Amores e amoras, só para dizer que depois de recuperada minha senha (graças à Lú), eu voltei,voltei para ficar...
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
28/09
Dia 28 de setembro é o Dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização e Legalização do Aborto. Soube através das maravilhosas blogueiras feministas há alguns dias atrás. Desde então venho pensado sobre o assunto constantemente. Em como escrever sobre algo que me é tão marcante e cercado de dores.
Primeiramente, não tenho como antes escapar do clichê (no sentido de algo extremamente repetido por ser verdade) que temos o direito de sermos donas de nossos corpos. Ponto. Fato.
Para só então começar minha história.
Eu, classe média, bem-educada, consciente da necessidade do uso da camisinha nem sempre fui responsável em minhas relações sexuais. Atire a primeira pedra quem nunca... E sim, eu já abortei.
Na primeira vez eu tinha vinte anos. Durante muito tempo sofri por me sentir a mais miserável das mulheres, e me lembrava sempre que era uma assassina monstruosa. Mas também não esqueço que ao sair de uma clínica de fundos de quintal e chegar em casa acompanhada pela minha mãe e pela recomendação da "parteira" que caso eu me sentisse mal não deveria procurar um hospital, tive uma convulsão por ter perdido muito sangue. Minha prima, que na época, fazia medicina, estava com o namorado e não quis ir me dar assistência, porque o rapaz poderia pensar mal dela. E de mim.
Na primeira vez eu tinha vinte anos. Durante muito tempo sofri por me sentir a mais miserável das mulheres, e me lembrava sempre que era uma assassina monstruosa. Mas também não esqueço que ao sair de uma clínica de fundos de quintal e chegar em casa acompanhada pela minha mãe e pela recomendação da "parteira" que caso eu me sentisse mal não deveria procurar um hospital, tive uma convulsão por ter perdido muito sangue. Minha prima, que na época, fazia medicina, estava com o namorado e não quis ir me dar assistência, porque o rapaz poderia pensar mal dela. E de mim.
Bom, diferente do tal namorado que ninguém mais sabe por onde anda, eu continuei fazendo parte da sua vida. E sobrevivi. Mas depois disso nossa relação nunca mais foi como antes. Até que foi passando a mágoa, as lembranças foram esmaecendo...
Ah, quem dera... o subconsciente é um danado.
Ah, quem dera... o subconsciente é um danado.
Anos depois, um surto psicótico trouxe tudo de volta. O fato de ter abortado era associado à minha melhor amiga, minha companheira nas dificuldades familiares, a pessoa que havia crescido comigo ter, no meu desvario, quase me deixado morrer "para que não pensassem mal dela. Nem de mim.". Eu não devia valer nada mesmo. Passei semanas fora da realidade, semanas em que revivi constantemente aquele pesadelo.
Muita terapia e mais alguns anos, consegui entender que ninguém poderia ser responsável, além de mim mesma, pelo que tinha acontecido. Eu tinha abortado. Eu tinha decidido. Culpar minha prima pela sua reação era culpar a igreja, a sociedade, a família, que me diziam e dizem a todas as mulheres, até hoje, que decidir e ter direito sobre seu próprio corpo é feio e errado.
Apoio a legalização do aborto, não só porque o fiz, mas porque antes de feminista, sou mulher e acredito sim que minha dor e a de muitas outras teria sido minimizada se vivessemos num País e num mundo onde o direito de escolha não é maldição e sim benção. Onde houvesse apoio para que tomada a decisão de não dar continuidade à uma gravidez, o aborto fosse realizado com segurança. Onde não fosse preciso enlouquecer de culpa pelo fato de saber que não se terá como (ou não se quer) criar um filho. Onde não fosse preciso que mulheres morressem todos os dias porque é mais fácil fingir que abortos não acontecem.
Mas a história não para aí...
Há alguns meses engravidei novamente. Decidimos, eu o pai, termos essa criança. Os dois posts abaixo foram escritos aqui neste blog, em Novembro, e falam um pouco do que aconteceu...
"Eu estava grávida. Até hoje. Perdi meu filho e minha confiança no serviço público de saúde e na empatia que acreditava natural entre os seres humanos.
Comecei a sentir dor, um dia depois de passado o medo, finalmente ter rendido-me a alegria e espalhar a notícia para todos. Rindo.
