terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Chamamentos


Cansada, pessoas, cansada!!!


Meu bom-humor se jogou do prédio em construção aqui do lado.
Eu fiz canga do santo sudário e xinguei a sagrada família, só pode! Para onde eu vou pedreiros me acompanham... barulho às seis da madrugada, poeira e cantadas baratas todos os dias na vida dessa que vos escreve.
Juro pelos deusis, no terreno aqui do meu ladinho.
, que já voltou para Mossoró, veio, viu e tá de prova.

Mas, enfim... nem só de desgraças vive meu mundo. Proposta de empreguinho phino para 2011 e minha primeira exposição individual marcadérrima para Outubro. Espocar de fogos e close para meus olhos marejados de emoção lacrimal, por favor!

E teve beijo na boca dia desses. Dos bem dados. Beijo modelo adolescência, quando não se ia muito longe e tudo era expectativa e vontade. E ele é um cara tão legal, mas tão legal, que é meu amigo. Então teve a decência de ligar hoje, dizendo que recebeu minha mensagem pós-beijo-madalena-arrependida e nos definiu em voz delicada como adultos que sabiam o que estavam fazendo.

Eu sabia mesmo?

Temo que isso, esse surpresa estranha, dê em nada além de incompletude e perda.
Por isso, por hora, a poesia completa de Hilda Hilt


Dez chamamentos ao amigo


I

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

II

Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida altivez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.

III

Se refazer o tempo, a mim, me fosse dado
Faria do meu rosto de parábola
Rede de mel, ofício de magia
E naquela encantada livraria
Onde os raros amigos me sorriam
Onde a meus olhos eras torre e trigo
Meu todo corajoso de Poesia
Te tomava. Aventurança, amigo,
Tão extremada e larga
E amavio contente o amor teria sido.

IV

Minha medida? Amor.
E tua boca na minha
Imerecida.
Minha vergonha? O verso
Ardente. E o meu rosto
Reverso de quem sonha.
Meu chamamento? Sagitário
Ao meu lado
Enlaçado ao Touro.
Minha riqueza? Procura
Obstinada, tua presença
Em tudo: julho, agosto
Zodíaco antevisto, página
Ilustrada de revista
Editorial, jornal
Teia cindida.
Em cada canto da Casa
Evidência veemente
Do teu rosto.

V

Nós dois passamos. E os amigos
E toda minha seiva, meu suplício
De jamais te ver, teu desamor também
Há de passar. Sou apenas poeta
E tu, lúcido, fazedor da palavra,
Inconsentido, nítido
Nós dois passamos porque assim é sempre.
E singular e raro este tempo inventivo
Circundando a palavra. Trevo escuro
Desmemoriado, coincidido e ardente
No meu tempo de vida tão maduro.

VI

Foi Julho sim. E nunca mais esqueço.
O ouro em mim, a palavra
Irisada na minha boca
A urgência de me dizer em amor
Tatuada de memória e confidência.
Setembro em enorme silêncio
Distancia meu rosto. Te pergunto:
De Julho em mim ainda te lembras?
Disseram-me os amigos que Saturno
Se refaz este ano. E é tigre
E é verdugo. E que os amantes
Pensativos, glaciais
Ficarão surdos ao canto comovido.
E em sendo assim, amor,
De que me adianta a mim, te dizer mais?

VII

Sorrio quando penso
Em que lugar da sala
Guardarás o meu verso.
Distanciado
Dos teus livros políticos?
Na primeira gaveta
Mais próxima à janela?
Tu sorris quando lês
Ou te cansas de ver
Tamanha perdição
Amorável centelha
No meu rosto maduro?
E te pareço bela
Ou apenas te pareço
Mais poeta talvez
E menos séria?
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
Na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos aventura?
Que é de todo impossível
Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?

Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?
Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?

VIII

De luas, desatino e aguaceiro
Todas as noites que não foram tuas.
Amigos e meninos de ternura
Intocado meu rosto-pensamento
Intocado meu corpo e tão mais triste
Sempre à procura do teu corpo exato.
Livra-me de ti. Que eu reconstrua
Meus pequenos amores. A ciência
De me deixar amar
Sem amargura. E que me dêem
Enorme incoerência
De desamar, amando. E te lembrando
- Fazedor de desgosto -
Que eu te esqueça.


