sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Fome
Relação e ralação
Ontem saí do trabalho e fui conversar com J. Nunca pensei que eu viveria para ver chegar o dia em que um homem quisesse “discutir a relação”. Fui de mau-humor, porque vejam bem, eu nem sabia que estava numa relação. Mentira. Eu sabia e sei. Mas não queria falar a respeito, ora bolas. Para que complicar?
Então nos encontramos numa praça (vejam que meigo e adolescente) e o diálogo girou basicamente sobre o fato de J. achar que nunca ficamos à sós. Argumentei que sou assim. Gosto de gente. Dos meus amigos. De farra. De vodka. Dele também. Mas é isso. Também. Acabei dizendo que era isso que eu podia oferecer, nem mais nem menos. Era pegar ou largar. Ele pegou. E fomos tomar cerveja.
Se houve algum ganho nessa conversa, foi o de finalmente sacar que consegui entender-me a ponto de não fazer falsas promessas ou ceder ao desejo do outro. Porque quem me conhece sabe, sou uma massinha de modelar quando gosto. Aí depois de um tempo vejo que não é confortável a forma que me deram. E piro.
Não sei se consegui dizer não porque não estou apaixonada ou se é porque, vejam só que coisa, estou virando uma mocinha. De qualquer forma fiquei orgulhosa de mim mesma, me despedi de J. já meio altinha e fui assistir o filme de Julia Roberts com E. Achei uma merda. O livro era tão legal, poxa! Ódio do “Portunhol” de Javier Barden. Depois dessa decepção fomos encontrar amiga-esposa e T. num desfile (porque sou luxo e glamour) e acabei minha noite louca, bêbada e passando mal na casa de E.
Acordei hoje com uma ressaca dos infernos, querendo queimar o trabalho, mas depois de um esporro de E., que me comparou com uma menina querendo faltar a escola, levantei, engoli minha dignidade com água gelada e aqui estou. Olhos vermelhos, tendo que articular propostas curriculares do cú do diabo. Mau-humor é meu segundo nome.
Ah, mas mesmo assim a vida tem umas coisas lindas de mamãe, né não? E ela, que eu amo, escreveu sobre mim aqui. Tô de mau-humor, mas sou fina, baby.
E quem quiser que conte outra.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Contenção (Um conto para uma imagem)
Fora apenas três dias antes que A. acreditara que poderia ler. Imagens. De posse do suposto. Conhecimento e da vontade, seguiu mestre e tentou enxergar. Verdade.
Os símbolos no ônibus lotado, os gestos no filme da sessão da tarde, as cores nas logomarcas, placas de loja e outdoors que pipocavam escandalosas e sedutoras, o arrepiar de pelos antes imperceptíveis na mulher que acreditava amar, a dedada do cara que furou o sinal, o vermelho na capa de seu livro favorito.
Cansa A. do exagero das interpretações, talvez equivocadas. Procura. Mestre cala e se esconde nos livros coloridos das estantes lotadas (e nota A., meio mofadas), quando questionamentos como bolhas estouram molhando com delicadeza e persistência o ambiente inteiro. Mofo demais.
Ir embora é o que resta. Embora reste tudo que o levara.
O símbolo não se esgota para A. Cansa. Cansa. Cansa. Símbolos e cores e possibilidades. A. fecha os olhos por mais tempo que o necessário agora. Quando ri, quando pensa, quando anda. Tropeça.
Cerveja com os amigos, consolo depois da oitava ou nona. Rótulos, gestos e cartazes não interessam mais assim. Tanto assim.
Anda cambaleante e obviamente se depara com o cambalear e sua obviedade no vidro que para na sua frente em forma de porta. Resolve pegar o último ônibus que passa. Último.
Cansa A. e encosta na parede de algum lugar que apóia bêbados e doloridos e os que acreditam enxergar em excesso.
Vê ferro e fome. Olha para cima. A. chora pelo ferro e pela fome, chora por precisar do apoio das pedras empilhadas por contenção, chora pela casa da primeira vez que abriu os olhos e pela tristeza do que deixara de ver. E do que vira. A. chora. pelo amor que perdeu na mentira do fechar delicado de lábios e coração. A. chora pela esmola que deu em troca de outra mentira ao cego da esquina (e que algum dia estivera nas manchetes de jornais sensacionalistas). Chora pela novela e pela propaganda e pelo cartaz e pela escultura e pelo que havia desenhado pela manhã.
De olhos inchados, vermelhos e ridículos, A. não consegue ver quando o cego da esquina e da esmola e da mentira e das manchetes de outrora (quando arrancou os próprios olhos) escala grades e pedras e dor.
