suas carnes (e só então) olhamos uma para a outra primeiro e lentamente em seguida, para a mesa ao lado. Estava vazia. Nazaré havia nos servido o pé de galinha que não havia sido consumido na mesa que primeiramente frequentara!

Agora, como eu já disse por aqui, ela é braba, senhoras e senhores, ela causa medo. Então quando volta para pegar nosso prato, pergunta olhando nos olhos da amiga-esposa:- Gostou?

Quem era doida de ter coragem de responder que não.

Nos conformamos com nossa triste sina, comentando bebadamente depois:

- É, amiga, isso é que ecologia! E depois vem esses caras de ONGs falar em reaproveitamento...

- Eles tem que conhecer Nazaré!

- Ô se tem!!!

Eu, Naza e Amiga-esposa. Notem o dia nascendo ao fundo.
Cortei-me na foto porque minha situação não estava nada boa, amores e amoras.
Tentei, pois, poupá-los!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Cuidado


"...mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro."

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Lindo!



Sua passagem foi reservada com sucesso!

Data sex, 2 Setembro 2011

Voo 1*** - 3 hs 02 min

Sai JPA - Antes tarde do que nunca!

Chega GIG - Com Lú e cheia de vontade de Rafa e Lapa!


P.S: Aos do Rio. Cervejinha em Setembro???

I love my Job!!!


Porque será???

Imortalidade

Ganhei esse selinho da borboleta amada e para merecê-lo precisava responder a seguinte pergunta: Com quantos anos você queria ser Imortal e viver a Eternidade?

Encafifei-me esses dias com a tal da pergunta, pensei um bocadinho, mais um pouco, outro tanto e minha primeira resposta, que não seria como a da amiga, acabou se tornando a mesma. Imortalidade: Passo!

A questão é que apesar do nome deste blog ser e ele tratar de mudanças, eu amo muito quem me cerca e faço o possível para conservar essas pessoas por perto. Meus amigos o sabem. Ligo, quero saber, faço questão e charminho.

Não que tenha medo de despedidas e perdas e reconstruções, o que fatalmente acompanharia uma decisão pela imortalidade, again e again, século após século, não é isso. É porque meu corpo não acompanharia-me mais. E eu acharia injusto com as pessoas que escolhi compartilhar a vida, tal como eu a conheço, estagnar numa idade fisicamente, enquanto envelhecia-me a alma, não podendo comparar rugas, que para mim, antes de serem desastres estéticos, são histórias contadas na pele.

Acredito na sabedoria da natureza. Não questiono o que vem depois da vida no corpo tal como eu o conheço, porque também acredito que seja lá o que for, será justo e bom ou necessário. Ou não será nada, realmente não importa. Mesmo.

Só sei que sempre pensei na morte assim. Necessária. Apenas mais uma etapa da vida.

O que já temos, o que já nos coube, já é um milagre e um presente.

Então, não obrigado, mas não quero a eternidade. Até porque, imodestamente, acho que serei uma velhinha bem legal e fofinha, toda trabalhada na cadeira de balaço, crochê e biscoitinhos para as visitas.

"Move-te. Desperta.
Há homens à tua procura.
Há uma mulher, que sou eu.
A Terra mora na Via-Láctea
Eu moro à beira de estradas
Não sou pequena nem alta.

Sou muito pálida
Porque muito caminhei
Nas escurezas, no vício
De perseguir uns falares
Teus indícios.

Move-te. Tua aliança com os homens
Teu atar-se comigo
Tem muito de quebra e dessemelhança.
Muitos de nós agonizam.
A Terra toda. Há de ser quase
Brinquedo adivinhares
Onde reside o pó, onde reside o medo.

Não te demores.
Eu tenho nome: Poeira.

Move-te se te queres vivo."

Hilda Hilst

Refresco

Tudo que eu faço, alguém em mim que eu desprezo, acha o máximo.

Paulo Leminski

A outra S. tinha me chamado para sair. Pega um ônibus, me disse, que a gente se encontra na rua tal. Peguei. Já á caminho da tal rua, ligo para sabê-la. Celular desligado. Não desespero. Ligo para A. e marcamos de nos encontrar no bar de sempre.

Sabia que chegaria antes dela e no caminho comprei uma revista para aguentar a espera. Falo com dois conhecidos no bar, peço a minha cervejinha me preparo para ler, quando eles me chamam para sentar com eles. Eu estava cansada e estressada, não estava me achando uma companhia legal, mas fui. Ah, que conversa boa! Falamos sobre as redes sociais, escrita, construção de personagens e de personalidade. A. finalmente chega com Demo. Thá, a amiga psicóloga logo depois. Meu celular toca. É a outra S.

Larguei todos na mesa e fui encontrá-la, porque me pareceu pelo seu tom de voz que ela estava precisando de alguém um pouco mais... sóbrio. Quando dei por mim, estava numa mesa com um monte de homens casados curtindo seu “vale-night” (acho podre esse termo, mas...). Fechei a cara. Até que fui relaxando. E conversando.

Tarde da noite, um deles acabou vindo me deixar em casa. No caminho, paramos num boteco para a última cerveja. E tome falar de casamento, assunto que já estávamos discutindo antes. Falei que não concordava com essas saídas masculinas que varam a madrugada, porque eu, quando era casada, sofria com as longas demoras de W.

E além de não dormir a noite, torcendo para que o marido não morra num acidente, essas saídas normalmente pelo código vigente não-escrito só são restritas aos homens na relação. O papel da mulher, como eu disse antes, é fica em casa desesperando.