Hoje fui para o hospital com J. A amiga-esposa não achou normal o sangramento. Nem a dor. (...) Esperas. E esperas. Mais. Até que uma mulher que não sabia meu nome, nem nenhum outro, nem minha história nem nenhuma outra, disse-me que não havia mais nada. Nem nome, nem história, nem espera.
Friamente.
Cruelmente.
E resultado nenhum vale mais que seu diploma. Amém, amém... Deuses todos eles. A atendente que queria saber minha profissão, o médico que viu a dilatação, o enfermeiro que mediu minha pressão. Deuses de pedra. E eu carne e sangue. E nada."
"Terça-feira passada a dor me fez voltar ao hospital. Outra ultrassom, outros médicos impessoais.
Fui internada.
No quarto coletivo, mulheres e seus sofrimentos.
Havia uma menina de dezesseis anos, uma mulher de quarenta e um. Outras. Mais. Todas perderam ou estavam perdendo seus filhos como eu. Sentiam dor como eu. Como eu ficaram vinte horas sem comer até aparecer um anestesista que nos dopasse para arrancancarem os últimos resquícios de uma maternidade que não aconteceu. O nome disso é curetagem.
Quando acordei estava numa enfermaria com outras mulheres e seus recém-nascidos filhos. Quis ir embora, é claro, assinei um termo de responsabilidade e passei os últimos cinco dias em casa, quase sem me mexer.
Dor. Dor. Dor.
Ainda.
Acho que para sempre."
Fui tratada no hospital como alguém que tinha propositadamente abortado. Muito mal. Nos fizeram esperar horas, foram irônicos, secos.
E se fosse? E se é? Porque não tenho o direito de ser tratada com dignidade e respeito por ser uma adulta que fez uma escolha?
E se fosse? E se é? Porque não tenho o direito de ser tratada com dignidade e respeito por ser uma adulta que fez uma escolha?
Ah... esqueci, eu sou mulher e se não cumpro com minha obrigação maior que é parir, não valho nada mesmo... minha prima devia ter razão...
Sou
"Mentira dizer que nunca fui corajosa. Eu sempre fui. Eu sou."
Anotação de fim de folha: repetir como um mantra até...
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Admissão
Estou triste. Mesmo. Eu, que sinto até um certo orgulho, burro é claro, em não chorar facilmente, tenho tentado não cair em prantos convulsivos hoje. As razões são muitas, e claro que escolhi especificamente uma para usar de xis da questão. Mas sei que não é só isso. Ou só por isso.
É que “eu conheci um cara e não deu certo, que dó, que dó”, é sempre uma boa razão para sofrer. Para mim sempre foi. E rende bons posts e poesias. O foda é ter que admitir que o cara desta vez, é a representação de muitas das coisas que eu quero e não tenho coragem de admitir nem para mim.
Não sou de todo imbecil e sei que as minhas tendências auto-destrutivas também tem sua parcela de mão nas costas e sempre me dão um empurrãozinho para o buraco dessas sub-relações. E que não me assumir como a romântica que fantasia um grande amor à cada trepada, insistindo num papel que desempenho bem, o da mulher libertária e escrachada, ajuda a completar o processo de auto-sabotagem.
Mas não é isso que me entristece, é estar me questionando o porquê disso que tem me ferrado.
Quem disser que mergulhar em suas próprios motivações, aquelas escondidas por baixo de todas as confortáveis mentiras que contamos à nos mesmos é fácil, me indique o método. Ou a sua anestesia. As minhas eu assumo agora. Bebida. E os “caras desta vez”. Que são quase a mesma coisa, no final das contas e me fazem evitar pensar no que dói de verdade. Minha versão de cortar na pele para não sentir as dores da alma é essa, mais branda, mais não menos covarde.
Nunca fui mesmo muito corajosa. Até agora.
domingo, 25 de setembro de 2011
E daí?
Eu sei, eu sei. Que tenho que me amar mais, parar de criar expectativas, de superestimar quem não merece. De superdimensionar o que não existe, então logicamente, não tem tamanho.
Eu sei que sou bem melhor que ele. Que os comportamentos padrões são padrões, então, porra, se repetem.
Eu sei que não era para doer tanto, para eu me importar tanto. Também sei que existe tanta coisa mais importante.
E sim, eu já sabia que ia dar nisso.
E daí?
