terça-feira, 10 de agosto de 2010

Murphy é meu pai II

Lembram do vazamento de gás? Pois é, acabou. O gás também. Sem cheiro, pero sem café.Em menos de quinze dias.
Briguei com uma amiga.
E ainda não são oito horas da manhã.
Fui olhar meu horóscopo e lá diz que hoje é o dia mais baixo da minha mandala astrológica. Alguém pelo amor de dadá sabe o que isso significa? Mata? Morde?
Medos, muitos medos...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Murphy é meu pai

Saio para pagar as contas. Cadê dinheiro que ninguém viu? Não depositaram minha grana. Volto para casa puta e devedora e ligo para trazerem o garrafão de água mineral que tinha acabado. Duas horas depois ligo de novo. Cadê, porra? A Senhora mora mesmo no 304? Caralho, dei o número do apartamento errado. Agora só à noite. Tô doida?
Boto uma blusa de manga porque está friozinho e mal saio de casa o sol abre-se num esplendor infernal. Calor. Assisto aula tombando de sono. Aguento firme á base de café.
Saio mais cedo e vou no cara que me faz crer nos poderes da alopatia pesada pegar receitinhas milagrosas para mim e para a amiga-mestra. Foi rapidinho, pensei. Ufa!
Chego na farmácia e a balconista: Ouxe, essa receita é de Junho. Nosso dotôzinho tinha escrito a data errada. Espero mais uma hora até ele desocupar e refazê-las.
Preocupada que estava com stress da amiga-mestra, resolvo voltar na universidade para entregar as receitinhas milagrosas da bichinha. Desço do ônibus e o sol se vai e a chuva resolve encanivetar-se na hora que o sinal abre, e antes que eu conseguisse atravessar a rua.
Ensopada, chego na sala que amiga-mestra dá aula e abro a porta. Quem tá do lado da porta e pega no meu braço? O filósofo filho-da-puta que me deu um fora dia desses, todo se enrisonhando pro meu lado. Largo a receita na mão dele e me mando.
Voltando para parada de ônibus, encontro um colega. Começamos a conversar e eu achando que ele tava me olhando com uma cara estranha. Chego no trabalho e a reunião tinha sido adiada. Puta que os pariu. Vou no banheiro e meu sutiã preto de bolinha branca grita por baixo da blusa verde-clara molhada. Entendo os olhares estranhos do colega e quase penso em ficar trancada no banheiro para sempre.
Mas sou Brasileira e não desisto nunca. Me arrasto até em casa. Chuva ainda. Abro o portão e uma menina me encara e pergunta:
- A senhora mora aqui?
Vontade de dizer, não porra, eu sou uma assaltante que tem a chave dessa merda! Mas eu sou fina, luxo e glamour e confirmo. Pra quê?
- É porque eu sou do censo, posso subir com a Senhora e fazer umas perguntas?
Não, não pode. Eu não vou pegar uma pneumonia por causa do IBGE. Ela diz que volta à noite.
Tiro a roupa molhada e olho uma das três latinha de cerveja que estão na geladeira. Decido tomá-la ao invés do ansiolítico e ir dormir. A infeliz tá congelada. Todas elas estão.
E a menina do Censo que se entenda com o cara da água mineral porque eu vou dormir sem cerveja mesmo e não abro a porta para mais ninguém que eu to é com medo.

Matemática

Vejam como a matemática pode ser útil. Ou desesperadora.
Oito horas de sono, acordei às onze da noite, dezesseis horas que “enquanto seres humanos” conseguimos nos manter acordados sem cambalear e cair de cara no chão. Beleza! Dá para manter minhas atividades normais até às três da tarde de hoje. Estarei no meio de uma sala de aula. Oh! Virgem de Guadalupe, rogai por mim!
Cedinho tenho que sair para pagar contas. Minha casa parece que foi atacada pelo monstro do vinho. Meu lençol está ruebro, assim como o chão do quarto e da sala. A pia está cheia e a geladeira está vazia. Faxina e compras, pois, depois. Tenho que justificar as minhas faltas no trabalho à noite. Ah, e tem a porra do cheiro de gás que invadiu o apartamento. Talvez eu possa usar uma intoxicação como desculpa às minhas faltas, quem sabe...
Fudida é meu segundo nome.
E eu não sei não me cuidar, ora bolas. Foda-se. Li em algum lugar que quando você sai de uma relação séria, volta a ter a idade mental e emocional de quando a começou. Estou com vinte aninhos, apenas, não me exijam maturidade.
E viva a matemática e as teorias que justificam irresponsabilidades. Amém!

domingo, 8 de agosto de 2010

Com Xico Sá eu caso.