Foi quando me dei conta que mesmo em desacordo com meu código moral, naquele momento eu estava colaborando para que alguma mulher, em algum lugar sentisse as agonias que eu já sentira. A sensação não foi agradável, mas a conversa e a companhia eram. Não, eu não fiquei com ele. Mesmo assim.

Lembrei da história da pimenta: no dos outros...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Fuga

Estou esperando minha carona para ir para a reunião/ jantar com os outros artistas e o curador da tal exposição coletiva.
Depois de quase três noites sem dormir, imersa em invenções e teorias pseudo-criativas, tô um lixo humano.
Me sinto gorda, feia e velha. Meu cabelo tá uma merda. Nem o sarcasmo que me protegeria dessa sensação está aqui comigo. Fugiu de casa depois das primeiras trinta horas de vígilia.
O banho não adiantou para despertamentos. Na verdade, quase consegui dormir embaixo do chuveiro.
Enfim... que eu consiga sobreviver apenas mais algumas. Amém!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Insônia

Insônia muita. Há dias. E cansaço. Tudo junto. E aí escrevo, escrevo e escrevo. E leio, leio e leio.
Enquanto o sono não vem confundo-me toda em palavras, as minhas e as alheias.
A sabedoria prega nas olheiras já fundas: vai dormir! Pensa nisso amanhã...
Então tá!

Nomes

Sim, meu segundo nome é contradição.
O primeiro?
Desejo.

P.S: Puta que los pari. Edição amanhã logo cedo? Roteiro? Jura? Jura?

Recado

A pessoa que escreve nesse blog chegou a nós desgraçada por um surto romântico sem previsão de cura.
Em seus momentos de delírio quase que religioso ela tem chamado insistentemente por uma pessoa chamada Colin. Intercala esses momentos com o "declamamento" (palavras da própria) de poesias de uma outra pessoa chamada Hilda.
Só fica tranquila lendo horóscopo.
Escrevo agora, em primeira mão, na íntegra, o recado que ela mandou para todos:
- Vejam Cisne Negro. Não vejam comédias românticas. Vocês ainda podem se salvar!

Rezemos por nossa irmã!

Assinado:
A direção do convento das freiras cotós, cegas e mancas que fabricam lençóis de algodão 5657576878098 fios no alto Himalaia.

Espaço reservado para marketing:

Ligue e garanta já o seu lençol exclusivo das freiras cotós, cegas e mancas que fabricam lençóis de algodão 5657576878098 fios no alto Himalaia!!!

Proposta

Para ficar mais claro: Eu sou taurina. Conservadora até a raiz dos meus cachos pintados em chocolate natural Imédia Loréal Excelence Pariiiiiiiss.
Resolvi sair do armário. Tava apertado, abafado e cheio de mofo.
Rezemos pelos que não são. Conservadores.
Tô a afim de casar e institucionalizar institucionalidades.
Alguém? Alguém?

- Tá vendo, eu tentei, mamis, eu tenteiiiiiiiiiiiiiiii....

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Signo

Descobri que meu grande problema são os aquarianos. Seis, simplesmente seis dos caras que fiquei ou tentei ficar ou algo do gênero ou nem isso nos últimos tempos (e claro, não deram certo, senão eu não estava aqui reclamando) tem feito aniversário por esses dias. Fazer o que se os astros não mentem jamais?

Resultado da combinação entre:

Touro e Aquário

O aquariano tem horror a espaços fechados, especialmente decorados como se fossem o cenário de um dos filmes de Zefirelli. O touro vibra se puder acordar e passar o dia trancado num destes ambientes. O aquariano não tolera nem a pergunta de praxe "como foi o seu dia?" porque, afinal, ninguém tem nada a ver com o que ele andou fazendo durante o dia. O touro vai querer um cronograma detalhado das atividades do parceiro das 7:30 às 22 horas. O carro ideal de um touro é um Rolls Royce, do aquariano uma espaçonave Pionner, se possível com freio de aterrisagem em Marte. Todo revolucionário, porém, tem uma certa queda pelos conservadores. E vice-versa.


Quando me apaixono

Da série eu quero para mim: Colin Firth no papel do romântico delícia cremosa no filme: Quando eu me apaixono.
Tem também Bete Midler maravilhosa como sempre e é a estréia como diretora de Helen Hunt, que também faz o papel da mocinha.
Não é apenas uma comédia romântica, eu juro, apesar de também o ser. E das boas.
Há esperança para mulheres com mais de trinta e cinco ou Hollywood não quer nos desesperar e fazer cortar os pulsos? Torço pela primeira opção, porque veja bem, meu bem, eu também tenho meu lado mulherzinha. E ele me ocupa quase que inteiramente.
E para desgosto dos que chegaram a acreditar num suposto brilhantismo intelectual de minha parte, tenho algo a confessar. DE-TES-TEI Cisne Negro. O mal daquela bailarina louca é a fome, dêem de comer à pobre, pelo amor de dadá!
E viva a pirataria!!!
Eu também nunca disse que era politicamente correta.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Desejo

Ela tem por esses dias estado bem presente na minha vida. Hilda Hilst. Amo o que ela escreve. E como o erotismo é quase sagrado em suas palavras (ela mesmo já o afirmou). Compartilho então com vocês, um bocadinho que seja, amores meus. Porque eu estou toda trabalhada na liberdade e no desejo.

Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara

Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.

E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura.
Crueldade.

em «Do Desejo» - Hilda Hilst
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