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Comida
Estou comendo agora meu prato preferido depois de noites punks, o prato é sempre o mesmo: miojo escorrido, dois ovos fritos na manteiga com queijo mais farofa pronta. Batizei-o de culinária do conforto. O prato é sempre o mesmo, já as noites, meus amores e amoras, é que nunca são iguais...
Quando hoje, uma grande amiga me disse que eu devia ganhar dinheiro contando as histórias dos meus desastres amorosos, saquei que faz tempo que o negócio não vai indo muito bem. Mas mesmo estando precisada de grana no momento, não abrirei minha boca. Porque é como diz uma outra grande amiga, se eu contar minha história pro carroceiro até o burro chora.
Isso tudo pra dizer que sim, ontem eu atendi o telefone, sim, ontem eu fui encontrá-lo, sim, ontem eu prometi para mim agir como uma boa amiga, sim, eu o beijei. Sim, sim, sim, hoje eu me fudi novamente.
Licença que eu vou acabar de engulir minha comida junto com o que me sobra de orgulho. Antes que esfrie.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
É ela!!!
"Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela !!!
Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.
Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!
Enquanto caminho a pé, pedestre -- peregrino atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.
Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que dela discorde
É esta
Selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde."
Wally Salomão
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto.
É ela !!!
Todo mundo sabe, sou uma lisa flor de pessoa,
Sem espinho de roseira nem áspera lixa de folha de figueira.
Esta amante da balbúrdia cavalga encostada ao meu sóbrio ombro
Vixe!!!
Enquanto caminho a pé, pedestre -- peregrino atônito até a morte.
Sem motivo nenhum de pranto ou angústia rouca ou desalento:
Não sou eu quem dá coices ferradurados no ar.
É esta estranha criatura que fez de mim seu encosto
E se apossou do estojo de minha figura e dela expeliu o estofo.
Quem corre desabrida
Sem ceder a concha do ouvido
A ninguém que dela discorde
É esta
Selvagem sombra acavalada que faz versos como quem morde."
Wally Salomão
domingo, 18 de setembro de 2011
Era
"O grande problema, meu amor, é que as pessoas preferem nossa versão editada. E eu não vou mais desperdiçar uma boa cena, só para agradar o grande público..." No FB ontem.
Olha só, não é fácil ser você mesma. E por mais que nos esforcemos, ainda existe o risco de cair na armadilha de vestir a fantasia que mais agrada ou excita os outros, principalmente quando escrevemos. Ou queremos conquistar alguém. Ou as duas coisas juntas.
Mas enfim, tento ser eu mesma na maioria das vezes. Mas como eu disse não é fácil, meus fios. Não mesmo. Pago um preço alto por minha boca suja, minhas pernas abertas, meu riso escancarado, minha arte, minha liberdade.
Não lamento. Quase nunca, pelo menos.
Mas tenho me sentido cansada. Claro que estar menstruada ajuda no mau-humor, mas o que tem realmente me exaurido, é ter que lidar com quem não sabe nem o que quer, nem o que é. Vou contar, o que tem me aparecido de gente doida não tá escrito. Até agora. Caras que te cozinham em banho-maria até você desistir e derreter, caras que te excluem do facebook porque... sei lá porque... caras que marcam e não aparecem e depois vem perguntar como você está com a cara mais lavada do mundo, caras que insistem em te levar para casa e na hora h broxam, caras que fingem que não te conhecem na rua. Uma coleção barra-pesada de babacas, amores e amoras... E se alguém tiver o displante de me dizer que sou que atraio esse tipo, não responderei por mim, estamos entendidos?
Continuando, foi por conta dessa série de doidos, que decidi passar meu bastão de "sou sexy, mamãe!!!". Tenho, pois, sentado de cara feia nos bares e evitado levantar minha cabeça do copo de cerveja, porque eu não quero mais ter que me esforçar para que achem ou deixem de achar qualquer coisa à meu respeito. E depois sumir. Ou depois não quererem. Ou depois qualquer porra que seja. Simples assim. Ou não.
E como disse a amiga-esposa, eu estou gordinha, o que não tem atraído, digamos, uma grande quantidade de pretendentes. Metade do problema resolvido.
Proclamo então aqui hoje, para vocês, meus amados cinco leitores, minha aposentadoria emocional e sexual. Enfim, é o fim de uma era, babys. Bebamos à morta.
sábado, 17 de setembro de 2011
Né?