Contenção.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Tempo
Essa.
Ando por outras bandas.
Hoje.
Seis meses que me separei.
Um mês que fiquei com J. pela primeira vez.
Avistei W., o ex-marido pela primeira vez em.
Seis meses.
A vida continua com risadas e as primaveras coloridas.
As mesmas.
Mas em outra floração.
Diferentes, pois.
sábado, 16 de outubro de 2010
Bem S.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Morreu
Programa de mulher. Casa de E. Várias amigas. Amadas.
Cerveja e história de sacanagens. Risos.
Amiga com buceta que morreu por excesso de uso. Gargalhadas.
Brindamos e bebemos todas as cervejas e mais uns whiskies em honra à morta.
Enfim, nada de novo no front.
E eu, bêbada de marré descer.
Como eu disse....
Pequenas notícias
Não está sendo fácil adaptar-me a viver novamente com minha mãe. Apesar de não parecer, sou uma pessoa silenciosa. Já minha mãe acorda falando. E exige respostas. Eu canso e saio. E não volto durante vários dias. Sem computador e sem barulho.
Por isso o silêncio aqui durante. Precisava nada contar, nada saber. Nada a declarar.
Ontem voltei. E hoje, uma terça com cara de Domingo animo-me a escrevinhar pequenas notícias aqui do País das flores em excesso.
- Nem sempre com J. Mas quase.
- Sábado foi o aniversário do amigo-amado. Disseram que eu fui provavelmente a pessoa que mais curti a festa. Um dos motivos talvez tenha sido que já estava vindo da comemoração do aniversário da outra S. Cerveja em excesso. Eu e minha querida vida social.
- O atelier está arrumado. Meu quarto também. Infelizmente apenas os objetos estão no lugar. Eu continuo meio sem saber onde encontrar-me. Preguiça de abrir gavetas. Então os pesadelos me assustam. As verdades transpiram à noite. Sonhei com o ex-marido e acordei chorando.
- Penso na borboleta amada, para quem prometi declarações e afagos. Queria conversar com minha amiga com os pés enfiados na areia de Canoa Quebrada. Queria que o medo passasse. Que nem tudo fosse fragmento e dor. Sim, eu sei que não é. Mas hoje sou só lamento e saudade do futuro.
- Um dia eu volto quem sabe...
- Amém.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Saquem seus lencinhos!
Saquem seus lencinhos!
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Sabotagem
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Pressa
Ontem, depois de quatro dias quase sempre juntos, neguei almoçar com J. Ou vê-lo.
Me isolei na minha bolha de individualidade. Cama. Sono. Sonhos. Horas depois, recebi uma mensagem no celular na qual ele se declarava apaixonado. Meu primeiro pensamento foi: Como assim, Bial? Já?
Depois, vários outros pensamentos desordenadamente se sucederam. Até que consegui enxergar-me nessa versão masculina de pressa sentimental. Entendi porque a passionalidade é uma característica que assusta. Em mim. E nos outros.
Parece que estamos tão acostumados (ou pelo menos eu estou) a passar impunemente pela vida e pela cama alheias, que qualquer reação mais forte a esses atos é um motivo de puxar o freio de mão e ligar o pisca-alerta.
Então hoje acordei assim. Estacionada no canteiro da pista. Sem saber aonde ir e sem mapa no porta-luvas.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Que
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Uma bossa nova
Esse final de semana foi repleto da presença de J.
Acordar e dormir e acordar ao lado de alguém me causou sentimentos contraditórios. Por vezes uma quase felicidade preguiçosa, em outras uma angústia ao não poder me esparramar no meu colchão de casal. De sentir-me invadida nas minhas defesas com delicadezas e cuidados.
E houve desvelares, personagens foram desconstruídos. Me flagrei numa idéia de doçura em que não me reconheço há tempos.
- Foi só prestar atenção em como você atende os telefonemas das pessoas que gosta, S.
Enfim, vamos ver o que acontece.
Não quero mais pressas nem presságios. Quero é o conforto do coração batendo em ritmo de bossa-nova. Amém.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Passarinho
Ontem fui dormir muito, muito cedo. Antes recebi a visita da minha amada mãe com mimos e conversas.
E sim, recebi uma mensagem linda de J. Depois um telefonema.
Amiga leãzinho também ligou depois de dias sem nos falarmos por conta de uma briga. Conversas, novidades e paz. A outra S. me chamando para sair da toca. E. e C. idem.
Mas é que os pedreiros tinham arrancado a grade da minha varanda, chegou um aviso de corte da minha energia, recebi e-mails chatos, a conta está negativa, estou com medo do futuro. Queria só cama e descanso. Então como disse, dormi e dormi e dormi.
