sexta-feira, 17 de setembro de 2010

De volta

Ontem quatro pessoas tentaram me tirar de casa (ou vir para minha casa) com telefonemas e propostas escusas. Eu nem tchum.

Aí Dormi. E dormi. E dormi mais. Não levantei para nhada. Aula? Foda-se. Chefe ligando? Cara no travesseiro.

Caralho, a depressão voltou com a gota- pensei. FO-DEU! Aí a amiga-esposa luxo e glamour liga dos estrangeiros para mim. Tô chegando. Tás chorando? Não babe, ainda não.

Depois da benção da voz dela, chafurdei só um mais um pouquinho na minha auto-comiseração depressiva até reunir forças para levantar. Me animo mais um tanto quando lembro que a minha santa mãezinha havia deixado uma garrafa de coca-cola na geladeira. Apesar de saber que alguns possam começar a duvidar realmente da minha sanidade, tenho que revelar algo. Para mim coca-cola em jejum tem gosto de “as coisas ainda podem dar certo”. Ressaca? Chute na bunda? Conta negativa? É tiro e queda.

Só que Murphy é meus pai, amores e amoras. A bichiguenta da garrafa pet explodiu quando eu a abri. Não me perguntem como, mas sério, tem coca-cola até no teto. Dentro da geladeira. Em todas as panelas, em cima do microondas. Nas paredes todas. Rapaz, aquilo é uma arma de destruição em massa. Mas o pior do acidente foi não sobrar nem uma gotinha do precioso líquido para meu alívio emocional.

Suspiro, prendo meus cabelos que não vêem pente há dói dias, boto meu vestido de pavão e saio. Vejam só vocês, se não fossem alguns dos meus vícios, cigarro e coca-cola estaria sem ver a cor da rua até agora. Acho uma puta de uma ironia.

Volto com uma latinha e uma carteira de cigarro vermelhos. Cama novamente. Penso, fumo uns cigarros, dou uns goles na coca e resolvo gritar : Porra! Vá se foder! Caralho! Raiva do mundo! Raiva de mim! Pronto, falei meia dúzia de palavrões e agora já tô bem melhorzinha. Se os vizinhos não mandarem o pinel vir me buscar, eu saio dessa.

Mas sim, eu vou mesmo voltar para Recife. Não tem nada a ver com minha “fama” aqui. Claro que eu estou num momento fudido e não sou boba nem nada de não saber que pirar na batatinha era o mínimo que eu faria. Não é isso, portanto. Fodam-se os que pensam ou falam mal de mim. Mas é que sou só carne exposta e estou sem forças e dói, sabe, me sentir tão estrangeira? Quero então os prédios altos, os rios que me já me refletiram, as velhas amizades, o conforto da minha família, me perder na multidão. Eu me quero de volta.

Assim. Assado.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Meu nome é Geni.

Dificilmente leio outros blogs que os que não constam dos meus preferidos. Quando o faço é por... ah, sei lá. Neste caso, tive curiosidade sobre ela desde que vi uma foto sensual sua no queridíssimo (e rídiculo!) Ricardo e logo depois, no mesmo bat-local uma crítica dele elogiando o livro que ela tinha publicado. Pensei- como assim, bial? Como vocês podem ler aqui já assumi ter alguns preconceitos. Ler um dos blog da Juliana fez-me quebrar de vez por todas com um deles. Ela é uma mulher linda, loira, gostosa, maquiada e sim, muito, muito inteligente. Escreve lindamente e agora está aqui ao lado, entre as preferidas e preferidos desse humilde cafofo.

Continuando... estava eu lendo a Jú (ó eu já íntima) e plim! saquei algumas coisas sobre blogs e afins. Parece que não é mais de bom-tom (algum dia já foi?) ter blog estilo diarinho. Esse é um blog diarinho. Merda, eu sempre fora de moda!

Mas assumo e já bradei por aqui que ele (o blog) foi pensado como tal. Gosto. Me basta. Mas enfim, se eu encher o saco, por favor me avisem que eu contrabalanço com mais cultura, política, arte, enfim, menos eu. Não, não me avisem que não vai adiantar nada. Sou ególatra assumida mesmo.