"Mais do que amor, do que dinheiro, do que religião, do que fama, do que justiça, me dê verdade."
Faz tempo que eu não escrevo aqui.
Também faz tempo que eu não encontro Kinha, que eu conheci em Noronha, quando morei lá há tantos anos atrás. Então recomecemos, com algo que ela falou de sí mesma e eu readaptei.
"Faz quase 20 anos que eu saí de Noronha. Moro com minha mãe e meus desejos de solidão. Adoro a lua. Fico cega no entardecer. Adoro a natureza, principalmente vista de uma janela de hotel cinco estrelas. Sempre me atraso. Detesto esperar. Sou organizada. Às vezes. Só gosto da bagunça. Não gosto de muito barulho, mas também não gosto de muito silêncio. Não gosto de novela. Não gosto de hospital. Vivo melhor sem a ideia de Deus. Não vivo sem café. Não vivo sem música. Não vivo sem internet. Não vivo sem pessoas. Se eu pudesse sempre teria cerveja na minha geladeira. Adoro dormir. Adoro acordar tarde. Gosto das minhas tatoos. E gosto do meu corpo. Eu gosto de usar roupas na cor preta. Gosto dos azuis. Gosto de morar em João Pessoa. Amo ser Recifense.
Descobri que tenho mais amigos do que achava que tinha. Descobri que eu sou linda. Descobri que sou amada. Descobri que não vivo sem celular. E descobri que tenho os melhores amigos que alguém poderia ter. Eu não sei dirigir bem ainda. Eu tenho facilidade para engordar. Eu não queria ter que pintar o cabelo, mas não nunca deixarei de fazer isso. Um dia eu assumirei meus cabelos brancos.
Um dia eu farei o caminho de Santiago de Compostela. Ano que vem farei meu mestrado. Um dia voltarei a morar em Noronha. Um dia eu faço um cruzeiro. Eu odeio o inverno. Odeio frio. Eu amo a primavera. Eu gosto muito de chocolate. Eu não uso muita maquiagem. Eu já disse que não vivo sem café? Nunca aprendi a comer salada. Sei cozinhar. Bem. Detesto alimentos saudáveis. Eu tenho preguiça de cozinhar quando não tem festa. Eu amo dançar. Mas danço sempre no mesmo ritmo, qualquer ritmo. Sempre de olhos fechados.
Eu não gosto de orgulho e arrogância, porém sempre sou. E eu odeio quando eu sou orgulhosa e arrogante. Eu odeio odiar. Eu odeio ser criticada. Nem sempre fui simpática. Sempre fui educada. Sempre fui observadora. Nunca aprendi a ter paciência.
Não respeito todos. Gosto de mandar as pessoas tomarem no cú. É minha prova de amor, de que eu confio em você a ponto de mostrar meu pior. Aprendi a parar de julgar as pessoas. Aprendi a aceitar. Às vezes eu me estresso, e às vezes as pessoas me estressam. Odeio ente que tem medo. Odeio ser excluída. Às vezes trato as pessoas bem demais. Às vezes sou simpática demais. Não gosto de abraços. Gosto de beijar de língua. Gosto de sexo. Gosto de ler. Gosto de escrever. Gosto de dar presentes. Gosto de ver filmes. Gosto de flores.
Acredito que nada acontece por acaso. Eu gasto dinheiro muito fácil. Eu gosto demais de fazer compras. Adoro rir. Adoro rir de mim mesma. Adoro fazer palhaçadas. E adoro rir das minhas palhaçadas. E da dos outros. Amo sushi antes de todo mundo. Eu gosto de falar. Eu não sei o que é amor-próprio sem que me amem.
Já falei, já cantei, já dancei em público. Já participei de peça de teatro. Eu canto alto. Adoro fotografia. Eu sou artista. Me conformei que nunca farei aulas de violão. Tenho medo de ser assaltada. Fumo pra caralho.
Eu gosto de falar direito e de escrever direito o português. Eu gosto de conhecer pessoas. Eu gosto de fazer novas amizades. Eu tenho um blog. Eu tenho TPM. Eu não gosto de ficar sozinha. Eu amo beber com minhas amigas. Minha mãe não sabe cozinhar. Eu amo os meus amigos. Eu não vou ser ser mãe, assumi que nunca quis. Eu amo minha mãe. Eu percebi que não tenho mais tanta cara de criança, porém ainda ninguém diz que pareço ter trinta e seis anos. Ano que vem eu farei trinta e sete anos. Eu cresci! Eu sou assim... por enquanto..."
