sábado, 19 de março de 2011

Medo

Querer (Pablo Neruda)

Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.


Luciana diz que me saboto. Ela tem razão. Ela é sábia e eu só sou uma mulher que enlouqueceu antes do tempo. Eu tinha vinte e três anos. De lá para cá a possibilidade da loucura é mais que licença poética.

A loucura me espia atrás de qualquer rompante, qualquer riso mais escandaloso ou pensamento que se comporte como cachorro atrás do próprio rabo. Só em cuidar para que não chegue, a loucura já se senta no sofá e pede café. Ao tentar varrê-la da minha casa/mente com boas ações e equilíbrio ela passa a se declarar moradora e coloca os pés na mesinha de centro.

Domingo eu coloquei tudo a perder. Eu queria aquele homem. Tanto, tanto.

Eu o odiei por isso.

Aí eu me rendi. Quinta-feira foi dia de voltar para a terapia. E chorar de medo. De mim, senhoras e senhores, de mim.


2 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Sem romance e sem condescendência:

"que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor...e a outra metade também".

Pode ir armando o coreto e blá, blá, blá...tô chegando.voltando.

Rafa disse...

E quando não há ninguém pra se desejar? Um mundo de corpos e rostos sem alma...

Bj

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