A outra coisa sacada é que por vezes não coloco links e deixo de dar os devidos créditos a alguém ou algum site de quem peguei alguma frase ou texto de poetas, letras de música e afins. Não sei se isso pode. Pode? Se não pode, please, minhas mais humildes desculpas aos quais eu preguiçosamente deixei de mencionar/linkar.

Mas voltando a mim, meu assumido assunto preferido, decidi mudar de João Pessoa. Pois é. Daqui a um ano volto para minha terra natal de mala, cuia, mãe e o dinheiro da casa que venderemos. Para quem não sabe nasci em Recife e é para minha linda cidade de rios, trânsito infernal, violência, tubarões e antigos amores que voltarei. Para os meus daí, mando um recado made in gostoso de olhos azuis: Encham a casa de flor!

Um dos motivos da minha decisão foi a minha noite de ontem. Liguei para o amigo amado e fui bater na casa dele. Cerveja, vinho, saída para o boteco preferido, sinuca, mais cerveja, mais cerveja. Um cara que já mencionei por aqui estava no tal bar e é amigo do amigo-amado. Ficamos mais, bebemos mais e mais e mais. Fomos todos para o pé-de-cana de final de noite. Cerveja. Mais. Não sei se fui eu (de acordo com muitos provavelmente eu devo ter estimulado) mas já de manhã, indo deixar o tal cara em casa, no carro do amigo-amado, eis que o dito-cujo coloca minha mão lá. Lá mesmo onde você pensou. Não faça cara de horror, que eu nunca disse que era uma pessoa meiga, mas sim eu ainda tenho chance, porque eu NÃO permaneci com a mão onde ela foi colocada. E sim, um pequeno detalhe, eu não tinha sequer beijado o cretino.

Então tá, hoje, de ressaca, cheguei a uma triste conclusão entre palavrões e garrafas de água: Minha fama nesta cidade não está das melhores. Eu não tenho sido e porra! não consigo ser uma boa menina. Então como já disse uma sábia senhora, eu nunca vou arrumar um homem que me queira com o comportamento que tenho e do jeito que bebo. Pelo menos por aqui. Não adianta mas nem fingir ser artista para poder bancar a louca-maldita-bukowiskiana. Perdi o charme (suspiro triste e profundo).

Bom, talvez eu não arrume homem em lugar nenhum mesmo, o que é no final das contas o sonho e a finalidade da vida de toda mulher. Mas em todo caso enchi o saco deste lugar. Uma cidade que acha que pode colocar minha mão onde quer não é para mim. Ou eu para ela.

Então, antes que eu apanhe de alguma esposa ou acabe acordando numa banheira com gelo sem lembrar de nada da noite anterior e sem um rim partirei, meus caros. Volto com o rabinho entre as pernas e a credibilidade destruída para o lugar que me viu dar o primeiro berro. Voltarei e não olharei para trás que não quero virar estátua de sal nem nada.

Então eis os planos feitos hoje em parceria com a nobre e honrada mãe desta que vos escreve. Mais oito meses por aqui (bangalô três vezes) para acabar com minha fama de vez por estas bandas (valhei-me Nossa Senhora do Babado Forte!), dois anos de Mestrado em Recife e debandamento para a Itália virar travesti em Roma como boa brasileira que sou (mulher pode?). Mas com diploma que eu sou limpinha.

E se alguns dos meus cinco leitores quiser-me para uma temporada paga com lavagens de prato e varridas de casa, pode deixar um comentário com a sua proposta. Inclua a passagem nas obrigações do proponente, faz favor. É, ainda estou lisinha da silva Xavier. E se também algum dos meus cinco leitores tiver um amigo legal para me apresentar, tamo topando. Nem precisa ser assim uma Brastemp, porque aqui entre nós, e de acordo com toda essa gente daqui, não to com essa bola toda não.

Meu nome é Geni.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sobre mim

Ela manda, eu obedeço. Fazer o que, se devo o corpo?

Então lá vai (ou vão) cinco coisas sobre mim.

Eu me apaixono perdidamente: Sim, do jeito mais ridículo que se possa imaginar. Quero estar com o outro o tempo inteiro. Cato flor para colocar no cabelo. Faço versos rídiculos. Quebro coisas. Transo em qualquer lugar. Sufoco. Suspiro. Sofro. Enlouqueço. Viro bruxa, princesa, puta, atriz.