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Da série: Insônias poéticas ou bobagens noturnas
I
mesmo com a gaiola aberta
tem pássaro apaziguado que insiste em ficar
mesmo com o coração trancado
tem sentimento rebelde que insiste em fugir
IV
mesmo com a gaiola aberta
tem pássaro apaziguado que insiste em ficar
mesmo com o coração trancado
tem sentimento rebelde que insiste em fugir
II
sentimento muriçoca
para impedi-lo
morro de calor
aí me descubro
e ele se alimenta da minha dor
para impedi-lo
morro de calor
aí me descubro
e ele se alimenta da minha dor
III
poesia é coisa
cabe em qualquer lugar
serve para qualquer situação
mas não essa
poesia
que é qualquer
cabe em qualquer lugar
serve para qualquer situação
mas não essa
poesia
que é qualquer
IV
tudo é questão
quer você queira
ou...
não?
V
quer você queira
ou...
não?
V
você do primeiro andar
me sorriu
alto demais
eu abaixo
das suas expectativas
me sorriu
alto demais
eu abaixo
das suas expectativas
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Ramagem
Estou no sertão Paraibano produzindo um evento de artes visuais. Estou cansada e pouquinha. Seca. Esturricada.
E foi por aqui, onde estou há quase quinze dias que levei o fora mais original da minha vida.
- Não, não vou te beijar porque eu posso me envolver com você...
Vontade de dizer: -E, quem disse que?
Mas sabe como é, né? Eu sou uma covarde. E estava bêbada.
Eu sou uma mulher madura, mentira, uma menina ridícula... e isso é só mais uma das coisas que envolvem tomar a iniciativa, em ser tanto de tantas, tento me convencer.
Nada.
É que hoje eu me sinto tão só, tão só, que nem enchendo-me de palavras, as minhas e as alheias, o oco passa. E eu quero sim, ceder... ser menos para ser mais que uma só...
Então folheio Clarice para não sair correndo das minhas decisões e me enfiar me qualquer forma que me ofereçam:
"Estremeço de prazer por entre a novidade de usar palavras que formam intenso matagal. Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido utilitário: sou sozinha, eu e minha liberdade.
É tamanha a liberdade que pode escandalizar um primitivo, mas sei que não te escandalizas com a plenitude que consigo e que é sem fronteiras perceptíveis.
Esta minha capacidade de viver o que é redondo e amplo - cerco-me por plantas carnívoras e animais legendários, tudo banhado pela tosca e esquerda luz de um sexo mítico.
Vou adiante de modo intuitivo e sem procurar uma idéia: sou orgânica. E não me indago sobre os meus motivos. Mergulho na quase dor de uma intensa alegria – e para me enfeitar nascem entre os meus cabelos folhas e ramagens"...
...
domingo, 17 de julho de 2011
Escova de dentes
Meu computador agora deu para me dar problemas. O pitoquinho que alimenta a bateria quando pitocado nesse meu espécime velhinho e amado, companheiro de tantas lidas, recusa-se a cumprir sua função única. Logo agora que resolvi organizar os meus escritos e ver no que dá. O mais provável é que dê em nada.
O nada por enquanto são vinte páginas estruturadas como um romance, destes com enredo, começo, meio, fim e poxa, vejam só, alguns momentinhos até que bem sacados. Mas o lance é que nessa tentativa, acabei por admitir minha recusa em assumir um compromisso à sério com minha namoradinha de infância, essa tal literatura.
Tem também por esses dias, corrido Leminski na veia. Inclusive uma frase dele foi escolhida para ser minha próxima tatuagem. Cara legal o Leminski, não esqueceu que arte é marcada à ferro e fogo na gente e que criar é um compromisso pra vida inteira. Um dia eu aceito. Ou então apenas admito que essa escova de dente já mora no meu banheiro há muito tempo e junto os trapinhos de vez.
Chuva e frio. Por aqui tem rolado um inverno astral, como disse a amiga E. Um inverno Leminskiano, quase curitibano, acrescento. A nota dissonante vem do barulho dos jambos, que ameaçam em sua fúria nordestina caírem sobre nossas cabeças.
