quinta-feira, 15 de julho de 2010

Visto temporário

"No temporal da revolução
os baús de enxovais
preciosos das raparigas casadoiras
naufragaram.
Ainda hoje me consolo
com as leituras de Marx.
E, no entanto,
perdi meu enxoval."
Maria Alexandre Dáskalos

Vez ou outra, fico tentada a reler com mais atenção o que escrevo. E me senti casadoira e romântica e imbecil ao reler o post anterior.
Foi como se nele eu me justificasse pelo fato de fazer o que quero e sentir o que sinto e transar com quem transo. E quando quero. Como se nele um romantismo imbecil adquirido ancestralmente, servisse-me de visto temporário para a minha atual liberdade.
Neste tal visto imaginário e literário, carimbei minhas desculpas: “porque é só por enquanto”,” não farei mal a mim nem a ninguém durante muito tempo”,"só enquanto o homem que irá me “apaziguar” aparecer”. “Desculpem-me”. “Perdoem-me”.” Entendam-me”. “Aceitem-me”.
E não é nada disso. Não é porra nenhuma disso. Não tenho a mínima vergonha de ser o que sou, nem tampouco do que quero. E de como. E de quando. E de quem.
Não me imagino varrendo casa nenhuma, com fita no cabelo, feliz da vida, enquanto um homem meu dorme. Ora bolas, estaria na cama com ele. Torcendo para que meu amor acordasse antes e me preparasse café forte.
Mas tampouco me furtaria de lavar chão, roupa, prato e alma, se meu homem os lavasse comigo. Mas nunca apaziguada. Nunca.
Então estamos entendidos?
Agora, por favor, me expliquem...

3 comentários:

preta_angela disse...

lindaaaaaaaaaaaa e eu tuh tatuh!!!!!!!!!!!!!

Leonardo Xavier disse...

kkkkk! Eu não sei, algumas vezes também tenho essa sensação de escrever textos e olhar e não me identificar com eles depois, mas eu penso que talvez aquele fosse um "outro" de mim em outro momento. É legal para ver como você estava se sentindo em outras fases e como você mudou a sua forma de sentir.

Borboletas nos Olhos disse...

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar...

Ainda com Adélia. Amiga, eu lavo, passo, bebo, faço strip, bato, grito...amar é sempre dar o que não se tem. Eu acho. Eu não me justifico. Se for hora de deitar, deito. Hora de partir, vou. Gosto mais de ser feliz do que de estar certa. Não, não estou bêbada. Bjs e bjs

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