IX

Esse poeta em mim sempre morrendo
Se tenta repetir salmodiado:
Como te conhecer, arquiteto do tempo
Como saber de mim, sem te saber?
Algidez do teu gesto, minha cegueira
E o casto incendiado momento
Se ao teu lado me vejo. As tardes
Fiandeiras, as tardes que eu amava,
Matéria de solidão, íntimas, claras
Sofrem a sonolência de umas águas
Como se um barco recusasse sempre
A liquidez. Minhas tardes dilatadas
Sobreexistindo apenas
Porque à noite retomo minha verdade:
teu contorno, teu rosto álgido sim
E por isso, quem sabe, tão amado.

X

Não é apenas um vago, modulado sentimento
O que me faz cantar enormemente
A memória de nós. É mais. É como um sopro

De fogo, é fraterno e leal, é ardoroso
É como se a despedida se fizesse o gozo
De saber
Que há no teu todo e no meu, um espaço
Oloroso, onde não vive o adeus.
Não é apenas vaidade de querer
Que aos cinqüenta
Tua alma e teu corpo se enterneçam
Da graça, da justeza do poema. É mais.
E por isso perdoa todo esse amor de mim
E me perdoa de ti a indiferença.


Mais poesia de Hilda Hilst, desta vez lindamente

cantada por Ângela Rorô aqui.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quer ser meu amigo???

Mudando Os Sentimentos

Criar seu atalho

Cabeça

Da série: Pode não te interessar, mas me fez ganhar o dia...

Nuas


chegou ontem aqui na terrinha. As seis da madrugada (intervalo para suspiro profundo e sonolento).

Como da última vez que sujeita esteve aqui não conseguimos ( e acho que nem quisemos) ir para praia, desta vez radicalizei.
Biquinis à postos e três ônibus depois aterrisamos no Bessa. Barzinho gay amado. O atendimento péssimo de sempre.
Enfim... cervejinha e queijo empanado (viva a gordura trans!!!) embalaram a nossa conversa. Saudades assassinadas, pois.
Ligações e mobilizações várias e a outra S. nos reboca do lugar que segundo ela "só tem veado e ninguém pega ninguém". Encontramos T. e B., o casal gay mais lindo do mundo e nos debandamos para o litoral Sul.


Para quem não sabe, contarei.
Aqui na terrinha temos uma das poucas praias de nudismo do Brasil. Tambaba.
E foi para lá, munidas de toda nossa coragem e fingindo um ar blasé que nos encaminhamos...
Sim, ficamos nuas. Não, não foi constrangedor. Pelo menos depois das primeiras três horas e da quinta cerveja.



Quando nossa conta chegou (barzinho acima), uma conclusão veio junto. Caso já não estivéssemos peladas, provavelmente nesta hora teríamos ficado. Uma cerveja em lata custa a bagatela de R$ 3,50. Cedo ou tarde ou teríamos que vender nossas roupas ou pagar com o corpo.
Vestimos a roupa em protesto e fomos embora.

Mas uma dia voltaremos quem sabe...

P.S: Pérola Lulística: Mulher, não rola clima de paquera com o cara nú na sua frente. Tô mal-acostumada. Isso sempre me aconteceu depois da conversa, entende?

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Homenagi

Hoje eu tô com a gota serena, como dizia minha sábia avó. Postando mais que a preta do leite, como diz minha sábia tia, cá bixiga lixa como já disse Seu Zé do fiteiro.
Então...
...presto aqui uma homenagem a meu ilustre e desconhecido visitante de Honolulu (Eu sou ricaaaaaaaa!!!!!!!!!!) e também à , humilde, pobrinha e sem-teto, recolhida das ruas e salva da fome, do frio e da chuva por uma nobre e galante amiga, que no entanto não permaneceu no mesmo recinto que ela porque...


Abajur


Conversa ontem. Eu, a outra S. Léo e Amigo A. na casa do último citado. Relacionamentos e velhice.
Léo concluindo que a idade nos tirou a energia de querer muito. Tipo assim: você está exausto depois de um dia de trabalho e não faz mais como aos vinte anos e esquece cansaço, larga as perspectivas de uma boa noite de sono e vai ficar junto do objeto dos seus desejos atuais.
Hurum...
Coincidentemente, algumas horas antes, eu tinha perguntado a outra S. quando foi que ela deixou de ir atrás de um cara que estava a fim só porque estava cansada.
- Nunca!- respondemos juntas.
Esclarecendo... esse papo começou por causa do homem-zen. Ele é amigo de Léo. Ele trabalhou muito ontem. Ele estava cansado. Ele ia viajar hoje. Ele não saiu conosco, pois...
Fala sério!
Confesso que Domingo eu não fui vê-lo pelo mesmo motivo.
Enfim, lembrei de uma outra amiga, dia desses, reclamando do namorado que quando estava trabalhando ou a tomava por um móvel ou a tratava com quase-estupidez.