Amigas, peço a devida licença para me dirigir exclusivamente aos meus semelhantes de sexo, esses moços, pobres moços, neste panfleto testosteronizado. Sim, amigas, esses seres que andam tão assustados, fracos e medrosos, beirando a covardia amorosa de fato e de direito.

Destemidas fêmeas, caso notem que eles não leram, não estão nem ai para a nossa carta aberta, recortem e colem nas geladeiras , tirem uma cópia e preguem no banheiro, na mesa do computador, na cabeceira, deixem esta crônica grudada na tv, mas não antes do futebol, pois há o risco de simplesmente ser ignorada, enfim, me ajudem para que esta minha carta aberta aos rapazes chegue, de alguma forma, ao alcance deles.

Amigos, chega dessa pasmaceira, chega dessa eterna covardia amorosa. Amigos, se vocês soubessem o que elas andam falando por ai. Horrores ao nosso respeito. O pior é que elas estão cobertas de razão como umas Marias Antonietas cobertas de longos e impenetráveis vestidos.

Cabróns, estamos sendo tachados simplesmente de frouxos, medrosos, ensaios de macho, rascunhos de homens, além de tolos, como quase sempre somos.

Prestem atenção, amigos, faz sentido o que elas dizem. A maioria de nós anda correndo delas diante do menor sinal de vínculo, diante da menor intimidade, logo após a primeira ou segunda manhã de sexo. O que é isso companheiros? Fugir à melhor das lutas? Nem vou falar na clássica falta de educação do dia seguinte.Ora, mandem nem que seja uma mensagem de texto delicada, seus preguiçosos, seus ordinários. O que custa um telefonema gentil, queiramos ou não dar seqüência à historia?!

Amigos, estamos errados quando pensamos que elas querem urgentemente nos levar ao altar ou juntar os trapos urgentemente. Nos enganamos. Erramos feio. Em muitas vezes, elas querem apenas o que nós também queremos: uma bela noite, ora direis, ouvir estrelas!

Por que praticamente exigimos uma segunda chance apenas quando falhamos, quando brochamos, algo demasiadamente humano? Ah, eis o ego do macho, o macho ferido por não ter sido o garanhão que se imagina na cama.

Sim, muitas querem um bom relacionamento, uma história com laços afetivos. Primeiro que esse desejo é legítimo, lindo, está longe de ser um crime, e além do mais pode ser ótimo para todos nós. Enquanto permanecermos com esse medinho de homem, nesse eterno e repetido “estou confuso” –“eu tô cafuso”, como dizia Didi Mocó!-, a vida passa e perdemos mil oportunidades de viver, no mínimo, bons momentos do gozo e felicidade possível. Afinal de contas para que estamos sobre a terra, apenas para morrer de trabalhar e enfartar com a final do campeonato?

Amigos, mulher não é para ser temida, é para nos dar o melhor da existência, para completar-nos, nada melhor do que a lição franciscana do “é dando que se recebe”, como cai bem nessa hora. Amigos, até sexo pra valer, aquele de arrepiar, só vem com a intimidade, os segredos da alcova, o desejo forte que impede até o ato que mais odiamos, a velha brochada da qual tratamos aí acima.

Rapazes, o amor acaba, o amor acaba em qualquer esquina, de qualquer estação, depois do teatro, a qualquer momento, como dizia Paulo Mendes Campos, mas ter medo de enfrentá-lo é ir desta para a outra mascando o jiló do desprazer e da falta de apetite na vida. Falta de vergonha na cara e de se permitir ser chamado de homem para valer e de verdade.

