sábado, 4 de setembro de 2010

Magra

Conversar com você é me tirar de ritmo. Olha, eu sou até que inteligente, até que legal, até que interessante.

E como assim, querer saber mais de você do que de mim?

Minha geladeira descongela e hoje eu comprei presunto e desinfetante e todas as coisas que me revestiram de responsabilidades. Papel higiênico e água sanitária, inclusive.

Veja bem, é uma sexta e é noite e eu não saí. Eu estava fazendo faxina. Eu quero ser responsável, por mais que as duas garrafas de vinho gritem que não, eu não quero ser porra nenhuma. Responsável.

Mas aí você chega nesse espelho e castigo.

E eu tenho meus homens, meu nego, mas é você, é para você que eu queria pedir meu café. Você se entrega aos poucos e sei que és estranho. Ví na aula de hoje. Você é do que me escondo. Para quem me mostro. Meu estranho. Estranho...

Hoje me mostraste um vídeo em que sangravas pessoas, eu te mostrei um em que eu lia contos eróticos. Eu primeiro. Entendo. Quero que sangres por mim e venhas. Venhas. Onde queres que tatue em sangue e dor teu nome?

Eu tô é muito fudida. Muito.

Quando você finalmente vai me fuder?

E engraçado você me sonhar assim... magra. Serei o que queres sempre e o tempo inteiro. Se quiseres...

Queres?

Doente?


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Nome Próprio

Para ela, ele, mas principalmente ela, porque foram seus escritos que me fizeram querer novamente e foram faca e doeram e me fizeram pensar e hoje eu sinto falta de tanta visceralidade. Volta, minha flor.

"Quando escrevo me afirmo.
Quando falo ganho sentido.
Quando penso ganho corpo.
Meu corpo, palavra."

Mais sobre o filme aqui.







Bonito



Eu meio altinha, resolvi ir cantar junto com a banda. Acho que Alceu Valença. Quando saí do palco um homem levanta da sua mesa e me chama para dançar. Gordo. Feio. Velho. Com um sorriso eu aceitei. Ele dançava bem, muito bem. A música acabou e ele me agradeceu a honra.

- Mas você dança muito bem, eu que tenho que agradecer. Isso não é fácil de se achar- Respondi.

Ele beijou minha mão e me chamou de linda. Sentei na mesa confusa e triste com a gratidão que pensei ver estampada em seu olhar. Tentei entender.

Nunca tive o que se pode chamar de beleza exuberante, sou mais interessante que propriamente linda. Mas nunca tive dificuldades em interagir com o sexo oposto. Já amei muito e fui muito amada.

Será que ele, esse homem feio e delicado teve a sorte de ser amado assim? Além ou apesar de sua aparência? Mas não é só isso... também fiquei imaginando quantos nãos na vida e em pedidos para uma dança um homem como aquele ouviu ao longo da vida. Espero que não muitos. Porque eu não quero acreditar que fiz algo grandioso ao dizer-lhe um sim.

Ele sim. Teve coragem de levantar da mesa. Continua pedindo. Ele é mais forte que eu.

E eu continuo apaixonada. Mas fugindo como boa covarde que sou, claro. Nego e pioro. Quero e pioro. E o feio-lindo que está longe continua sendo anseio e desejo. Minto. Minto. Quero mais não, é mentira. A verdade sou eu sozinha mais uma noite.

"E qual será o defeito da fala, se tua (minha) boca me (te) cala?"

O que é bonito?