Eu me desapaixono facilmente: Ponto.

Eu amo vestidos: De todas as cores, tamanhos, estampas. Difícil me ver de calça ou de short. Acho vestido tudo de lindo, delicado, feminino, sensual.

Eu perco coisas. Muito: E Desde sempre. Minhas e dos outros. Celular, bolsa, brinco, sapato, a lista é irritante e interminável.

Eu não sei contar piadas: Ninguém acha graça nas minhas piadas além de mim, isso quando conseguem entender. Mas morro de rir de mim mesma. E dos outros. E de tudo. E de nada.

Pronto? Pronto.


E a música é:

Infinito Particular
Marisa Monte

Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

Hora marcada

Minha cozinha está cheia de poeira. A casa toda está. Um pó fininho e irritante que piora minha tosse recobre cada centímetro quadrado deste apartamento. Ontem resolvi dormir na casa de E. por causa disto. Dormi cedo. Muito.

Chego em casa antes das sete. Aleluia! O microondas-deus escuta minha prece silenciosa e esquenta orgulhoso, teimoso e distante a água para o café que tomo agora enquanto escrevo.

E escrevendo sobre esses cotidianos detalhes ridículos acredito que o resto do dia correrá também assim. Cotidiano. Ridículo. Trabalho, aula, entrega de dois artigos, arrumação do apartamento. Novamente dormir cedo.

Me assusto com a possibilidade de perder assunto, de perder riso, de ficar sem mote. Mas não sou personagem. Ninguém é. Que seja ônibus às seis da manhã, plantas que recebem água diariamente, bons livros lidos e filmes assistidos. Trivialidades podem ser reconfortantes.

Conversando com a amiga que esvoaça, dia desses, ela me falou que os dramas da vida são como colares, meros enfeites. O essencial do que vivo e do que escrevo não está neles. Um dia, um cara não tão amigo me disse que gosto deles. Dos dramas- colares. Mas hoje não, hoje não. Não quero bijouteria barata. Quero o consolo do opaco. Brilho demais cega e esconde o que é verdadeiramente precioso.

Vez ou outra falo aqui sobre um certo alguém que mora longe e que tem me tirado o chão. Mantenho essa relação-enfeite há alguns longos e conturbados meses. Nunca o qualifiquei ou usei a primeira letra do seu nome. O faço hoje.

R. me fez descobrir ontem, que tanto ele quanto qualquer outra ilusão de paixão é apenas por um personagem que inventei. Por uma idéia atraente de mim espelhada em alheios. Ninguém virá enquanto eu estiver longe das minhas verdades. Ninguém nunca vem enquanto nós empacamos em alguma fantasia idiota de nós mesmos. Ou dos outros.

Mas eu, eu quero chegar na hora marcada. Que é sempre e todos os dias.

Soube que meu ex-marido volta hoje, sozinho, de uma viagem para o exterior, longamente planejada por e para nós dois antes da separação.

Eu também.

P.S: E ela sabe das coisas. Aqui.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

E mais.

Nada mais sintomático. Perder a voz.

Hoje acordei com o inferno barulhento dos pedreiros martelando a parede logo atrás da minha cama. Não consegui ir trabalhar. Saí de casa zonza, depois de um café mal-tomado e fui me refugiar na casa da amiga-mestra. Peguei com ela meus anti-depressivos, chorei muito e dormi o sono dos finalmente abrigados depois de uma enchente.

Sei que estou fazendo drama. Nada foi tão sério. Nada é. Quando você já chegou a perder quase tudo como eu, o que vier depois é lucro. Mesmo que ainda perdas. Sempre serão menores. Sempre vai doer menos.

E tudo nem eu mesma consigo me tomar. Porque há demais em mim. Eu não sou só isso, nem só aquela, nem essa. Sou muito. E mais.

Sim, eu vou continuar gritando.

Cuidado, moço...

Aviso da Lua que Menstrua
Elisa Lucinda

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.

Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia

Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita...

Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.

Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.

Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.

Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.

Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos...
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.

Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.

Ela é uma cobra de avental.

Não despreze a meditação doméstica.

É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofia
cozinhando, costurando
e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...