Niilista

Oito da matina e eu de olho vermelho de pseudo-insônia. É que tenho trocado dias por noites e vice-versa.
Resolvo respeitar a trilha sonora da vida e não ouso escutar meu Chico nem minha Nina nestas horas que dediquei à esperar o tempo passar. Madrugada ao som de cachorros uivando, bêbados que passaram gritando obcenidades delirantes, carros guinchando em freios. Muito silêncio também. Cinzeiro cheio, cama e coração vazios.
Há uma hora atrás, o cantarolar exaltado de alguma vizinha de muita fé, deixando-me entender apenas as palavras Jesus e perdão no seu estranho e musical despertar. Sinto uma onda de ternura que só me invade porque invento-a como personagem de uma triste história em que ela perde o grande amor da sua vida e enlouquece. Ela desafina.
Penso em ir para a Igreja, acompanhar minha criação, afinal hoje é Domingo. Lembro que não acredito mais nas instituições de forma geral. Niilista, como diria uma amiga. Uma pena, eu completo. Ah, mas como eu queria acreditar que tudo vai acabar bem.
O cheiro de gás é insistente e toma conta do apartamento. Me dá dor-de-cabeça.
Tenho que lembrar de pedir a alguém para resolver esse problema.
Tenho que pagar as contas.
Tenho que dormir.
Estava escrevendo sobre o que mesmo?

Piada

Encontrei um ex-amor dia desses. Na época em que ficamos juntos eu tinha um blog (qualquer dia tomo coragem e coloco o endereço aqui) que ele visitava sempre. Por isso comentei que tinha voltado a escrever. Acho que até dei o endereço daqui.
Ele me sai com a piada abaixo:
Numa pesquisa para saber a capacidade do organismo em aguentar alcool, pesquisadores utilizaram-se de um fofo ratinho. Deram a primeira dose e o ratinho manteve-se sóbrio. A segunda e ele cambaleou um pouco, a terceira, a quarta.
Na quinta dose o ratinho começou a escrever um blog confessional.

Um dia desses

Uma amiga minha dia desses me contou de um cara que ligou para a garota e marcou um segundo encontro. E um terceiro. E outros. Me disse que ele também mandava flores, abria a porta do carro e gostava de sexo (e com mulheres!). De literatura. De bons filmes. E ele era bonito e tinha um emprego decente.
Eram três da manhã, e eu tinha levado dois foras num mesmo final-de-semana e estava bêbada, isso provavelmente contribuiu para que em alto e bom som, eu afirmasse sobre a história:
- Lenda urbana!

Imatura

Ontem eu fiquei bêbada. Muito, mas muito, muito bêbada.
Comecei no chopp às sete da noite num shopping, com minha comadre e um amigo dela. A comadre foi embora, e continuamos, eu e o amigo dela nossa peregrinação etílica num boteco onde encontramos amiga A. e seus colegas de trabalho. Três horas depois nos despedimos de todos e seguimos os três em busca do menininho de A. Fomos para o bar perto da universidade. Fui convidada a cantar. Desafinei. Cantei baixo. Passei vergonha. Bebemos mais. Deixamos o amigo da comadre em casa e paramos num posto onde compramos duas garrafas de vinho e várias carteiras de cigarro. Viemos para minha casa e continuamos a beber.
Abri meu e-mail, taça na mão e o ex-marido tinha mandado uma mensagem seca, grossa e relativa à dinheiro.
Desabei.
Gritei muito.
Ódio. Raiva. Mágoa. Tudo veio à tona.
Respondi com grosseria ao tal e-mail. A amiga A., compreensiva e delicada que é me obrigou a sair da frente do computador e ver filme com ela e seu menininho.
Passei o dia hoje arrasada. Na cama. Vomitando no banheiro. Na cama. Vomitando no banheiro. Bebida mais explosões emocionais sempre cobram um alto preço.
Só agora é que tive coragem de verificar novamente minhas mensagens, a resposta do ex-marido ao meu desabafo bêbado e mal-escrito já estava lá. Entre outras coisas fui chamada de imatura, irresponsável, inconsequente e ingrata. Ele deve saber do que está falando.
Eu, só o que sei é que nada dói tanto quanto o final de um grande amor.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Boba