Lenine


O que é bonito

É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não...
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou...
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça

O que é bonito...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sede

Sempre me prego como uma pessoa sem preconceitos. Mas não, não sou. Tenho minhas frescuras, minhas idiossincrasias, sim, tenho meus preconceitos. O verniz intelectual do qual pretensamente me revisto, por exemplo, sempre me fizeram ter um certo pé atrás com louras gostosas e maquiadas, forró e pagode. Não necessariamente nesta ordem. Mas imaginar essas espécimes num desses locais sempre me deu motivo para franzir a testa e bater na madeira. Paguei minha língua e quase quebro os dedos.
Esses últimos dois dias passei na casa da amiga E. que é amiga de S.. Elas são louras, gostosas e maquiadas. Foram elas que na Terça me levaram para um forró num bairro afastado das minhas alternatividades conhecidas. Chega outra amiga de S. Também loura, também gostosa e também maquiada. A banda desconhecida de forró tocando alto outras bandas conhecidas de forró. Daquelas que sempre me fizeram arrepiar com cara de nojo. Depois do desconforto inicial, resolvi relaxar e meus piores pesadelos acabaram se transformando num noite divertidíssima, onde enxerguei através das camadas de pancake e olhei nos olhos apesar do rímel e vi pessoas lindas também por dentro. Me encantei pelas delicadezas, pelos cuidados e pelas risadas altas naquelas bocas cheias de gloss. Dancei com homens que com certeza nunca devem ter ido numa exposição. Sim, eu me diverti horrores. De verdade.
Ontem foi a vez de irmos num pagode. Todas nós apertadas no carro de S. carinhosamente apelidado de Ford Káralho. Sim, você leu corretamente. Pagode. Outra loira linda e outra surpresa. C. conversou comigo sobre crises de pânico e depressão e me emocionou quando ofereceu ajuda e apoio quando e se eu precisasse. Nem um certo stress no final da noite impediu que hoje eu sorrisse ao lembrar o quanto dancei e me diverti nas duas noites.
Não que eu pretenda mudar minhas preferências musicais, não creio que corro risco de trocar Chico Buarque por Saia Rodada ou Alexandre Pires, mas não prometo não mais beber desta água. E agradeço a todas as louras gostosas e maquiadas que (re)conheci estes dias por terem me tornado alguém um pouco menos pretensiosa. Porque preconceitos (qualquer que sejam eles) não levam ninguém a lugar nenhum, muito menos mata sede de alegria, amizade e gargalhadas.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Incoerências matinais

Eu não sei mais estar apaixonada. Não mais. Não desta forma. Não.
Não quero, sabe?
Passei o dia ontem em choque com a descoberta. De ressaca.
No trabalho, na cama, com fome.
Sem comer.
Você não tinha o direito de invadir tudo desta forma, incomodar as pessoas, quebrar meus silêncios e muros.
Quero que você engasgue e morra. Engulo em seco. Fico molhada.
Quero que tudo isso vá embora e hoje mesmo vou no terreiro porque só pode ser macumba- penso. Ou mau-olhado que arrepia e faz com que eu me benza esquisito e sem fé. Não acredito nessas coisas nem em você nem em mim.
E você não vem, não vem, não vem.
Me cala a boca com teus beijos. Beija meus pés.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Foda-se.com.br

Eu chego em casa, depois de dois dias fora e sem acesso a net e as mensagens dramáticas tem que ser minha culpa, claro.

“Não sei porque você acha que te fiz mal. Não quero mais você no meu orkut, msm, caralho de asa.”

Fui deletada. Não me importo.

Sim, eu me importo.

Mas o que me importa é a vitimização antes, durante e depois. Como mantra digo: Foda-se, foda-se, foda-se. Não falei nada demais. Mas sempre falo demais. Ou de menos. Devia ter mandado tomar no cú ou calar a boca de ódio.

Ela foi filha da puta e sempre o foi. Mas eu fico com a fama e o silêncio. Ódio. Ódio. Eu tenho. E não segurei. Não sou sabida e queria dar-lhe uma porrada. Muitas. Fiz pouco.

Não adianta, amiga, dizer que fiz errado. Não atenderei seus telefonemas nem os de mais ninguém, não quero saber que fiz merda. Porque eu fiz pouco. Muito pouco para tanto drama. Devia ter falado a verdade. Talvez bastasse.

Não é o que fazem comigo?

Basta!

Eu devia ter batido nela com força. Nojenta. Porque certos ódios tem sua razão de ser. Talvez eu odeie as mulheres, talvez eu odeie você e a mim. Talvezes demais, não acha? Eu sou isso e essa. Bom que saibamos. Bom que eu saiba.