Você que não sabe onde está sua cueca?

Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.

E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.

São duas dignas vizinhas do mundo daqui!

O que você tem pra falar de vaca?

O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.

Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.

Tá, não, homem.

Tá citando o princípio do mundo!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Três dias

Acho que eu nunca fiquei tão bêbada como nos três dias deste longo fim-de-semana. Nunca fiz tanta merda e de forma tão comprometida com a auto-destruição. Então hoje seria um dia ideal para organizar o caos em que transformei minha vida. Mas estou sem voz, gripada e minha única vontade é ficar soterrada em lençóis e auto-comiseração. Fechada para balanço.

Hoje ao chegar em casa e me deparar com a roupa que saí na sexta espalhada pela sala, lembrei do meu firme propósito de só amar à Jesus. Não lembro de ter sido ele quem arrancou a calcinha que catei agorinha do chão. Enfim, teve muito cão nesse inferno de três dias.

Mas nem tudo foi espinho. Teve também amiga-mestra feliz, amiga leãozinho me estimulando a contar histórias para o teatro, S. e E para rir, falar putaria e brincar de ser contente e para chegarmos à conclusão que somos mulheres lindas e legais e inteligentes e os homens é que são uns imbecis. Telefonema da amiga de Natal me intimando presença e espalhando carinho.

Eu não posso ser tão ruim assim, né?- perguntei chorosamente bêbada no final da tarde de ontem à Mamãe. Claro que não, você é maravilhosa.-ela me responde via Embratel. Então teve também rosas. O consolo de me saber amada apesar de.

E a amiga-esposa chega no Sábado lá das bandas das Oropa. Fina, chique, toda trabalhada no luxo e no glamour. Ainda bem, porque a saudade está tão grande que não cabe mais neste apartamento.

Depois de ir ali morrer e voltar, conto dos detalhes sórdidos. Por hora, prefiro me entupir de ansiolítico e esquecimento. Amém.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pilhas

Termino a semana na frente do computador, dois artigos para serem enviados até segunda. Pilhas de trabalhos concluídos. Outros tantos por terminar e começar. Preciso urgentemente de um mouse.

Independentemente dos detalhes técnicos, meu final de semana começa daqui a pouco. Caipirinhas de kiwi na casa da amiga-mestra seguidas de show de Beto Guedes. Porque eu mereço.

E sim, continuo no firme propósito de me abster dos homens em geral. Rezem por mim. Porque vocês sabem que o inferno é cheio de cão, né não?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Adulta. Infantil.

Ontem tivemos uma reunião na minha casa. Coletivo de artistas. Idéias proveitosas e saborosas, muitos planos, muitas risadas, muita fotografia, muito vídeo. Algo de bom começava, sentimos todos nós.

Marco de me encontrar com T. e seu marido mais tarde num show. Me produzo em negro, salto alto e batom vermelho. Fantasia de mulher adulta.

Chego tarde, encontro os dois, mas o lugar está lotado. Ficamos impossibilitados de entrar. Recebo um telefonema imbecil. Stress.

Resolvemos ir embora. Pegamos E. em casa e vamos tomar cerveja.

Encontro F., namorado da amiga leãozinho, recém-chegado do Rio e cheio de histórias. Risadas interrompidas com a chegada do menino bonito, que senta ao meu lado.

Ele surpreso ao me reconhecer e chamar meu nome. Faço a linha ” sou uma mulher e você não passa de um filhotinho”.

Ele pede quando anuncio minha partida, logo depois:

- Fica um pouco mais.

Digo que não. Que Tenho que trabalhar. Vou embora de carona com F.

Orgulho intacto, decisão sábia e noite solitária. Mas se é assim que tem que ser, assim será.

Acordo cedo e cumpro com o que me cabe nesse mundo de labor e responsabilidades.

Adulta.

Brigo com minha mãe. Como um pacote de biscoito de chocolate. Choro.

Infantil.

A TPM grita para quem quiser ouvir: S. é o caralho, meu nome é Zé Pequena!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Não é só comigo

Essa conversa com d. no msn mostra claramente que não só sou eu que tenho tendência a escolher homens doidos. É que todos os homens são doidos. Divirtam-se com o estranho mundo dos Jacks.