Quando descobri Sex and the city eu tinha vinte e nove anos. Tinha sido educada para acreditar que o casamento era a realização de toda mulher. Que não se falava de sexo. Que era errado querer estar com minhas amigas ao invés de lavar cuecas. Eu estava me separando nesta época. Pode não parecer sério, mas era sim.
Para vocês terem uma idéia, passei quase dois anos sem visitar a minha avó amada porque não conseguiria suportar seu olhar de pena (ou seja lá o que viesse de seu coração) e suas palavras por não ter conseguido manter minha relação.
Não, não foi nenhuma grande revolução. Esta já tinha acontecido em mim quando li Jorge Amado. Mas foi bom e agradável saber que certas coisas que eu pensava e não falava eram escancaradas nesta minissérie. Digamos que era uma pausa para tomar água no meio da batalha.
Muitas coisas aconteceram desde então. E hoje, aos trinta e cinco anos e quatro meses, ganhei da minha mãe o DVD pirata do segundo filme.
Já tinha lido muitas críticas sobre o filme e estava com medo de assisti-lo, confesso. Mas gostei. Ponto.
Claro que é o filme é superficial, mas nem sempre temos que travestirmo-nos de Simones para falar do feminino. E ele está lá sim. Em toda sua grandeza, medo, ridículo e superficialidade.
Claro que é uma comédia romântica boba. Claro. Mas como não rir quando Samantha (minha personagem preferida) dá escândalos com camisinhas e decotes no meio de um mercado árabe? Óbvio que a cena seguinte, das mulheres mostrando-se primeiramente tradicionais em seus trajes e ao tirá-los mostrarem estar vestidas com roupas de grife, significa à grosso modo que somos no fundo, todas nós, umas bobas que só se importam com moda e futilidade.
Mas não é só isso. Nada é tão simples. Nem tão complicado que não se possa rir de.
Talvez eu seja mesmo uma boba, mas eu realmente acho que toda mulher devia ver essa minissérie ridícula (todas as temporadas) com as amigas, depois ver o primeiro filme. E depois o segundo.
É, eu sou boba mesmo. Mas sei que Samantha acaba o filme fazendo sexo e não lavando cuecas. Ainda há esperança no mundo.

Do divino

Sim, eu queria falar com Ele.
Tarô, meditação, bruxaria, psicologia, metafísica, trabalho, tempo.
Evangélica, católica, apostólica, romana, grega, brasileira.
Yoga, I-ching, choros convulsivos, joelhos no chão, cara na parede, remédio controlado.
Nada, nada, nada.
Então é assim tão simples? Aqui? Dentro de mim?
Ainda não, baby. Não, não, não.
Deixo de pensar. E querer.
Um dia eu serei. E estarei.
E você?

Manual de sobrevivência para solteiras que moram sozinhas (Parte II)

2. Depois da garrafa de vinho (ou: Sim, você está bêbada e vai se arrepender depois!)

Queridas, nossa epopéia rumo ao dia do(a) solteiro(a) continua.
Ok, você conseguiu abrir a tal garrafa de vinho sozinha, viu o tal filme, conversou no MSN, cansou do tal livro. Se a tal garrafa de vinho já está vazia e ainda são dez da noite, amiga... CUIDADO!!!
Não ceda às tentações, porque essa é a hora que você vai olhar a agenda do celular, e claro você escolherá nela alguém para trazer a próxima garrafa (afinal de contas, você acha que ainda não está bêbada (Sim, você está!!!). Claro que o escolhido para trazer a tal garrafa de vinho será um ex- alguma coisa seu e claro que você não quer nada, só um bom papo e o vinho...
Saiba, fofa, não queria te dizer, mas você vai se fuder. Começa daí. Primeiro você vai ficar puta de qualquer modo. Se ele atender (o escolhido, não o vinho) e concordar em vir e trazer a tal garrafa, você vai achar que ele (o cara, não o vinho) te julga muito fácil e vai mandá-lo à puta que los pariu. Se ele não atender, você vai insistir mais quinze vezes, afinal quem esse filho da puta pensa que é? (Você só queria um amigo que te trouxesse mais vinho, porra!). Se ele atender e mandar você à merda, sinto dizer, baby, mas é para lá que você vai.
Então delete. Todos (TODOS MESMO!) os números de telefone que apresentem algum risco. Amigo gay, pode?- Você se perguntará. Só se nunca tiver transado com mulher alguma, senão saiba, você vai tentar convencê-lo a voltar a jogar no time que te interessa. Colega de trabalho, pode?- Você se perguntará ainda. Respondo com outra pergunta: É vesgo, manca, tem fama de ruim de cama e curte forró? Não? Então não pode.
Pode parecer trágico, baby, mas não é. Certas leis são imutáveis e essa especificamente que trata de mulher solteira morando sozinha + garrafa de vinho + celular com créditos disponíveis é sempre igual à ressaca psicológica. Sempre! Sérios estudos científicos comprovam. Portanto, não tente correr riscos. Vá por mim.
Ah, mas ainda tem MSN, né?
Fica para o próximo post, ok?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Hoje escutei Nina