Foda-se.com.br

Mesmo assim...



Beautiful

Você pode depender incertamente
Conte pra fora e depois ponha o peso pra dentro de novo
Você pode ter certeza que chegou no fim
E ainda assim você não sente

(você sabe sobre tudo)

Você sabe que você é linda?
Você sabe que você é linda?
Você sabe que você é linda?
Você é
Sim, você é

Você pode ignorar o que você se tornou
Coloca-lo pra fora e ve-lo morrer de novo
Você pode sempre estar lá pra quem é seu amigo
E ainda assim você não sente

(você sabe sobre tudo)

Você sabe que você é linda?
Você sabe que você é linda?
Você sabe que você é linda?
Você é
Sim, você é

Os pensamentos mais intimos serão compreendidos e.....
Você pode ter tudo o que precisa

Você sabe que você é linda?
Você sabe que você é linda?
Você sabe que você é linda?
Você é
Sim, você é.


... eu amo você.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Destruída

Alguém anotou a placa do caminhão?

Vejam

Ok, podem me chamar de mórbida, mas esse clip (?) é muito. Perfeito, e muito, muito... muito o quê?? Hã?
Vejam... Vejam...
E sim , é veneno...

Amanheceu, ora pois...

Só mais um conselho, aumenta tudo.

AM-DM

ANTES DA MENSAGEM

"E vira só uma ilusão nessa madrugada".

São seis da manhã, pelo amor de dadá, ninguém que tem uma vida equilibrada está ainda acordada. Mas eu estou. E sim, daqui a pouco vou trabalhar...

DEPOIS DA MENSAGEM

Daqui a pouco estarei na frente de doze pessoas e terei que estar sóbria. Não estarei. Eu vou apresentar um projeto. É sério. Mesmo.

Torço para que ninguém note (como muitas amigas minhas não notaram) que estou completamente bêbada. Sim, pareceria auto-sabotagem se eu não soubesse da tal reunião escutando kiko e checando e-mails. Agora. Quantas horas faltam?

Lí o que escrevi agora e me pareci bem (coloquei todos os acentos e tals). Mas a verdade é que teclo as letras uma por uma e uso corretor (esse texto foi escrito em meia hora porque não quero enfrentar um chuveiro gelado e adoro adiar tragédias)...

Nossa Senhora do babado forte, rogai por mim....

(Eu sou muito boa em português, né não? Mesmo beba?)

Simples

Eu nunca quis você. Normal. Devia saber desde sempre que todas as minhas paixões enlouquecedoras começaram assim.

Nós sempre fomos mais ou menos amigos. Vez ou outra trabalhamos juntos. Eventos e amizades em comum. Convivemos com as mesmas pessoas, ora bolas. Fazemos parte da mesma tribo. Conversamos os mesmos assuntos.

Mas você tem namorada. Simples. Nunca te olhei...

...mentira...

Mas hoje éramos seis, e ela não estava, quatro artistas e mulheres tirando a roupa para você e uma outra fazendo produção, espalhando cartas de tarô sob nossos corpos.

Nú é foda.

As fotos lindas, lindas, e eu querendo que você contasse como viu aquilo. Eu nunca estava na posição certa, eu estava sempre rindo errado, eu era a pessoa com a cara no travesseiro. Era eu que espalhei tudo aquilo?

Então volto ao meu desejo de musa. Quando você desceu, para levar todo o mundo em casa eu te convidei. Volta.

Mensagem dúbia? Dorme comigo, era o que eu queria dizer. Voce aceitaria se eu fosse clara?

Vez ou outra trabalhamos juntos. Eventos e amizades em comum. Convivemos com as mesmas pessoas, ora bolas. Fazemos parte da mesma tribo. Conversamos os mesmos assuntos....

................................................

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tem, mas tá faltando...

Estou numa correria infernal. Chegando em casa dez da noite todo dia, trabalhando ainda por mais umas quatro horas depois disso.