Acordei antes do sol, varri a poeira que tomou conta da casa, passei pano nos medos todos. Daqui a pouco vou trabalhar tentando enxergar além dos problemas. Além do meu próprio umbigo.
Mas oxalá. tudinho passa. E como diz o poeta: Eu passarinho.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Liga pra mim, não, não liga pra ele...
Ontem ganhei meus presentes made in zoropa. Um colar lindo, lindo, um porta-bilhetes-retratos de coração e um toblerone. Coloquei um pretinho básico, meu mimo no pescoço e e fiquei bem lindinha e cheirosa para o reencontro do amigo-amado e da amiga-esposa. Depois dos gritos, beijos, abraços e presentes distribuídos entre meus fofinhos, fomos os três para o bar ao lado da universidade. Antes, J. tinha ligado para mim e eu comentara que estaria num jantar, já que queria curtir meus amores sozinha um tempinho.
Quem diabos é J.? perguntarão vocês. Bom, J. é um cara que dei uns beijos no Sábado. Nada surpreendente além das mensagens mimosas again e do tal telefonema em que anunciava vontade de me ver naquela noite mesmo. Então pensei encafifadamente: É verdade mesmo? É só você não transar com o cara na primeira vez que eles ligam?
Decidida a elucidar minha dúvida cruel mandei uma mensagem de texto lá pelas dez da noite. J. foi nos encontrar já em outro bar, onde já eu estava sentada comportada e meigamente numa mesa tomando cerveja com meus amores, a outra S. e dois dos cães que habitam o inferno. Traduzindo para os iniciantes neste blog: Dois dos cães que habitam o inferno= dois caras com quem eu já tive algum envolvimento a nível de.
O circo estava armado, pois.
A outra S. beijou um deles, o menino bonito. Eu pisei no pé dele. Então eu beijei J. Um dos cães foi embora. Algum tempo depois me liga: Comprei sushi para você. Estou indo te buscar agora. Eu: Tá doido, meu nego? Um terceiro cão (este ausente do espetáculo ao vivo) também liga: Comprei um vinho, vem para cá. Eu: tem, mas tá faltando. Foi nesse momento que tive vontade de cheirar meu suvaco para ver se estava exalando alguma fragância chama-homi. Foi nesse momento que J. ficou meio puto, eu acho.
Como assim, Bial? É só você estar acompanhada que neguinho te quer? E que chamariz é esse para canalhas, peloamordedadá? E porque eu, logo eu, pobre, pero limpinha estava sendo alvo de tanta cobiça? Seria considerada uma presa fácil para os predadores desta cidade? Quem sou eu? Onde estou? Onde está Wally? Oh! Quantas dúvidas fervilharam na minha cabecinha cacheada e bêbada na noite de ontem.
As últimas cervejas da noite foram religiosamente tomadas no pé-sujo amado onde encontramos o cara que botou minha onde não devia. Eu o confrontei com a pergunta que não queria calar. Porque? Não lembro o que ele respondeu. J. ficou mais puto um pouquinho.
Decidida a esquecer tantas perguntas sem respostas trago J. para casa comigo. Acordamos três da tarde com o barulho dos pedreiros e eu fui politicamente incorreta ao torcer para que o barulho caísse junto com eles do andaime. Alto. Acho que J. não vai mais me ligar.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Coração levinho
Ontem foi dia de gargalhadas homéricas com amiga-esposa e E.
Fomos para o pé-de-cana que amamos e entre cervejas desfilamos “causos” sobre nós e sobre outros. Me arrependi de não estar com um gravador porque as pérolas foram muitas.
Só sei que acabamos a madrugada esperando numa parada passar algum ônibus abençoado que deixasse E. em casa, enquanto eu resmungava que não tínhamos mais idade pra essas coisas, comíamos uma quentinha de macaxeira e galinha com as mãos e um cachorro nos cuidava com olhares pidões.
Ainda assim não paramos de rir. Muito.
Dormi apenas duas horas e hoje fui trabalhar com olhos de coelhinho da páscoa. Mas sem nenhum arrependimento e com o coração levinho e colorido.
Para ler escutando tango
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Direto do túnel do tempo
domingo, 19 de setembro de 2010
De volta II
Euforia. Pulos. Abraços. Gritos. A saudade era tanta que ainda não passou. E hoje a amiga-esposa está na casa da mãe. Mas ontem, ah, ontem! Melhor nem falar nisso, até porque depois das duas da manhã eu não lembro de muita coisa mesmo.