Para o ator.
Para todos os outros.
Para a esposa.
Para quem importa. Sabes.

Porque prometia...

Be my husband : http://www.youtube.com/watch?v=XwhV69f3Ej0

"Se você me prometer que será meu homem
Eu vou te amar do meu melhor jeito, yeah."


...Porque doeu tudo e mesmo assim...

Do What You Gotta Do: http://www.youtube.com/watch?v=2jQC6L5Z108

"Faça o que tiver que fazer
Volte pra me ver quando puder
Cara, eu entendo que deve ser
Meio difícil amar uma mulher como eu
Eu não te culpo por querer ser livre."

...foi mágico...

I Put a Spell on You: http://www.youtube.com/watch?v=8Y99tXNxV5s

"Eu coloquei um feitiço em você
Por que voce é meu."


...arrepiou alma e coração...

Don't Let Me Be Misunderstood: http://www.youtube.com/watch?v=9ckv6-yhnIY

"baby, você me entende agora?
De vez em quando eu sinto uma pequena loucura.
Mas você não conhece um ser vivo capaz de ser um anjo.
Quando as coisas saem erradas eu me sinto péssimo."

...E porque foi livre e lindo.

Feeling Good: http://www.youtube.com/watch?v=CJA69C6SlRk

"Oh a liberdade é minha
E eu sei como me sinto..."


...mas era droga pesada e me fazia ver cores onde havia menos...

Lilac Wine: http://www.youtube.com/watch?v=kye7WTc5NIY

"Embaixo de uma árvore lilás
Eu fiz vinho da árvore lilás
Pus meu coração nessa receita
Isso me faz ver o que quero ver…"

E porque eu o sabia leve e efêmero, e mesmo assim, quando se foi me deixou tão triste e tão sozinha...

Little Girl Blue: http://www.youtube.com/watch?v=Y8yIpH_VI50

"A única coisa com que sempre poderá contar
São as gotas de chuva."

... hoje escutei Nina e pensei em você.

Porque eu sei...

Você quer o meu amor

Então pegue tudo

Você deseja ver tudo sair

Leve tudo

Venha agora

Mostre-me como

Você leva tudo


Você quer minha luva

Você está encantado?

Você quer vê-la escorregar e

Ver se cai

Oh nós sabemos

É o seu show

Então pegue tudo

(...)

Em Nine (o filme)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Manual de sobrevivência para solteiras que moram sozinhas (Parte I)

Bom, estava eu navegando pelos mares tranqüilos da internet, quando algo me chamou a atenção: O dia do solteiro. Sim, prezados e prezadas, essa data comemorativa existe e é dia quinze desse mês.
Passo pois, a pensar nos presentes que deveriam ser dados aos encalhadinhos e encalhadinhas como eu, e claro elaborei uma lista que (novamente claro!), acabou dando numa espécie de manual para mulheres solteiras (e que moram só).
Porque o negócio é que assim como existem muitas vantagens em se estar sem um homem-para-chamar-de-seu-mesmo-que-seja-eu, digamos que também existem pequenos inconvenientes.
Então a fim de ajudá-las à serelelepes e confiantes, comemorarem esse dia como se deve, eis que surge uma série de posts especiais que irão até a tal data propriamente dita. Sigam as minhas preciosas dicas e sejam felizes.