S. diz:

aí encontrei o carinha que eu tinha dormido na noite anterior

e ele nem tchum

fiquei pppppppuuuuuuuttttttttaaaaaaa

d. diz:

carai

S. diz:

e bebada

d. diz:

foda!

S. diz:

é isso que dá, n posso deixar dormir em casa, tem que botar para correr logo depois

ou então virar uma carmelita descalça

hj eu fiz uma promessa

tres meses sem sexo

nem beijo na boca

nada

para fins de limpeza emocional

e tú, o carinha de Domingo tú n deu nem bola

pq?

e hj quer ver?

d. diz:

mulher, a gente tinha ficado na sexta, foi mto massa

no domingo ele tava meio estranho, falou comigo naquela hora depois disse q ia fazer xixi, mas dai nao voltou mais... ficou com uma galera la tras

S. diz:

eu n digo...

esses caras tão fumando drops

só pode

e nem tchum? n ligou mais?

d. diz:

ai olha soh como ele eh!!!

lembra q teve uma hora q eu tava falando com d???

ai depois eu fui comprar um cigarro e ele veio atras de mim

ai disse " eu ia falar com vc, mas vc tava com seu namoradinho..."

kkkkkkkkkkkkk

S. diz:

KKKKKKKKKKK

tú n falou nada?

d. diz:

eu " namoradinho eh? dxa de viagem..."

ele " eu saquei, d... dxa de onda"

doido!

S. diz:

drops demais, amiga

só pode

d. diz:

ele se sentiu ameaçado e veio marcar territorio

S. diz:

claro que sim

pq se vc tivesse ficado com cara de cachorrinho abandonado ele n tinha nem chegado perto

homens...

d. diz:

pois eh!

mulher

eu ainda tou tentando entender esse meu rolo com ele

faz 2 meses q a gente fica direto

ele ta saido soh comigo

diz ele

mas n ta pronto pra assumir algo serio, nao q eu tenha proposto isso, mas ja tocamos no assunto

S. diz:

então, corra, lola, corrrrrraaaaaaaaa

rsrsrsrrsrsrsrrsr

esse é dos doidos mais perigosos

vulgo homem banho-maria

te cozinha o juizo lentamente

e sem chegar perto

d. diz:

eh... mas a gente ta tentando se entender... eu me divirto com ele

S. diz:

n entendo mesmo essa falta de clareza nas atitudes e palavras

os caras parecem criança em loja de brinquedo

tem medo de escolher um e achar outro mais interessante qd estiver saindo da loja

nós somos os brinquedos nesse caso

rsrsrsrrssr

d. diz:

huahua


MAS MESMO ASSIM...




Eu sei
Eu sei que não era pra eu ser assim
que eu devia tomar as doses nas horas certas
Eu sei que eu devia dormir boas noites de sono
e que eu devia fumar menos
escovar os dentes com pastas pra gengivas sensíveis
e perambular menos na rua quando todo mundo já foi
e não me jogar tanto quando alguém me abre os braços
e beber menos
e amar menos
eu devia parar

e pensar menos
eu sei que eu devia pensar menos
e falar menos
eu sei que eu devia falar menos
pra viver mais
eu sei que eu devia viver menos
mas eu não sei viver menos

Lugar improvável

Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

Caio Fernando Abreu

Acordei mais cedo que costume. Chuva. Raiva. Melancolia.
Telefonemas.
Uma amiga minha perguntou se essa dor que não consegui descrever, não seria por ser aniversário do ex-marido. Insisto que não. Talvez seja a expectativa frustrada, talvez os livros e filmes em excesso. A porra da chuva. Fome. Sede. Menopausa. TPM. Lombriga. Talvezes demais.
Como as pessoas não vêem o mal que podem causar aos outros?
De certeza só esse nó na garganta que não passa, essa vontade de dormir por dias.
Mas eu insisto, eu insisto.
Hoje, pleno feriado, eu tenho uma reunião de trabalho.
Viver me continua.

Delicadezas

Olha a vida é complicada. Fui pro show na igreja. Música instrumental. Tomo cerveja, encontro amigos e amigas e vou para o outro show. Música da minha terra. Perto de um teatro.

Quem? Quem? O menino bonito da noite anterior.