Eu: - Ah, amiga, mas o cara está concentrado/cansado/(escolha o termo que preferir), né?
Ela: - Então ele só pode me tratar com delicadeza e me dar atenção nas férias? É isso?

Palmas que ela merece.

Nome

Descobri que não preciso beber para escrever histórias de micos e loucuras. Não, não preciso. Mesmo. Minhas amigas cometem os micos e enfiam as caras na piscina da loucura por mim. E me contam. E pedem para que eu escreva à respeito (estranho... mas isso é assunto para um outro post).

Essa é da outra S.

Barzinho. Mesa com amigas. Cerveja em excesso. Ela olha do lado e vê o homem que povoa seus desejos todos desde sempre. Luciano. Ele. Enfim. Ao alcance das mãos e das vontades todas.

A outra S. chega junto e inicia a conversa e o jogo de sedução. Basicamente pergunta dos amigos em comum, dos planos, das novidades. Mais cerveja. E mais. Luciano responde as perguntas. Conversam mais, riem, bebem. Mais.

Casa dele. Cama dele.

Sexo selvagem e muito. Orgasmos.

- Ai, Luciano. Vai, Luciano. Mais, Luciano...

- Luuuucccciiiaaaaaaannnnnnnnnnooooooooooooooooooooooooo....

Dormem abraçadinhos. Ele a acorda com um café-da-manhã e um sorriso. E uma bomba.

- Sabe, gata, eu tenho uma coisa para te contar...

- Fala, Luciano- Diz ela já sentindo um breve princípio de pânico. Seria agora que ele iria se confessar casado. Gay. Com AIDS. Pior ainda, nunca mais querendo vê-la.

- Meu nome não é Luciano.

- ...

Citada


O amor demanda o amor.

Ele não deixa de demandá-lo.
Ele demanda mais...ainda.

(Lacan)

Olha, Rafa escreveu nesse post (em que me citou) que adora ser citado. Eu também, eu também, assumo. Por vezes nem sempre de forma assim, digamos assim...positiva, apesar de verdadeira, como a Caminhante nesse outro texto.

Ser citada com meu nome verdadeiro e sem link também vale e afaga o coração, apesar dela se intitular menina e mentira, essa pessoa é uma mulher com todas as implicações e terrores e prazeres que disso advém. Linda. E sabe de suas verdades. Ahhhh....Iza. Iza. Iza.

Enfim, essas menções virtuais me encantam e me encasquetam, por serem tão diversas. Através delas nos enxergamos no olhar do outro. Temos insights de nossas próprias versões, as reais, as inventadas e as inexistentes. A humanidade segue seu curso, indiferente e independentemente, mas algo dentro de mim é modificado/consolidado/analisado/sofrido por elas, as lembranças alheias de mim. Por eles.

Alguém que eu não conheço (como nos casos do Rafa e da Caminhante) ou que conheci primeiro "virtualmente" (como no caso de Iza), mas me sabe de um jeito estranho, pensou em mim.

Isso é importante, eu acho. E sinto.

P.S: Ah! A borboleta mais linda do meu mundo (todos eles) chega amanhã na minha casa. Na minha vida. Agradeço ao divino mais esse afago, essa benção, esse milagre. Mesmo antes de.

Jaboticaba

Usando o argumento de Jú, expliquei mais ou menos assim:

“Brincadeiras sexuais e fantasias (e aí ambos estarão cientes do significado das palavras de estímulo e incentivo e de quando é realmente hora de parar - não vá me dizer que você brinca de submissão ou sadomaso sem ter uma palavra chave que não seja "não"?! Pois é, quando for realizar fantasias que envolvam violência ou que um tenha de se sujeitar ao outro, escolham uma palavrinha para quando um dos dois quiser DE VERDADE encerrar as atividades. Uma palavra que nada tenha a ver com aquelas que fazem parte da fantasia, como "não"”

(Intervalo para todos me olharem com cara de espanto...)