Manual de sobrevivência para solteiras que moram sozinhas (Parte I)

1. De como abrir uma garrafa de vinho (ou a rolha pode ser sua amiga)
Esse complexo tópico é também nossa primeira dica de presente para pedir às amigas e amigos casados e/ou enamorados dia 15 de agosto, porque claro, que você se aproveitará desta linda comemoração para incomodá-los bastante, lembrando-os dos bons tempos em que vocês saiam juntos e se embriagavam sem hora para voltar e sem satisfação para dar.
Pois bem, continuando. Se você mora só, provavelmente já descobriu as delícias de um bom vinho (ou ruim e barato mesmo) na hora de ver um filminho, conversar no MSN ou ler um livro. Vinho, minhas queridas, é a única bebida que se pode tomar só num dia de semana, sem o risco de parecer uma alcoólatra desesperada, aprendam. E fino, é chique, é luxo e glamour. E a garrafa desse precioso líquido ainda serve para guardar água na geladeira depois de esvaziada.
Só que essa bebida dos deuses, como já citado vem em garrafas, que por sua vez são devidamente arrolhadas e essas rolhas que as arrolham, apesar de serem ótimas para serem colecionadas (fica a dica!) são uma grande merda na hora de saírem.
Peça, pois aos amigos um saca-rolhas ninja modelo não-farei-esforço-jamais. Mas se você é como eu, pobrinha e com amigos digamos, econômicos e só dispõe na sua casa de um saca-rolha daquela loja de R$ 1,99, não se desespere. Para tudo há solução e a minha é essa.
Vá até a bancada de inox da sua cozinha, enfie o saca-rolha onde deve, depois enfie a garrafa dentro da cuba de forma que só seu pescoço (o da garrafa) fique de fora, apontado para você. Enrole a garrafa com um pano de prato exatamente ente o pescoço e o resto do corpo (o da garrafa) de forma que o fofinho do tecido apóie gentilmente o seu peso (o da garrafa). Finja que é o saca-rolha é o cabelo daquela rapariga que ficou com seu ex-namorado e puxe.
Não funcionou? Peça ao seu vizinho gostoso para abrir para você.
(continua)

Amigos

Eu sei que já passou o dia do amigo. E que comecei a contar nos dedos e vi que os meus não são tantos quanto pensava. Mas são bons. Não divido, não empresto, não alugo.
Não sou antipática, muito pelo contrário, puxo conversa em fila de banheiro, convido para ir na minha casa, empresto livros. Todo dono de bar, garçonete, fiteiro e caixa de mercadinho do meu bairro me trata com intimidade. De alguns outros bairros também. Chamam pelo nome. Contam da vida. Na universidade faço piadas, rio de mim mesma e coleciono acenos. Quase uma miss. É, eu conheço muita gente, mas amizade, amizade mesmo, descobri nos dedos, hoje, que tenho poucas.
Pensei sobre isso porque pensei sobre mim, sobre minha história e lembrei de pessoas na minha terra natal que amo muito. Será que gente que se vê apenas uma vez por ano, apesar de se conhecerem há séculos e nunca se telefonam, mesmo com tanto amor, podem se considerar amigas? Ainda?
Amizade então é mais que casamento? Não acaba? Mentira. É quase igual. Acaba. Desgasta. Consome. Exige. As pessoas envolvidas podem não se reconhecer mais, não quererem mais as mesmas coisas ou nutrirem o mesmo sentimento.
Claro que jamais apresentaria à alguém essas pessoas como "Fulana, minha colega". Mas mesmo com o título de amiga, a sensação de proximidade estará lá? Aquele reconhecer-se como parte da história, da vida, do presente e principalmente do futuro do outro? Tenho minhas dúvidas.
Pareço pouco fiel. Pois é.
Quer saber como os soube hoje? Fiz uma lista de convidados para meu aniversário (que está muito, muito longe). Como se ele fosse acontecer daqui a quinze dias. Só para dez pessoas. Todos pagando suas partes. Há tempo para todos se programarem caso precisem viajar (a não ser que estejam na Itália, esposa! Aí eu perdôo.).
Quem com certeza absoluta iria? Para mim é isso. Não há grandes dramas, justificativas ou embromação. Simples assim. Tá ocupado demais para aparecer? Não me sinto mais tão bem com ela/ele? Porra, mas eu sempre pago? Não é meu amigo.
Eu não me despeço fácil. Sou persistente nas e com as pessoas que acredito. Mas quando digo não, é não. Uma grande (ex) amiga, dessas de andar sempre junto, simplesmente nem consta mais da minha atual agenda do celular.
Outra ligo quase todos os dias, há vários anos.
Para meus amigos eu me mostro. Rio e choro. Eu perdôo, eles me perdoam. Eles estão o tempo inteiro, mesmo que na minha menção de seus nomes ou do bom e velho: “Uma amiga minha disse...” à conhecidos, à garçonete ao fiteiro e ao caixa do mercadinho.
Na verdade virei uma pessoa comunicativa porque era muito, muito quietinha quando criança e ninguém falava comigo. Eu não tinha amigos e os queria. Muitos. Milhares. Aos montes. Hoje quero cortar excessos. Quero o simples. Quero o bom. Quero o real.
Sim, e só para matar a curiosidade alheia, o meu número de amigos é igual à dos pecados capitais.