Não saio de casa e insisto em saudades tolas. Mas as estações se sucedem, eu sei. E tenho andado, enrolada em lençóis, aconchegando-me aos pouquinhos com uma vontade estranha de voltar a amar.
sábado, 16 de julho de 2011
Fotonovela

Queria entender nós dois. Não que haja mais nós dois, claro que não. Ainda não foi desta vez que enlouqueci . Não de todo.
Nem nós falamos, eu sei. Mas é que dia desses fui ler aqueles papéis velhos e tinha uma poesia escrita há tantos anos... Era triste. A poesia, nossa história.
Ainda é.
Então ainda há, dá para entender? Nós dois?
Outra coisa, seu nome estava salvo no antigo chip do celular. E agora eu olho para você como contato. Ironia, ironia.
Resolvo dramatizar como mocinha de fotonovela, com caras e bocas. Mas sem final feliz.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Mais retalhos (2)
1- Eu (toda trabalhada no verniz da intelectualidade citando Caio): -"Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo"
A amiga-esposa: -E é o Amaury Júnior, é?
2- Eu para um homem-purpurina: -Faz um elogio para minha amiga!
Um homem purpurina para minha amiga E.: - Quero envelhecer como você!
Amiga: -...
3- Amiga E.:- Poxa, essa semana com vocês foi tão legal. Escutei tanta conversa interessante, tô com uma vontade de voltar a ler como eu lia antes. Ó, parei também com minha preocupação excessiva com as coisas do corpo, nem silicone mais eu quero botar... (pausa dramática)... agora quero é fazer um lifting facial.
"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."
5- Saudades da borboleta e da amiga-esposa.
6- Sim, passa das quatro da manhã.
Sim, eu não consigo dormir.
Não, eu não quero falar sobre isso.
Mais retalhos
1- Aí a pessoa tá sem cigarro, de madrugada, quando um lembrança salvadora aflora: menina, ganhasse do amigo phyno aquele fumo de enrolar francês. Procura aqui, cata acolá e encontra o dito-cujo em alguma gaveta.
Agora se até na época de mil-e-brinco-hippie-rogai-por-nós, quando fumei drogas (mas não traguei,viu?), eu não sabia enrolar unzinho, imagine o nível dos meu cigarretes artesanais nesta nossa contemporaneidade abençoada. E todas fuma os extratos bancários.
2- Churrasco marcado, convitinho fofinho no FB, todos os amigos animados, piscina inflável infantil solicitada, banho de mangueira festejado. Aí a pessoa que vos escreve lembra que vai viajar n-o-d-i-a-e-m-q-u-e-s-t-ã-o. Comentários dosamygos após o aviso indesejado de cancelamento com a justa explicação: só podia ser a S.
Pois é queridos e queridas, tão achando ruim, comprem um passat.
3- Tava na casa da amiga dia desses e escuto um música na televisão. Gostei da voz da sujeita, gostei da letra. Então apelo pro santo google e desde então tenho escutado sem cansar...
Novela das seis também é cultura, tão vendo?
E tem gente que canta assim sem saber, meu momento...
"...Quando eu era estrela
Era inteira na mentira que eu dizia
Ser o que não era,
Convencia, dentro da minha ilusão
Quando eu fui nada,
Faltou nada, tudo pronto pra escrever..."
Era inteira na mentira que eu dizia
Ser o que não era,
Convencia, dentro da minha ilusão
Quando eu fui nada,
Faltou nada, tudo pronto pra escrever..."
4- Também no FB, Chicuta proíbe as gordinhas de se esconderem atras das amigas magras quando forem tirar fotos. Guardo mágoa no coração para com essas pessoas vis que entregam nossos segredos mais secretos.
Hunf!
5- E faltou luz mais uma vez. Miró, o cachorro-mutação-genética aqui de casa uiva pro nada. Chove. Há trovões, amores, há trovões. Mamis dorme. Mamis ronca. Suspiro e concluo: Eu nunca mais assisto filme de terror.
