domingo, 9 de janeiro de 2011

VIP

Uma amiga veio me pegar em casa e rumamos para o show de Sacal e Gabriel, o pensador. Antes que me atirem pedras, só curti “Gabriel que pensa” quando tinha quinze anos (confessem que também já pecaram!). Queria mesmo era curtir o vozeirão do primeiro citado.

Enfim... paramos rapidamente nos fundos do palco para a sujeita-amiga entregar uma camiseta preta para o namorado que está trabalhando na produção dos eventos neste verão. Fiquei dividida entre o pasmo, a indignação e a admiração quando ela simplesmente recusou o convite de irmos para a área vip. Ok, ok, pensei... é cool quem pode.

Peguei meu queixo caído e fui humilde e comumente para a areia de praia, que era a terra que me cabia naquele latifúndio. Cheguei a tempo de escutar Sacal gritando: Valeu! O show tinha acabado. Merda!!!

Tentei me consolar com uma água mineral quente e fiquei observando os povos e povas. Que gente feia da porra!!! E todos trabalhados na transpiração e na marginalidade. Pensei em um amigo gay que certa vez me aconselhou a valorizar um cafuçú, mas aquilo já era demais para mim.

Tentando achar uma área mais clean, por assim dizer, me deparo com o homem que me jogou na parede e me chamou de lagartixa. Chamaremos o dito-cujo de homem-zen*, combinado? Ele me deu abraços demorados, vários beijos (no rosto), fungadas no cangote e alisadas nas costas. E eu amaldiçoando minha sobriedade e desejando um uísque. Duplo. Puro. Sem gelo.

Gaguejei algumas frases desconexas e fui atrás de um banheiro químico, ansiando por lugares em que você mija e existe papel higiênico e limpeza. Por vezes até espelho. Tipo assim, banheiro de área vip, sabecomuéqueé?

Votei por abandonarmos o show ainda não iniciado e irmos para um barzinho nosso velho conhecido. Sentamos, finalmente livre do populacho e pedimos uma cerveja. E eu, que diferente da amiga não sou auto-suficiente nem nada, nem sou mais eu (na verdade sou facinha, facinha), fiquei espichando os olhos e torcendo para o homem-zen aparecer. Nada.

Paguei a conta (R$ 10,00 de uma cerveja e um escondidinho de camarão, para que vocês saibam que oh! mais um dia sem ela encher a cara!) e vim para casa. Aí me deu insônia. Fiz crochê. Lí. Agora estou escrevendo para ver se paro de pensar no home-zen (porque ele é tãããããooo lindo, meudeusi???) e deixo Morfeu me conquistar.

É, minha noite não foi lá muito vip. Não mesmo.

* É que apesar de sua presença sempre ter me causado frio na barriga e mãos úmidas, ele me inspira calma. Toda do mundo. Contraditório?

4 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Amiga, me senti muito pouco cool agora...ia sem pejo para a área VIP. E eu já pequei, mas nunca com um Gabriel...Bj!

Ricardo Chicuta. disse...

Me lembrou um programa do Athaide Patreze esse post heheheh.

Leonardo Xavier disse...

Eis uma coisa que eu não consigo te imaginar fazendo: crochê.

Marcantonio disse...

Crochê? Rs. Ora, ora!
Se arrependimento matasse eu não estaria escrevendo essas linhas, teria expirado no início de 2008 quando fui assistir na praia, à altura do busto do Tamandaré, a um show do Paralamas! Deus! Como a gente dá passos errados na vida!

Beijo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...