Amiga pergunta: Palavrinha como?

Eu: Porra, o cara tá te batendo, você tá batendo no cara, enfim...

Amiga: Eu não bato em ninguém...

Eu: Imagina, porra! Não faz parte do jogo, para-por-favor, não me bate mais, essas coisas...

(Intervalo para troca de olhares entre ela e todos e todos de volta para mim)

Amiga: Ok, e que tipo de palavra seria?

Eu: Algo nada a ver com o negozi, entende?

Amiga: Tipo o que?

Eu: tipo JABOTICABA.


Freud explica?

Alguém me interna, please?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Recado

Essa foto é recente, mané! Tá vendo que eu sou até bonitinha???
Perdeu, praiboi!!

(Eu, amigo R. e Sheilinha no Reveillon)

Crochet ou crochê?

Vamos falar hoje de uma coisa séria. Crochet. Vejam bem, eu faço crochet. Gosto mesmo, passo horas entretida, procuro gráficos na internet, leio blogs sobre o assunto, possuo revistas “especializadas”.

O fato de nunca ter conseguido acabar nenhuma peça grande não que dizer nada. Mas hoje falando ao telefone com o homem-zen (sim!!!), ele se mostrou surpreso, quase chocado, com o fato. Léo comentou não me imaginar fazendo.

Só para constar. Eu cozinho muito bem, já fiz velas e vários “artesanatos” para o lar, faxino casa como ninguém, adoro decoração, entre outras coisitas comumente associadas às mulheres ditas “prendadas”.

Mas não acho que isso me faça menos ou mais nada.

Como também não acho que ser uma mulher bagunceira e não saber cozinhar nem pregar um botão, faz de alguém uma feminista.

E tenho dito.

domingo, 9 de janeiro de 2011

VIP

Uma amiga veio me pegar em casa e rumamos para o show de Sacal e Gabriel, o pensador. Antes que me atirem pedras, só curti “Gabriel que pensa” quando tinha quinze anos (confessem que também já pecaram!). Queria mesmo era curtir o vozeirão do primeiro citado.

Enfim... paramos rapidamente nos fundos do palco para a sujeita-amiga entregar uma camiseta preta para o namorado que está trabalhando na produção dos eventos neste verão. Fiquei dividida entre o pasmo, a indignação e a admiração quando ela simplesmente recusou o convite de irmos para a área vip. Ok, ok, pensei... é cool quem pode.

Peguei meu queixo caído e fui humilde e comumente para a areia de praia, que era a terra que me cabia naquele latifúndio. Cheguei a tempo de escutar Sacal gritando: Valeu! O show tinha acabado. Merda!!!

Tentei me consolar com uma água mineral quente e fiquei observando os povos e povas. Que gente feia da porra!!! E todos trabalhados na transpiração e na marginalidade. Pensei em um amigo gay que certa vez me aconselhou a valorizar um cafuçú, mas aquilo já era demais para mim.

Tentando achar uma área mais clean, por assim dizer, me deparo com o homem que me jogou na parede e me chamou de lagartixa. Chamaremos o dito-cujo de homem-zen*, combinado? Ele me deu abraços demorados, vários beijos (no rosto), fungadas no cangote e alisadas nas costas. E eu amaldiçoando minha sobriedade e desejando um uísque. Duplo. Puro. Sem gelo.

Gaguejei algumas frases desconexas e fui atrás de um banheiro químico, ansiando por lugares em que você mija e existe papel higiênico e limpeza. Por vezes até espelho. Tipo assim, banheiro de área vip, sabecomuéqueé?

Votei por abandonarmos o show ainda não iniciado e irmos para um barzinho nosso velho conhecido. Sentamos, finalmente livre do populacho e pedimos uma cerveja. E eu, que diferente da amiga não sou auto-suficiente nem nada, nem sou mais eu (na verdade sou facinha, facinha), fiquei espichando os olhos e torcendo para o homem-zen aparecer. Nada.

Paguei a conta (R$ 10,00 de uma cerveja e um escondidinho de camarão, para que vocês saibam que oh! mais um dia sem ela encher a cara!) e vim para casa. Aí me deu insônia. Fiz crochê. Lí. Agora estou escrevendo para ver se paro de pensar no home-zen (porque ele é tãããããooo lindo, meudeusi???) e deixo Morfeu me conquistar.