A mala no meio do quarto ainda por ser desarrumada e eu no meio de uma briga de cachorro grande. Não tem nem como não saber meu lado. É da amiga mestra que estamos falando. Mexeu com ela, mexeu comigo.

Apesar de, sem perspectiva de grana. Lisa, lisinha da Silva Xavier. Recebendo propostas de viagens para Natal e para Ouro Preto, tudo mês que vem. Ai, se sesse...

E enquanto isso na sala de justiça minha produção artística pessoal estagnada e eu tendo que entregar meu projeto de conclusão sobre daqui a três meses.

Tem também carência e brotoeja. Roupa suja e pilhas de livros a serem lidos. Novidades para serem contadas e saudades para serem assassinadas.

Tempo? Tem, mas tá faltando.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Para a Borboleta



E como assim, você é tão linda... e tão amada... e tão amiga.

Tens que ser musa.

Tens...

Então, para você que é PB e mesmo assim, tão, tão completamente colorida, amiga... Finja que foi escrito para você. Por mim. Por todos que a conhecem. Pelos que deveriam.

“Sonhar em Casablanca e se perder no labirinto de outra história...”

Porque os filmes nunca serão demais, baby.

Amo-te. Saibas.

Há um porto?

Quando cheguei na minha cidade, a primeira coisa que notei foi a extrema sujeira e as indelicadezas cotidianas, no ônibus, no meu prédio, na minha vida. Coisas que antes me passavam desapercebidas pelo costume do estar. Mas vinda de Mossoró, cidade absurdamente limpa e de Canoa Quebrada, lugar absolutamente sorridente e amoroso, tudo aqui, à primeira vista me pareceu mau-humorado e repleto de falta de higiene e cuidados. Aos poucos os resquícios da minha zona de conforto e os reconhecimentos vários, como o situar-me em certas esquinas e lugares, conseguiram me apaziguar.

Joguei a mala na sala, tirei a roupa de viagem e tentei dormir.

Sonhei que meu ex-marido me ameaçava com facas e dramas. Acordei chorando e tive que tomar banho e ir trabalhar. Fui competente e todos me acharam sorridente e bem-disposta e bronzeada. Não deixa de ser verdade. Canoa Quebrada me encheu de energias boas, mas aqui, agora, parece-me que falta algo. Uma espécie esquisita de saudade do futuro.

Como um algo que reconheci lá em pequenos gestos, em pequenos detalhes, que farão com que aqui, eu só aproveite a energia reposta até poder retornar.

Novamente estrangeira. Novamente...

Até quando?

" Será que, à medida que você vai vivendo, andando, viajando, vai ficando cada vez mais estrangeiro? Deve haver um porto. "

Caio Fernando Abreu

E vale a música...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Canoa Quebrada III


E eu que não acreditava em paraíso...

Nós chegando. Lindas, serelepes e glamourosas.

Pés na areia e sim, aqui é meu lugar. Na beira deste mar enterrei meu coração.

Depois do vinho, sessão de fotos. Essa é sim, nós somos cults.

Noite. Noite. Noite.

Dia. Dia.

Dia.

Noite. Dia. Dia. Noite.

Noite.

Noite.

Noite.

E meu corpo coube direitinho na mão dele, minha pele era exata e a dele tinha cheiro de mar.

Sei não... só sei que foi assim...
E quem quiser que conte outra...

Ela contou um pouco mais aqui e aqui.

domingo, 22 de agosto de 2010

Canoa Quebrada II

O mundo é bão, Sebastião!

Filosofia de vida

Este é um texto difícil de começar, talvez pela quantidade de acontecimentos ou de tempo ou de sentimentos que ele deve tratar. Nunca dois dias renderam tanto de todas estas coisas. Além de risos e frases memoráveis e piadas internas.

Então vou começar contando que Borboleta é a partir de hoje, e até que eu consiga pagar a fortuna que devo, dona do meu corpo. Qualquer coisa, rapazes, podem mandar e-mail para ela, que me agencia e discute valores e/ou quaisquer outros detalhes contratuais.

