segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Murphy é meu pai

Saio para pagar as contas. Cadê dinheiro que ninguém viu? Não depositaram minha grana. Volto para casa puta e devedora e ligo para trazerem o garrafão de água mineral que tinha acabado. Duas horas depois ligo de novo. Cadê, porra? A Senhora mora mesmo no 304? Caralho, dei o número do apartamento errado. Agora só à noite. Tô doida?
Boto uma blusa de manga porque está friozinho e mal saio de casa o sol abre-se num esplendor infernal. Calor. Assisto aula tombando de sono. Aguento firme á base de café.
Saio mais cedo e vou no cara que me faz crer nos poderes da alopatia pesada pegar receitinhas milagrosas para mim e para a amiga-mestra. Foi rapidinho, pensei. Ufa!
Chego na farmácia e a balconista: Ouxe, essa receita é de Junho. Nosso dotôzinho tinha escrito a data errada. Espero mais uma hora até ele desocupar e refazê-las.
Preocupada que estava com stress da amiga-mestra, resolvo voltar na universidade para entregar as receitinhas milagrosas da bichinha. Desço do ônibus e o sol se vai e a chuva resolve encanivetar-se na hora que o sinal abre, e antes que eu conseguisse atravessar a rua.
Ensopada, chego na sala que amiga-mestra dá aula e abro a porta. Quem tá do lado da porta e pega no meu braço? O filósofo filho-da-puta que me deu um fora dia desses, todo se enrisonhando pro meu lado. Largo a receita na mão dele e me mando.
Voltando para parada de ônibus, encontro um colega. Começamos a conversar e eu achando que ele tava me olhando com uma cara estranha. Chego no trabalho e a reunião tinha sido adiada. Puta que os pariu. Vou no banheiro e meu sutiã preto de bolinha branca grita por baixo da blusa verde-clara molhada. Entendo os olhares estranhos do colega e quase penso em ficar trancada no banheiro para sempre.
Mas sou Brasileira e não desisto nunca. Me arrasto até em casa. Chuva ainda. Abro o portão e uma menina me encara e pergunta:
- A senhora mora aqui?
Vontade de dizer, não porra, eu sou uma assaltante que tem a chave dessa merda! Mas eu sou fina, luxo e glamour e confirmo. Pra quê?
- É porque eu sou do censo, posso subir com a Senhora e fazer umas perguntas?
Não, não pode. Eu não vou pegar uma pneumonia por causa do IBGE. Ela diz que volta à noite.
Tiro a roupa molhada e olho uma das três latinha de cerveja que estão na geladeira. Decido tomá-la ao invés do ansiolítico e ir dormir. A infeliz tá congelada. Todas elas estão.
E a menina do Censo que se entenda com o cara da água mineral porque eu vou dormir sem cerveja mesmo e não abro a porta para mais ninguém que eu to é com medo.

3 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Tem dia que nem querendo a gente consegue ser Pollyana, né? Bjs

Caminhante disse...

Eu tbm fiquei com medo. Que dia!

Leonardo Xavier disse...

Cara S., há dias que se eu acreditasse em Deus, eu diria que ele é um sádico brincando com a minha vida.

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