É, minha noite não foi lá muito vip. Não mesmo.

* É que apesar de sua presença sempre ter me causado frio na barriga e mãos úmidas, ele me inspira calma. Toda do mundo. Contraditório?

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sóbria

Começaram os shows de verão aqui na terrinha. Ontem foi dia de Margareth Menezes na praia. Encontrei E. e seu gatinho e entre pensamentos de que minha vida social estava acabada, alternei água mineral, coca-cola e suspiros profundos durante os vinte primeiros minutos de música animada. Até que me flagrei pulando e rindo e caramba, realmente me divertindo.

A verdade é que ontem me impus um teste. Se eu conseguisse ficar sem beber ou bebesse muito pouco eu tinha “tendências” ao alcoolismo. Se eu não conseguisse resistir aos chamados de Baco, a situação era realmente séria e eu cortaria os pulsos ou viraria uma carmelita descalça no alto Himalaia. Bom, eu consegui. Bebi “apenas” duas cervejas até as seis da manhã e acordei hoje sem um pingo de ressaca e feliz da vida. Claro que sei que o fato de sair norteando minha noite entre beber ou não beber não é lá um bom indício, mas poxa, sejamos complacentes comigo, pelo menos por enquanto.

O fato é que foi uma experiência boa. Realmente. E curiosa. Uma grande quantidade de pessoas chegavam e perguntavam se eu estava triste. Minha resposta era: Não, estou sóbria. Acho que consegui notar o trabalho que dá encher a cara e artificializar alegria. É um gasto de energia tremendo, pensei com meus botões enquanto observava os personagens que desfilavam cambaleantes e gargalhantes durante a noite. Pelo menos ontem, foi fantástico não estar entre eles.

E hoje tem Sacal. Adoro!!!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

msn

S.: - aí eu lí o post da caminhante e pensei: Eu sou alcoolatra, psicotica e neurotica. ai meus sais!!!
Borboleta: - baby, vc n pode ser psicótica e neurótica, tem que escolher!
S.: - kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. então tá!

Férias!

Ontem vaguei pelas lojas Americanas atrás de uma agenda pensando na ressaca que na quarta tinha me impedido de resolver as pendências que eu, munida de boas intenções tinha me comprometido a assassinar sem piedade.

Para apaziguar minha culpa, E. tinha ido trabalhar e me deixara trancada em sua casa. Eu tinha pois, me esparramado no sofá da amiga e assistido a sessão da tarde. No entanto aquela irritante vozinha repetia que acordar três da tarde não era um bom augúrio para as mudanças que eu tinha apregoado em alto e bom som aos amigos entre muitas cervejas e risadas.

Novamente tinha mentido para minha mãe e inventado um trabalho de urgência que me faria dormir fora de casa e enfim, recuperada apesar das olheiras, exterminar com aquelas obrigações chatas no dia seguinte.

Enfim, estava eu entre prateleiras da sessão de papelaria, depois de bancos e burocracias, quando encontro não um, mas dois livros de Marian Keyes em promoção. Comprei-os junto com um sabonete líquido que prometia fazer da minha pele uma seda e muito feliz emendei com um lauto almoço na praça de alimentação do shopping. Peguei um táxi (porque eu merecia) e cheguei em casa. Deitei na cama e abri um dos livros que se chama Férias! E me preparei para o entorpecimento emocional que só a sub-literatura é capaz de causar.

Grande erro!

As férias do tal livro eram passadas pela personagem numa clínica de reabilitação, e apesar do humor irlandês que me fez adotar essa escritora como uma das minhas preferidas, chorei como uma criancinha ao me reconhecer em tantos sentimentos e vergonhas e negativas e necessidade de compensações imediatas depois das frustrações ou obrigações (meus sais, o táxi e o almoço!) e finalmente a redenção (não esqueçam: sub-literatura).

Entre chocada e envergonhada tive enfim que admitir o que em oito anos de terapia não consegui. Sim, eu tenho problemas (e sérios) com bebida ou quaisquer outras substâncias que possam simplesmente fazer com que eu pare de sentir. Sim, eu me acho uma merda tão grande que procuro qualquer um que não me queira (ou queira da forma errada) para reafirmar isso para mim. Sim, eu estou cansada de não lembrar da noite anterior nem de saber de onde vieram as manchas roxas. Da culpa ou do alívio em faltar o trabalho por estar de ressaca.