Depois desse aviso necessário, conto que cheguei em Mossoró às duas da manhã da Sexta. Vinho gelado e uma amiga sorridente me esperavam. Fomos dormir amanhecendo, depois de colocar em dia as fofocas. Mais tarde, depois do almoço e de deixar o Samu, o borboleto-mirim (que é um fofo) na rodoviária para visitar o pai, prontas para cair na perdição e na gandaia e promiscuidade, L., amiga gaúcha da Borboleta vem nos buscar.

Aqui, um parágrafo especial para falar dessa criatura do Sul. L. é divertida, abusada, inteligente e foi indispensável para garantir as gargalhadas constantes que preencheram essa viagem do começo ao fim. Além de dirigir bem e rápido o que nos fez chegar em Canoa Quebrada vivas e ligeirinho e maquiar divinamente, o que garantiu beleza e glamour durante as duas noites que lá passamos.

Descobrimos nossa pousada e que abusada que nós somos, ela tinha um terraço com vista para o mar e um barzinho logo embaixo do nosso quarto, onde o dono nos tratou como rainhas. Finalmente descobri minhas almas gêmeas praieiras, pessoas que concordam com minha filosofia de vida que consiste em sentar num barzinho, tomar cerveja, comer frituras e só dar uns mergulhos para fazer xixí e garantir o cabelo sexy-beach. Nada dessas caminhadas exaustivas e sem sentido, esportes radicais ou tentativa de queimar calorias de qualquer espécie.

Anoitece, o bar fecha, mas nos continuamos bebendo (desta vez vinho) no nosso terraço. Banhinho necessário, roupinhas fofas, maquiagem em ordem, nos encaminhamos para Broadway. Sim, queridos e queridas, a rua principal em Canoa Quebrada chama-se como aquela avenida famosa. Jantamos, bebemos, bebemos mais, mais um pouco, jogamos sinuca. Então, eu que já tava bem trabalhada na embriaguez tento assassinar a maquininha de tiro ao alvo. Não consegui, resolvo deixar minhas companheiras e circular pela rua, entro em lugares estranhos com gente esquisita e decreto internamente a falta de homens interessantes.

Resolvemos voltar para a pousada que ninguém tinha pegado ninguém e já era tarde.

Ao descer a ladeira que nos conduzia ao conforto, encontro uma figura bem simpática que se chamava Jura e morava num castelo. Sério. Foi no terraço deste castelo que o escutamos tocar violão e que eu o batizei de Totó, porque não estávamos mais no Kansas.

Nos despedimos de Totó, o princípo, e chegamos na pousada. Eu querendo porque querendo ir para um tal lual. Quando bati na porta pedindo as meninas que se encontravam dentro do quarto para abrirem para mim que o trinco tinha sumido, notei que a situação não permitia que eu continuasse minha incursão na noite de canoa Quebrada. Fomos dormir bêbadas e decididas a nunca mais passar fome, tal qual Escarlet. (continua...)

sábado, 21 de agosto de 2010

Canoa Quebrada I


A noite me chama, eu tenho que ir pra rua. Segue foto e um abraço.
Um dia eu volto quem sabe...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Quase não dói.


Amores e amoras, estou tomando vinho em Canoa Quebrada com Borboleta e L. no nosso terraço particular com vista para o mar e a lua. Logo mais iremos flanar por aí. Mas deixo de presentes para vocês o que estamos escutando agora. Ismália, o primeiro dos muitos presentes e surpresas desta viagem. O mundo é bão, Sebastião.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Egos e paus e eu tô chegando.

Ontem soube de um show que ia rolar no Centro. Toda trabalhada no Black e no delineador consigo arrastar a amiga mestra e F., querida que está morando em São Paulo e veio ministrar uma palestra sobre arte conceitual por essas bandas, além de nos ajudar no nosso projeto de forma geral, ampla e escrava. Foi quase um milagre conseguir fazê-las sair de casa. Mas eu sou insistente. Eu sou chata. Eu sou crí-crí.