De chuva, palavrões e retalhos floridos
Não dormi noite passada, meus fios. Nadinha. Porque eu abri meu e-mail já perto de amanhecer e tava lá: amanhã (que era ontem) esteja em tal lugar para receber tal grana e resolver tal coisa. Cataplof e ai, meus sais. Se eu dormisse não levantava nem a pau na hora marcada. Então tome ver filminho até amanhecer. E. dormindo e não quis incomodar que sou uma boa amiga, né? Então assisto o Discurso do Rei. Sem som. Não recomendo.
Depois café e mais café e saída no estilo "coelhinho da páscoa", olhos vermelhos e tals. Oculos escuros à postos e... chove chuva, chove sem parar... suspiro, mando meus cumprimentos à Murphy e enfrento poças d´água, tempestades, raios, trovões e ônibus lotado. Chego lá e quedêquitéria? Ninguém. Celular descarregado, claro que sim. Mais palavrões em tecla mute.
Resolvo vir para casa. Chuva, poças d´água, raios, trovões e ônibus lotado. Chego tremendo por baixo da blusa fininha e ligo pralguém. "Mas você não viu no e-mail que coisinha trabalha no setor cgdkihfnksjdjbsjb e não no gghsbdchbdshbvh. Não, não ví, porram.
Resolvo esquecer o mundo e me afundo na cama.
Acordei quase agora. Tava coberta com o endredon da Mamis, que é um sonho de retalhos floridos e azuis e é sinal que o inverno chegou aqui em casa.
Voltei a acreditar que o mundo pode ser bom. Em qualquer estação.
sábado, 9 de julho de 2011
Escreva Lola, escreva!
Sempre leio o blog dela e nem sei porque ele não está aí ao lado, entre meus preferidos. A questão é que dentre muitos posts que me fizeram pensar e mudar paradigmas, além de sempre renderem excelentes motes para discussões entre minhas amigas, esse texto (e que nem foi escrito por ela), me tocou sobremaneira. Então o coloco aqui para vocês. Porque eu queria ter escrito algo assim, faço dela as minhas palavras...
"Marcela é advogada em Uberaba, MG, e não se conforma que existam mulheres machistas. Como ela me disse por email: “Não apenas as mais velhas ou as que tiveram menos acesso aos estudos, mas as minhas colegas juristas, as jovens que estudaram em boas escolas, mas continuam reproduzindo o machismo. Sei que somos doutrinadas pelo machismo desde criança, mas eu não consigo entender o motivo pelo qual tantas mulheres olham para as outras como as 'putas', as que 'merecem apanha', as 'golpistas'. Outra coisa muito desgastante para mim são as mulheres que têm vergonha do feminismo, que acham que é coisa de 'mulher-macho', de mulher não-feminina. Por isso escrevi esse texto. Não para culpar as mulhers pela violência doméstica, mas para tentar fazer com que elas vejam que não existem 'categorias' de mulheres, que estamos todas no mesmo barco e que precisamos nos apoiar, precisamos nos apropriar de nossos desejos e de nossa individualidade. Precisamos reagir.” Dá pra discordar dela? Fiquem com seu guest post panfletário.
Temos Lei Maria da Penha, temos Constituição Cidadã, temos Delegacia de Mulheres, temos a Lei do Divórcio, temos o direito ao grito, mas, como já disse Drummond: "As leis não bastam. Os lírios não nascem das leis." E é por isso que, infelizmente, ainda temos que lidar com a avassaladora realidade da violência doméstica: ainda silenciosa, ainda abafada, ainda cruel, ainda absurda, ainda escandalosamente real.
Mas, o que vou dizer agora, gostaria de não precisar dizer: "Mulheres, se vocês continuarem alimentando o machismo, se continuarem culpando as vítimas e desculpando os agressores, a violência doméstica nunca vai ter fim. Nunca!"
A violência contra a mulher RESISTE e insiste em continuar existindo, ainda que nos garantam que "homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações nos termos desta Constituição". E é por isso que o feminismo ainda é necessário.
O agressor é sempre covarde: só perde a voz quando as mulheres se cansam de alimentar ilusões e viram a mesa.
Então, mulheres, por favor: Virem a mesa!
Neste momento, em algum lugar do mundo, uma menina é adestrada (sutilmente ou com brutalidade) para renegar seus direitos, sua sexualidade, seus desejos, seus sonhos e sua individualidade. É ensinada a se sentir inferior. Aprende a olhar para as outras mulheres como concorrentes, inimigas perigosas que querem tomar seu homem e que aguardam a primeira oportunidade para, Evas ardilosas que são, darem o golpe da maçã, o golpe da barriga, o golpe do baú, o golpe.... E a menina, em algum lugar do mundo, neste exato momento, aprende a não confiar em mulheres. Aprende a não confiar em si mesma.
