sábado, 31 de julho de 2010

Saber eu sei.

O filho da puta dos infernos, antigo menino abusado, agora é meu amiguinho. Ligou dia desses: Vai ver a lua. Eu fui. Posso dormir contigo hoje? Não, prezado rapaz.
Ctrl+Alt+Del.
Enfim, ele tá pegando uma amiga minha. Saímos ontem. Eu, amiga, outra amiga e um amigo dele. Antes eu tomei coragem e liguei pro querido. Conto dos planos para a noite. Chamo, vem. Doente. Vou não. Te ligo amanhã? Claro, baby (suspiro!).
Show na universidade. Quem? Quem? O querido. Ouxe, não tavas às portas da morte? É, foi o amigo que me trouxe. E aponta. Tô alí, aponto também. Danço. E danço. E danço. Ele não chega junto. Não encomprida olhos para mim.
Vamos embora? Me chamam. Chamo também. Não, não vou.
Chegamos no meu apartamento. Eu sem querido. Meu quarto cedido. Jogo tarô para um estudante de direito de vinte e três anos. Ainda vinho. Ainda cigarro. Ele pega na minha perna. Sobe a mão. Eu tiro a mão. Ele insiste. Tapete.
Depois, eu. Sozinha. Um computador na minha frente. E-mail para o filósofo: porque você não me quer? Eu quero. Mensagem para o celular de querido: não entendi nada. porque?
Acordei . Quatro da tarde. Duas cartas ao lado da minha cama. Torre. Nove de espadas. Ressaca do caralho. É, destino, é isso mesmo, tudo desmoronado e pensamentos que me angustiam. Valeu, filho da puta.
Mas a culpa é minha de ser assim tão. Tão. Não sou uma mulher para ser levada á sério, não mereço, penso. Ainda bem?
Ligo pro amiguinho. Você não sabe beber, ele afirma. Saber eu sei. Bônus de natal? Enfia no cú.

Amor

Porque isso, essa porra é amor. Quero o tempo inteiro. Quem não quer?
Quem?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A cor

Essa é uma música para ser escutada e doída e sangrada e gargalhada e sentida com pele e nervos à flor. Não necessariamente nesta ordem. Como sempre, aí do lado.

A cor do desejo
Ney Matogrosso

A tua boca anda oca

Da minha língua
da minha língua
A minha língua anda à míngua
Sem tua boca
sem tua boca

Exatos são os teus olhos que invadem

E me revelam teu coração
Exata é a cor do teu deserto
A dor do teu deserto
Exatos são teus beijos que me acertam
E a ti revelam meu coração
Exata é a cor do teu desejo
A dor do teu desejo


Para mim a cor do desejo é muita.

Azul-claro para dias de sol morninho, apesar do céu sem nuvens e para sorrisos safados trocados na praia, entre cervejas e amigos.
Azul-caneta, manchado nos dedos da mão, ao escrever cartas que jamais serão enviadas.
Amarelo nos amanheceres com café-da-manhã e beijo leve de dentes escovados e roupa vestida e maquiagem feita.
Verde por causa dos cheiros de jardim e da vontade de colher flores e dançar nua.
Cinza para os que não consigo.
Rosa para os que descarto.
Branco para os que me deixam cega.
Negro quando é preciso, de tanto, apagar as luzes para esquecer onde se está.

Vermelho com você, meu homem.

Tanto mais

Então era.
Fazem sete anos que há negativas. Não sei se por falta de desejo. Eu nunca o sei. Dele. Talvez ambos saibamos demais de outras coisas, enfim...
Então dia desses (há seis anos) enlouqueci e minha fantasia recorrente era com um certo livro meu que tinha sumido. Sonhava noites a fio com esse tal livro. O amigo que sempre me negou beijo, pouco depois também foi embora. Nos reencontramos algumas outras vezes. Eu o fiz cantar num karaokê antes de virar uma velha casada e chata. Nunca mais nos vimos.
Como nunca consegui dizer que eu o amava tanto? Que sempre o quis na minha cama. Sempre. Talvez porque ele não me quisesse, viesse essa vontade, pensava e não falava. Sou volúvel e má, eu sei. Mas não era só isso, acreditem, era um arrepio de reconhecimento do que vai te lascar na vida. Ele me lascaria, eu sei. Ah, mas como eu queria...
Então eu o reencontro hoje numa festa que nem queria ir. Amanhã ele volta para Brasília, só saiu essa noite aqui na cidade. Ele tá casado e feliz. Não ligou porque veio para ficar com a filha. Mentira, sei que nem meu telefone ele tem.
Ele me olha. Eu quero. Ele me desvenda e eu desmorono como sempre com sua voz. Eu quero beijar aquela boca de maldade. Porque ele é mau. Sempre foi. Ou bom demais para mim.
Tomo cerveja em excesso e resolvo perguntar:
-Tal livro meu está com você?
- Claro, você me deu com dedicatória e tudo o mais. Você me deu de presente o tal livro, S.
- Eu simplesmente não posso ter feito isso, você não entende.
- Sim, mas você fez.
Então decido. Hoje eu vou convidá-lo para minha cama. Tomo um gole de cerveja e olho do lado. Ele sumiu. Eu tenho que ir embora senão não tenho como voltar para casa. Mas sei que novamente ele não me quer, que outro motivo para ter desaparecido?
Então porque esperar?
Em casa sozinha.
E decido, o destino é um filho da puta escroto que tirar onda da minha cara. Não podia ter me deixado sem pensar que podia haver tanto mais?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O tal do conto erótico


Lembram que dia desses eu estava tentando escrever um conto erótico? Pois bem, espero que não fiquem chateados de colocá-lo por essas bandas, mas quero saber de meus três leitores, o que acham do meu futuro como libertina literária. Ei-lo, pois.