Cristo Rei, eu sou uma alcoólatra (?!?!?!)

Como caralho eu vou reconhecer e administrar as coisas que doem de verdade dentro de mim? Os erros? Estou exagerando? É TPM?

Só o que sei é que estou com medo de verdade.

É ou não é um excelente começo de férias para esta que vos escreve?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Não é não!!!



do blog Garotas Nerds

_________________

Acrescento:


Oras, não precisamos mais dizer "não" apenas para cumprir o ritual de demonstrar pureza ou de que quando cedemos é apenas para satisfazer o desejo masculino. De forma alguma! Com exceção de brincadeiras sexuais e fantasias (e aí ambos estarão cientes do significado das palavras de estímulo e incentivo e de quando é realmente hora de parar - não vá me dizer que você brinca de submissão ou sadomaso sem ter uma palavra chave que não seja "não"?! Pois é, quando for realizar fantasias que envolvam violência ou que um tenha de se sujeitar ao outro, escolham uma palavrinha para quando um dos dois quiser DE VERDADE encerrar as atividades. Uma palavra que nada tenha a ver com aquelas que fazem parte da fantasia, como "não", "pára", "por favor", etc.)

Fugi um pouquinho do assunto. Então, com exceção das brincadeiras sexuais, quando uma mulher diz NÃO ela quer dizer... veja só que incrível: ela quer dizer NÃO!!!

Não seja aquele cara. Não seja o babaca que acha que um não é um sim ou que uma mulher bêbada, sem consciência de seus atos e decisões, é um prato cheio para você "se aliviar".
Don`t be an asshole!

Orgulho e amor

E de repente é como se uma mudança gigantesca houvesse ocorrido sem nenhum aviso.

Claro que as coisas aqui em casa não andavam muito bem e as discussões com minha mãe eram cada vez mais constantes. Isso estava me fazendo passar cada vez mais tempo longe, na casa dos amigos. E me feito precisar deles.

Mas foi apenas hoje, que aconteceu. Não sei definir o que desencadeou essa vontade de acordar cedo, fazer minhas contas (e tomar um susto), lavar as louças, fazer meu próprio café, planejar um futuro e uma vida mais leves, limpos. Mais amenos, talvez.

Juro que pensei até em caminhar, mas a chuvinha que está caindo acabou com meus planos.

Sei que fez parte reconhecer que digo sim demais, que gasto o que não tenho, que aceito qualquer coisa ou comportamento dos outros por alguma atenção. Ou resquício de amor.

O dia foi comum. Praia com a amiga-mestra que passou aqui demonstrando vontade de estar ao meu lado com essa atitude. Volta para casa e vontades de dormir cedo. J. ligou várias vezes e tomei a coragem de dizer não, não quero que você me ligue mais. Talvez tenha sido isso. Eu consegui, de alguma forma, bloquear o acesso irrestrito dos outros a mim. E porra, eu confesso, estou orgulhosa.

Matei meu orkut, bloqueei pessoas no MSN e exclui “amigos” no facebook, coloquei números no celular em modo de filtragem, deletei vários outros. Aproveitei e mandei um e-mail cobrando uma grana que me devem. Coisas simples, eu sei. Mas espero que seja um começo. Ou um fim.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Estratégia

Roubado daqui.

Bom tom

Comecei 2011 não com o pé direito como seria de bom-tom afirmar, mas enfiando ambos os pés na jaca.

Claro que já consegui meu primeiro machucado no joelho do ano. E no coração, porque é claro que também já me apaixonei perdidamente. Claro que já passou.

Enfim, merdas acontecem e eu há algumas semanas, solteirinha novamente, reencontrei um antigo affair. Daqueles que me tiraram o chão, me jogaram na parede e me chamaram de lagartixa.

E como sou uma imbecil, não nego, consigo repetir exaustivamente os mesmos erros. Novamente só podia der dado no que deu. Em nada.

Um dia, rezemos, eu aprendo, mas enquanto ele (o dia) não chega, já estou toda trabalhada na esperança de um the end com um outro cara que também tem tudo para não ser chamado de meu, mesmo que seja eu.

Falta muito para 2012, papai Smurf?


Em algum momento entre 2010 e 2011. O cara é o amigo R. No copo e no juízo, uísque.

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