Ilha

Eu já morei numa ilha. Tinha dezoito anos e todos as coisas pareciam possíveis. Eu era bonita. Era magra. Era professora. Era jovem. Mudei muito desde então.
Quando saímos de casa pela primeira vez o mundo e suas possibilidades nos parecem enormes, não é? Não sei porquê fui me enfiar mo meio dum pedaço de terra cercado de mar e distâncias por todos os lados.
Mentira, eu sei sim. Era uma chance de beleza. E afinal de contas, o lugar era um importante roteiro turístico para gente do mundo todo. Porque não? Pensei.
Só que o mundo acabava por não me visitar-me ali, onde eu ia enlouquecendo aos poucos.Continente só de seis em seis meses. Não existia a internet. A comunidade era muito fechada, trabalhar com ela exigia cabeça baixa e não relacionar-se com os de fora. Obedeci a essa lei não-oficial, porém clara.
Lembro que brincava de musa para o divino, num percurso comprido, de horas, por praias desertas e rochas. Deixava a canga voar ao sabor do vento, imaginando como devia estar bonita naquela cena, imaginava roteiros onde homens lindos e de olhos de mar me veriam e se apaixonariam perdidamente. Falava sozinha.
Também lia muito. Bebia muito vinho. Trabalhava em excesso.
Então um dia, depois de um ano e muitos meses, minha mãe foi me visitar. Quando decidiu dar por encerrada sua estadia, larguei tudo e voltei com ela.
Vez por outra, me flagro pensando o que teria acontecido seu eu tivesse ficado, casado com o nativo que namorei por uns tempos. Também sonho muito com esse lugar. Nos meus sonhos apareço tanto muito jovem, há tantos anos atrás, como retornando agora. Dizem que a ilha está muito diferente. Talvez por isso, neles aparecem lugares que nunca conheci, mas sei que não estão lá.
A questão é que tenho sentido a mesma ansiedade que me fez querer ir embora da ilha. Aqui. Agora. Como se essa segunda cidade que escolhi depois da minha, anos depois, estivesse diminuída. Sabe quando voltamos para uma casa que julgávamos enorme quando éramos crianças e tudo parece menor, menos grandioso? Talvez isso aqui me bastasse quando eu estava casada, em dia com as contas e com o tempo.
Hoje? Não sei... não sei...
Aos dezoito anos aquela ilha também me parecia muito, muito pequena. Será que se eu voltasse lá agora ocorreria o efeito contrário? Tudo estaria agigantado?
Porque hoje eu sei, a ilha sou eu.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Amor das minhas vidas

Esse tal cara foi o primeiro amor da vida da amiga leãozinho.
Ontem ela me olhou e disse:
- Tua cara, S.
- Eu sei.- Respondo.
Senhoras e senhores, ontem eu (re)conheci o amor das minhas vidas.
Mas é claro que ele não me quis.