Neste momento, em algum lugar do mundo, uma mulher reproduz e alimenta ideias machistas, na ânsia de ser valorizada pelos "senhores" e de ser considerada especial, "mulher honesta", "moça de família", "mulher para casar", mulher que não precisa apanhar. Mas não tem como uma mulher odiar as "outras" mulheres sem se odiar também... Não tem como uma "pura" crucificar as "impuras" e achar que algumas até merecem apanhar, sem correr o risco de, um dia, ser a "puta da vez". E, não se enganem: agressor nenhum precisa de motivo para bater, humilhar, estuprar, matar...E, não se iludam: qualquer uma pode ser a "puta da vez".Tem até um poema do José Paulo Paes que se encaixa nisso:
A torneira seca.
Mas, pior: a falta de sede.
A luz apagada.
Mas, pior: o gosto do escuro.
A porta fechada.
Mas, pior: a chave por dentro.
Neste momento, em algum lugar do mundo, uma mulher agredida se cala e se curva e se ajoelha e aceita e se submete e se culpa, porque acreditou na ilusão de que, na ausência de um homem, ela nem é GENTE.Mas, neste momento, em algum lugar do mundo, uma mulher agredida ACORDA e simplesmente se vê: é um ser humano! E está viva, e é livre, e é plena. E ela deixa de se submeter e reage e pede ajuda e exerce o seu direito ao grito e grita e acha pouco o afago mínimo que recebe quando se curva e, então, se levanta e luta e exige direitos iguais e exige homens que respeitem os direitos iguais e só quer estar com homens que saibam que ela é tão PESSOA quanto eles e descobre a felicidade de viver sem amarras e sem ser vítima e sem ser escrava e quer dividir essa alegria interminável e deseja que todas as mulheres do mundo saibam que são GENTE e... E esta é a beleza do feminismo: ser a semente da ideia subversiva de que somos pessoas inteiras, somos senhoras de nós mesmas. Solteiras, casadas, médicas, costureiras, advogadas, empregadas domésticas, professoras, donas de casa, doutoras, estudantes, analfabetas, negras, pardas, brancas, amarelas, gordas, magras, idosas, jovens, heterossexuais, lésbicas, putas ou freiras -- nós TODAS somos donas dos nossos corpos e dos nossos destinos. As conquistas são lentas, a semente demoraaaaaaaaaaaaa para germinar, mas quando ela brota... ah, quando ela brota! Nunca mais a gente para de florescer."
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Verdade
Sabe, eu devo estar bonita assim, meu cabelo cai no meu rosto e eu tenho aquela cara de quem é agradável de se levar para cama.
Mas eu odeio. Odeio. ODEIO.
Eu nunca achei que eu pudesse odiar, porque eu sou todas essas coisas que fazem as pessoas me xingarem de sei lá o quê, mas nunca me importou. Eu sou realmente uma boa pessoa, quem quer brigar comigo nem se convence. Eu sempre sou agradável. Sempre. Mesmo. Porque eu ando com quem eu amo e com quem me saca. O resto... foda-se... até ontem.
Porque você sempre ria e me apoiava nos meus palavrões...
Você era tão importante que cheguei a achar que a culpa era minha, de alguma forma. Não é. Nunca foi. Você me agride porque você quer minha liberdade. Ela, minha liberdade, me impede de mandar você...
Falar palavrão é feio, não é?
Morro de ódio em silêncio então e grito escondido no banheiro... e choro e odeio.
Amanhã... educada, como sempre...
Você não perdeu minha .... Você perdeu é minha verdade....
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Descrição
Eu escolheria para ele um nome menos comum, principalmente porque ele fala prazer em te conhecer baixinho e também sobre deuses e mitologia. Observa fixamente tela e olhos. Anda como um felino, languidamente e no entanto, ele é surpreendentemente estável e forte. O seu parentesco com os gatos de rua, é que nada parece que vai assustá-lo ou tirar seu equilíbrio.
Ele é o homem mais sensual que eu conheci na minha vida. E não, não aconteceu nada, nem acontecerá. Mas ele daria um puta dum personagem.
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