Encontro pós-sexo é foda. Dei dois beijinhos e ele nem tchum. E como assim me dar dois beijinhos? Então ok, só quis me comer ontem? Ok, ok, sou adulta e vacinada.

Mas como agir? Não posso nem demonstrar interesse porque sou uma mulher orgulhosa, e também não quero dar em cima de mais ninguém. Queria o cara. Falei que ele não me quer?

Vejam a merda. Se eu não tivesse ficado com ele na noite anterior hoje apareceram todas as possibilidades. Mas encomprido olhos e nada.

E canso. Canso.

Mesmo que não fosse com ele seria outro e a história.... blá, blá, blá... wisckas Sachê.

Volto para casa sem nem ver mais ninguém. Cansada. Não viro lésbica porque gosto de verdade de homem, mas...

Carmelita descalça?

Não, eu não me pretendo bem-resolvida.

Minha lasanha para dois está no microondas. A vida é assim, baby.

Complicada.

Ainda bem que eu não fui delicada.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Eu estou fazendo arte?

Ontem depois do show fui com T., amigo que trabalha comigo e seu marido-artista tomar umas geladinhas no bar de sempre. Beijo na bochecha do dono e do garçom. Conversa deliça.

Amiga-mestra chega logo depois. Risadas e planos. De posse da filmadora de T. começo uma enquete pelo bar. O que é arte? Mais risos e respostas esdrúxulas. Outras ternas. Alguns silêncios. Eu estou fazendo arte? Noto um menino bonito olhando para mim de longe. Chego perto e ele: arte é ... Olha mais. Estranho, porque me sentindo feinha, mas resolvo segurar o olhar.

Pouco tempo depois, acudo T. que vomita do lado de fora do bar e o menino bonito se chega perguntando o porquê da filmagem. Conto sobre nada. Ele pede meu telefone. Eu dou. Blá, blá, blá, wisckas sachê e eu vou ao banheiro. Quando abro a porta me deparo com o menino bonito me esperando. Me beija, me encosta na parede e me chama de lagartixa. Ais e uis.

Duas da manhã, amiga-mestra me deixa em casa. Menino bonito vem comigo. Ais e uis. Cinco da manhã nós andando de mãos dadas nas ruas do bairro atrás de cigarro. Rindo. Ele diz que não adianta, não vou me livrar dele tão facilmente. Ele ainda me quer. Minha vontade não conta?- pergunto. Ele só olha. Rimos. Proponho um trato, se até chegarmos à minha rua não passar nenhum ônibus, ele fica. Ando mais devagar. Rimos mais. Não passa ônibus algum e ele acaba dormindo aqui. Ais e uis. Ao meio-dia sou acordada com mais desejo.

Meio dia e meia: Vou embora, tesão. Tá. Respondo. Me encolho no meu lençol, no meu medo e na minha grosseria. E ele: Não vai fechar a porta? Deixa encostada quando eu levantar tranco- respondo. Ele insiste em carinhos. E se eu pudesse, se quisesse, se devesse, pediria: Fica, vamos almoçar a lasanha congelada que é para dois. Mas não falo nada.

É que no escuro, que como já diz um amigo meu, é um animal de hábitos, eu quase perdi o juízo. Quase digo: Faz assim não que me apaixono. Quase me apaixonei. Tesão demais, mão demais, boca demais. Olhando o menino bonito se vestindo e depois se espreguiçando, agradeço ao divino: Obrigada! Obrigada! Obrigada! Mas fico muda. Enfio a cara no travesseiro, me envergonho da bagunça no apartamento, dos gritos, da solidão, da claridade, da minha nudez. Ele beija minha boca.

-Tchau, gostosa.

- Adeus.

E o festival continua. Hoje tem Selmer #607 da França. Jazz cigano. Se vocês encontrarem alguém dançando dentro de uma igreja, em algum lugar do Nordeste, com uma rosa na boca e olhar injetado e borrado em preto, sou eu.
Ah, começo hoje a campanha: Me ame, sou carente, então comente!

domingo, 5 de setembro de 2010

Mas hoje tem...

Mas hoje tem Egberto Gismonti no tal Festival. Pode ser que lé eu encontre esse algo de mim que se perdeu. Não imagino nenhum outro lugar ou dia melhor. Igreja num Domingo.