Nunca mais lembro

Alguma vez eu já disse por aqui que nunca mais bebo? Juro. Juro. Desta vez é sério.
Ontem, chovendo horrores e eu mentalizando: Eu amo Nando Reis, Eu amo Nando Reis. Aí fui. Era show do cara. Não lembro bem como, sei que acabei com um casal gay maravilhoso e uma menina amiga deles no pé-sujo amado depois de. Sei que um cara que faz teatro fez da minha cama palco no final da noite. E sei que fiz muita, muita confusão antes disso. Com um cara que tava acompanhado e sua menininha. Sei também que vi o que me era querido com outra menininha. Não sei mais de nada.
A cabeça está estourando e os pedreiros filhos da puta não ajudam em nada na minha ressaca. Não tem ovos na geladeira para jogar. Enfim...
Ligo para amiga leãozinho e pergunto: Eu tava trágica? Não, fofa, tava engraçada, ela responde. Zenzualizando. Dançando horrores.
Mas ela foi embora cedo demais. Não posso responder pelo depois de. Medos. Medos. Se alguém bater em mim no meio da rua, eu devo ter feito por merecer.
Alguma vez eu já disse por aqui que nunca mais bebo? Juro. Juro. Desta vez é sério.
Mas sei também que...


Pra Você Guardei o Amor
Nando Reis

Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim
vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar
Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
(...)

domingo, 1 de agosto de 2010

Não espere

Gosto dela. Mesmo. Quer falar mal? Fique à vontade. Tá aí do lado.

Me adora
Pitty

Tantas decepções eu já vivi
Aquela foi de longe a mais cruel
Um silêncio profundo e declarei:?
Só não desonre o meu nome
Você que nem me ouve até o fim
Injustamente julga por prazer
Cuidado quando for falar de mim
E não desonre o meu nome

Será que eu já posso enlouquecer?
Ou devo apenas sorrir?
Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber

Perceba que não tem como saber
São só os seus palpites na sua mão
Sou mais do que o seu olho pode ver
Então não desonre o meu nome

Não importa se eu não sou o que você quer
Não é minha culpa a sua projeção
Aceito a apatia, se vier
Mas não desonre o meu nome

Será que eu já posso enlouquecer?
Ou devo apenas sorrir?
Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber

Pessoas que valem

Sou sim, uma mulher orgulhosa. E fiquei envergonhada quando recebi um e-mail que esclarecia falta e má-vontade. Resposta do filósofo. E quando não recebi um certo telefonema. Do que me era querido.
Mas o amigo amado me liga. Quero te ver. Saudades suadas. Como negar? Fui. Dançamos horrores e encontrei muitos cães, que o inferno aqui é pouco para tanto. Apesar do amor que me contagia quando estou com R. (o amigo amado), não, eu não estava bem.
Chego em casa e depois de conversar com a amiga que no MSN tenta me colocar para cima, mergulho na anestesia de um livro imbecil. Continuo me sentindo uma merda. Uma enorme e grande bosta flutuando num mar de desprezo alheio.
Para piorar, lembro o ex-marido ligando e gritando, assim que nos separamos. E afirmando que qualquer homem que se aproximasse de mim só iria querer saber de sexo. Lembro que eu disse: Amém. Cuidado com o que pedes, já dizia vovó. Mulher sábia, que Deus a tenha.
Durmo quase onze da manhã. Mastigando auto-comiseração como chiclete.
E estou embaixo dos lençóis, às quatro da tarde, quando o socorro na forma de mãe chega. Me traz flores do seu jardim, que observo agora enquanto escrevo. Sento na varanda e conto meus dramas. Falo do cansaço e do medo de que afinal as pessoas estejam certas e eu errada. Que eu tenha mesmo que mudar, conter, parar, diminuir, para me enquadrar.
Ela lembra-me que nem os quinze anos que passei casada conseguiram fazê-lo, nem os falatórios que acompanharam-me durante minha adolescência rebelde. Agora? Ela pergunta. Talvez eu esteja ficando velha, eu afirmo. Ela diagnostica fome e me obriga a sair de casa. Sopa na cafeteria que é da esposa . Amor.
Já estou contando das coisas pequeninas que me fizeram bem. Um e-mail delicado do namorado. As risadas de ontem, com o amigo amado, quando o enxergo na fila do caixa. Não morre mais. Corremos para os braços um do outro. Ele fala de ontem e de quando um antigo amor meu, amigo nosso em comum, lhe perguntou o que existia entre nós. Ele ri quando conta-me da sua afirmação de amor apaixonado por minha pessoa. Gargalho. Amo. Muito.
O apresento à minha mãe e eles se conversam, até que ele se vai com seus miojos em sacolas e filho nos braços.
Minha mãe me olha e diz:- Por essas pessoas, S., se sofre. São essas pessoas, S., que valem amor.
Mulher sábia.
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