Chegamos cedo no bar em que ia acontecer o tal show. Lá a garrafa de cerveja era virada num copo enorme, de acordo com os donos para permitir a liberdade do cliente circular livremente. Então tá. Para mim, o resultado era a ilusão de beber num copo americano e não 600 ml inteiros. Obviamente, embriaguei-me.

Mas antes disso rimos muito, falamos (claro!) de arte, colocamos as fofocas em dia e eu tentei bravamente rebater com argumentos convincentes o cansaço das amigas com a noite e as pessoas desta cidade. Só que num ponto elas têm razão. Aqui onde eu moro parece que ser antipático te dá automaticamente um atestado de cult. Não gosto nem de antipáticos nem de cults (que pronuncio como cú mesmo). Ódio mortal e eterno. Inveja, dirão alguns. Vá se fuder, respondo eu.

Vejam bem, amiga mestra é uma reconhecida artista contemporânea das bandas de Brasília, F. uma estudiosa do assunto das mais brilhantes. Ajudaram e ajudam grande parte da galera que está iniciando sua trajetória artística aqui na cidade. Podiam ser uns porres e se revestir do manto de superioridade que a experiência deu-lhes o direito de usar. Mas não. Elas são simples, legais, abertas e sorridentes. Aí vem neguinho que montou uma exposição mixuruca, tem um zine ou toca numa banda alternativa qualquer se achando no direito de fingir que não conhece e empinar o nariz? Custa muito ser delicado? Tentar articular uma conversa agradável? Dar dois beijinhos? Controlei a vontade de mandar uma boa meia dúzia ir dar meia hora de suas bundas metidas. Mas deixei para lá e me concentrei em quem vale a minha pena.

Num certo momento da noite elas tentaram me convencer a não viajar. Eu quase caio na esparrela da culpa. Porque quando programei minha ida para Mossoró, eu tinha esquecido que esse final de semana era uma das etapas de um projeto que articulamos junto com outra universidade. Blá blá blá, wisckas sachê e chegava hoje para dar uma palestra nesse evento um cara que eu TINHA que conhecer. Aí me toquei. Elas queriam-me como guia turística e divertida. Raparigas. Perguntei se ele ia casar comigo ou pelo menos elas garantiriam uma noite de sexo selvagem e ardente com o tal artista-estudioso fodão. Não? Então eu vou viajar de todo jeito, baby. Mas elas são insistentes. Elas são chatas. Elas são crí-crí. Me contam do programa Sobrevivi! do Discovery onde uma pessoa tinha sido engolida por um hipopótamo. Como assim, Bial? Elas rogam praga. Juram que eu encontrarei um hipopótamo que me engolirá no mar de Canoa Quebrada. Não cedo e bato no plástico vermelho três vezes.

Rimos mais, chega mais gente conhecida, vão embora outros conhecidos e amiga mestra e F. resolvem também fazê-lo. Eu fico. Encho o saco de mais alguns, tomo mais umas cervejas e volto para casa com C., que além de linda de marré descer (everebody loves C.) é uma outra artista brilhante e seu ficante lindinho. Uns fofos. Aguentaram bravamente minhas piadas bêbadas e sem-graça até me jogarem na frente do meu prédio.

Acordei meio assim, meio assado. Abusada. Achando que a vida é apenas uma ressaca após a outra com cachaças divertidas e outras nem tanto no meio. Mas sei que a que esvoaça salvará minha alma descrente desse mundo onde os egos são maiores que os paus. Amém.

Tô chegando, baby!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Detalhes

Não sei onde lí, mas sei que. Um post sobre coisas que ninguém sabia sobre aquela que escrevia. Na época pensei no porque de alguém se interessar por esses detalhes.

Aí conheci a Borboleta, amor da minha vida, comecei a “namorar” o Fred (que já me abandonou), me encantei com ele e ela e ela, rí muito com esse aqui. E tantos outros e outras que tem lugar garantido no meu coração e na minha vida. No final das contas, é como se um círculo pequeno, porém fiel de amigos queridos tivesse se formado. Mas apesar do carinho que sinto, é gente que não convive comigo, não sabe de mim nem eu sei deles além do que escrevemos. É muito? É pouco? Não sei dizer...