Resgate

Ontem eu me emocionei. Fomos para um festival de música instrumental, eu e amiga-mestra. Este festival é realizado dentro das igrejas da minha e de outras duas cidades. Lindo. Lindo. Lindo. Comentei depois que o enlevo que sentimos era uma prova real da existência de algo maior. Divino? Humano? Realmente Interessa? Ela me contou que numa hora em que saí para fumar um cigarro, um homem ao seu lado estava rezando. Eu entendo esse homem. Minha oração foram as quase lágrimas.

Depois fomos tomar uma cerveja. Conversamos e assumi minha vontade de não voltar para casa por esses dias. Da solidão que tenho sentido. Do medo de abrir a porta do apartamento e me deparar com o silêncio. De pensar sobre mim. Sobre os outros. Sobre ele. Liguei e marquei de ver Iza.

Me debando pro outro lado da cidade com amiga-mestra. Na rua do bar onde eu encontraria Iza, coincidentemente havia um festa rolando. Galera Cult, conhecida e cinematográfica dançava numa casa estranha. Deixei amiga-mestra dançando junto com eles e tomei umas cervejas com a linda e duas amigas dela no tal bar. Fui para festa depois. Notei-nos penetras não desejadas. Tomei mais da cerveja dos outros e fiquei bêbada.

Amiga-mestra foi embora e eu mesmo com a síndrome de patinho feio que sempre me acomete no meio daquele povo, insisti em ficar. A carona que era certa ficou mais bêbada que eu e resolve dormir por lá. Cinco da manhã eu me deparo numa parada de ônibus sozinha. Durmo sentada e um travesti me acorda quando chegamos ao terminal. Chego em casa quase às sete. Não tinha virado cisne nem nada. Ontem eu me senti mais só que nunca. E se alguém encontrar meu bom-humor e minha alegria por aí, me avise. Pago resgate.

sábado, 4 de setembro de 2010

Nome próprio (Porcas Borboletas)

Quando você tira a roupa

Algo se revela

Eu escrevo porque dói. Porque eu preciso. Eu não conto meu nome. Mas hoje eu escancaro.

Minha graça: Raquel, o S. é o do sobrenome.

E você, qual seu nome?

Você tem uma tatuagem

De cicatriz

Das cicatrizes eu esqueço. Lembro da vinganças que minha educação não permitiram. Sonho com elas. Desejo. Isso é marca?

Quero que morras. Muito. Lentamente.

Quando você tira a roupa

Algo se revela

Você deixa a personagem

E vira atriz

Beatriz é meu nome.

Amém.

Magra

Conversar com você é me tirar de ritmo. Olha, eu sou até que inteligente, até que legal, até que interessante.

E como assim, querer saber mais de você do que de mim?

Minha geladeira descongela e hoje eu comprei presunto e desinfetante e todas as coisas que me revestiram de responsabilidades. Papel higiênico e água sanitária, inclusive.

Veja bem, é uma sexta e é noite e eu não saí. Eu estava fazendo faxina. Eu quero ser responsável, por mais que as duas garrafas de vinho gritem que não, eu não quero ser porra nenhuma. Responsável.

Mas aí você chega nesse espelho e castigo.

E eu tenho meus homens, meu nego, mas é você, é para você que eu queria pedir meu café. Você se entrega aos poucos e sei que és estranho. Ví na aula de hoje. Você é do que me escondo. Para quem me mostro. Meu estranho. Estranho...

Hoje me mostraste um vídeo em que sangravas pessoas, eu te mostrei um em que eu lia contos eróticos. Eu primeiro. Entendo. Quero que sangres por mim e venhas. Venhas. Onde queres que tatue em sangue e dor teu nome?

Eu tô é muito fudida. Muito.

Quando você finalmente vai me fuder?

E engraçado você me sonhar assim... magra. Serei o que queres sempre e o tempo inteiro. Se quiseres...

Queres?

Doente?


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Nome Próprio

Para ela, ele, mas principalmente ela, porque foram seus escritos que me fizeram querer novamente e foram faca e doeram e me fizeram pensar e hoje eu sinto falta de tanta visceralidade. Volta, minha flor.

"Quando escrevo me afirmo.
Quando falo ganho sentido.
Quando penso ganho corpo.
Meu corpo, palavra."

Mais sobre o filme aqui.







Bonito



Eu meio altinha, resolvi ir cantar junto com a banda. Acho que Alceu Valença. Quando saí do palco um homem levanta da sua mesa e me chama para dançar. Gordo. Feio. Velho. Com um sorriso eu aceitei. Ele dançava bem, muito bem. A música acabou e ele me agradeceu a honra.

- Mas você dança muito bem, eu que tenho que agradecer. Isso não é fácil de se achar- Respondi.

Ele beijou minha mão e me chamou de linda. Sentei na mesa confusa e triste com a gratidão que pensei ver estampada em seu olhar. Tentei entender.

Nunca tive o que se pode chamar de beleza exuberante, sou mais interessante que propriamente linda. Mas nunca tive dificuldades em interagir com o sexo oposto. Já amei muito e fui muito amada.

Será que ele, esse homem feio e delicado teve a sorte de ser amado assim? Além ou apesar de sua aparência? Mas não é só isso... também fiquei imaginando quantos nãos na vida e em pedidos para uma dança um homem como aquele ouviu ao longo da vida. Espero que não muitos. Porque eu não quero acreditar que fiz algo grandioso ao dizer-lhe um sim.

Ele sim. Teve coragem de levantar da mesa. Continua pedindo. Ele é mais forte que eu.

E eu continuo apaixonada. Mas fugindo como boa covarde que sou, claro. Nego e pioro. Quero e pioro. E o feio-lindo que está longe continua sendo anseio e desejo. Minto. Minto. Quero mais não, é mentira. A verdade sou eu sozinha mais uma noite.

"E qual será o defeito da fala, se tua (minha) boca me (te) cala?"

O que é bonito?

Lenine


O que é bonito

É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça

O que é bonito...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sede

Sempre me prego como uma pessoa sem preconceitos. Mas não, não sou. Tenho minhas frescuras, minhas idiossincrasias, sim, tenho meus preconceitos. O verniz intelectual do qual pretensamente me revisto, por exemplo, sempre me fizeram ter um certo pé atrás com louras gostosas e maquiadas, forró e pagode. Não necessariamente nesta ordem. Mas imaginar essas espécimes num desses locais sempre me deu motivo para franzir a testa e bater na madeira. Paguei minha língua e quase quebro os dedos.
Esses últimos dois dias passei na casa da amiga E. que é amiga de S.. Elas são louras, gostosas e maquiadas. Foram elas que na Terça me levaram para um forró num bairro afastado das minhas alternatividades conhecidas. Chega outra amiga de S. Também loura, também gostosa e também maquiada. A banda desconhecida de forró tocando alto outras bandas conhecidas de forró. Daquelas que sempre me fizeram arrepiar com cara de nojo. Depois do desconforto inicial, resolvi relaxar e meus piores pesadelos acabaram se transformando num noite divertidíssima, onde enxerguei através das camadas de pancake e olhei nos olhos apesar do rímel e vi pessoas lindas também por dentro. Me encantei pelas delicadezas, pelos cuidados e pelas risadas altas naquelas bocas cheias de gloss. Dancei com homens que com certeza nunca devem ter ido numa exposição. Sim, eu me diverti horrores. De verdade.
Ontem foi a vez de irmos num pagode. Todas nós apertadas no carro de S. carinhosamente apelidado de Ford Káralho. Sim, você leu corretamente. Pagode. Outra loira linda e outra surpresa. C. conversou comigo sobre crises de pânico e depressão e me emocionou quando ofereceu ajuda e apoio quando e se eu precisasse. Nem um certo stress no final da noite impediu que hoje eu sorrisse ao lembrar o quanto dancei e me diverti nas duas noites.
Não que eu pretenda mudar minhas preferências musicais, não creio que corro risco de trocar Chico Buarque por Saia Rodada ou Alexandre Pires, mas não prometo não mais beber desta água. E agradeço a todas as louras gostosas e maquiadas que (re)conheci estes dias por terem me tornado alguém um pouco menos pretensiosa. Porque preconceitos (qualquer que sejam eles) não levam ninguém a lugar nenhum, muito menos mata sede de alegria, amizade e gargalhadas.
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