Mas enfim, este post é para vocês. Pequenas coisas que gostaria de contar e que gostaria (também não sei bem porque) de saber.

- Eu já tive um bar.

- Nunca aceito panfletos na rua. Nunca.

- Sou filha única.

- Só pinto as unhas de vermelho. E as rôo.

- Odeio filme de terror. Tapo os olhos em cenas de violência e sinto junto quando vejo alguém passando ridículo na TV.

- Nos últimos dois meses só liguei a televisão duas vezes.

- Cozinho bem, sei costurar e faço crochê. Enfim, sou uma mulher prendada.

- Quando eu estou ficando bêbada começo a jogar o cabelo de uma lado para outro.

- Jogo sinuca muito mal. Mas jogo sempre que posso.

- Fumo muito. Hollywood, o sucesso. Baixaria, eu sei. Desde os quinze anos.

- Teve uma época em que eu só usava roupas escuras.

- Já tive cinqüenta e seis quilos, já tive setenta e seis quilos.

- Tenho cinco tatuagens, uma delas bem grande nas costas.

- Todos os cachorros que já tive eram batizados com nomes de pintores famosos.

- Tenho mania de arrumar as coisas que ficam em cima da mesa de bar de forma milimetricamente equilibrada, sou quase uma bebum obsessiva- compulsiva.

- Escrevo também num blog erótico.

- Não gosto de forró, música sertaneja nem pagode.

- Eu danço de olhos fechados.

- Eu já cursei Letras e Turismo e abandonei ambos.

- Fui gerente de vendas durante muitos anos da minha vida. E só andava de salto alto.

- Eu fui uma criança tímida. E uma pré-adolescente viciada em romances de banca de revista.

Bom, é isso. Acho que basta. E vocês, o que me contam?

E a música é essa.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Eu sou um poodle

O sonho

A realidade

Eu sou um poodle. Porque eu mereço e meu pai é Murphy. Trabalho como uma escrava a manhã inteira e decido ir correndo na hora do almoço ao salão pintar o cabelo e fazer as unhas. Até aí tudo bem, mas folheando revistas alienantes cismei que um determinado corte ficaria muito bem em mim. Eu devia ter imaginado que não, já que a mulher que me inspirou loucuras capilares era loura, ou seja, tinha genes superiores aos meus. Mas eu tinha que dar a fatídica ordem:- Corta. E claro que a rapariga sádica munida de tesoura tinha que obedecer e matar meus cachinhos. E navalhar minha sobrancelha. E não me digam que eu deveria tê-la mandado parar, ela estava armada, afinal de contas. Olho no espelho, engulo o choro que já sou uma mocinha, tiro o dinheiro da carteira com unhas vermelhas e saio falando sozinha, xingando todos os salões de beleza do universo.

Aula. Discussão feia com um bando de machistas nojentos. Uma colega me faz de longe um sinal para pentear o cabelo. Berro ainda mais alto impropérios contra os porcos chauvinistas que nos obrigam a obedecer os ditames da moda e dos padrões de beleza em nome da perpetuação da espécie.

Final da tarde eu chego na casa da amiga mestra. Reunião para acertar os últimos detalhes de um projeto. Tentam me consolar e dizem que meu visual está assim... anos oitenta. Faço cara de poucos amigos e mudo de assunto. Sugerem que eu adie minha viagem. Ah, mas nem morta, baby. Resolvo voltar para casa que a exaustão e o ódio já tomam conta do meu ser.

Pego o ônibus com uma mala que pego emprestada com a amiga mestra. Ônibus errado. Ando quase vinte minutos até chegar ao fiteiro perto de casa e implorar por quatro latinhas de cerveja. Resmungo sobre como o mundo é cruel e como odeio tesouras e motoristas e projetos e peso. A sujeita que ensacola minhas cervejas diz que o importante é que eu esteja com saúde e viva.

Tá porra, eu sei! Mas eu sou um poodle. E deixa eu resmungar que eu tô pagando.

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