Chuva


Querido M.
Espero que esteja tudo bem com sua terceira esposa (ou é a quarta?). Como é mesmo o nome dela? E os filhos todos, como vão?
Resolvi te escrever, porque ainda nos lembro. Muito. Deve ser por causa do excesso de vinho e uísque barato dos últimos longos anos e a proximidade dos quarenta. Ou porque tenho trepado muito pouco ultimamente. Este seria, entre risos, seu veredito final, tenho certeza.
Enfim, essas lembranças são principalmente sobre sua delicadeza e insistência em certos carinhos tão seus. Daqueles do tipo que depois de algum tempo sendo feitos, me deixavam pronta para enfrentar banheiros em bares cheios ou ruas escuras em locais ermos . Carinhos que até hoje se por acaso repetidos em meu corpo por outro alguém, me levam de volta ao tempo de nós dois.
Por exemplo, quando mesmo entre amigos e cervejas, pegavas minha mão, e exploravas em círculos minha palma, com um língua lenta e morna e molhada e tesa. Eu gostava de ver seus olhos abertos, divididos entre me fitar de soslaio e prestar atenção à conversa das pessoas na mesa que estivéssemos.
A resposta da minha mão, quando me era devolvida, longos minutos depois, era pegar no teu pau por cima do jeans sujo que estivesses usando. E ele sempre estava duro, como se com tua língua tivesses lido que meu futuro próximo era foder contigo noite adentro.
Gostava também quando com tua unha comprida de violonista coçavas engraçado por trás do meu joelho, um sinal de que logo depois, irias com uma leve pressão de dedos apertando minha coxa até enfiar teu dedo na minha boceta molhada. As calcinhas foram abolidas, os vestidos se tornaram meu uniforme na nossa batalha diária. Alguém chegou a vencê-la, querido?
Encontrei a Ana dia desses num boteco aqui na cidade louca, e ela me lembrou que foi você que me fez beijá-la a primeira vez. Disso eu não lembrava, mas ainda sinto o gosto do riso que te acompanhava quando eu acordava em nossa cama e puta da vida, expulsava a mulher que por acaso estivesse conosco. E então, quando eu voltava para o quarto e começava a quebrar coisas, você me derrubava no chão e prendia minhas mãos e sufocava meus gritos com um beijo agressivo e antes de se meter entre minhas pernas com brutalidade, comentava que eu havia adorado cada momento com a tal desconhecida. Eu sempre acreditava em você. E gozava. E gozava. E gozava.
Enfim, lembro principalmente quando você correu atrás de mim numa rua alagada, no meio de uma chuva infernal, quando decidi que aquele estado de eterna ânsia e desejo só poderia acabar nos matando. Lembro quando eu finalmente cansei e sentei naquele banco de praça e você estava lá logo depois, e me obrigou a sentar no seu colo e me comeu agarrando meus seios com força e puxando meus cabelos com raiva. E quando me sabias preste a gozar, me empurrou para longe de ti e de volta à minha decisão. E me deixaste sozinha.
Desde então, nunca mais parou de chover, querido.
Daqui a três dias estarei de volta à nossa cidade, e marquei com alguns de nossos velhos amigos no mesmo velho local. Se puderes aparecer, te prometo minha mão em cima da mesa, novamente à espera de tua língua. Irás?
P.

Dezesseis

“Ontem eu vi tudo acabado, meu céu desastrado, medo, solidão, ciúme...
Hoje eu contei as estrelas e a vida parece um filme...”
Ok, sei que devo parecer uma caso clássico de pessoa maníaca-depressiva. Talvez seja. Enfim...
Mas hoje eu tenho sim, dezesseis anos. E vontade de enfeitar cabelo com guirlandas de flores e sair dançando nua pela casa.
“Ah, eu ei de ser, terei de ser, serei feliz...”

terça-feira, 27 de julho de 2010

Roubado para fins medicinais.



Obrigada, Rafa, por salvar meu dia.

Levanto a mão.



“Em que você fica pensando enquanto vê uma paciente se desestruturar na sua frente?”

Muitas vezes durante minhas sessões de terapia enxergava meu desespero no silêncio que se seguia à uma crise convulsiva de choro, diante de João Carlos. Sim, meu terapeuta chama-se João Carlos. Uma sensação parecida me tomou essa manhã, quando vi a ausência total de comentários diante do meu surto-descontrol de ontem. Porque realmente, porra, como comentar sobre o desespero e o medo?
Eu mesma, diante de um texto daqueles, fecharia blog com um clique rápido de mouse e pensaria duas vezes antes de voltar lá novamente. E essa vontade, eu a tenho agora, não nego. A tentação de apagar aquilo como se fosse mesmo simples assim. Mas tem alguma coisa mudando novamente dentro de mim, que simplesmente me impede de desviar os olhos de tanta raiva, de tanta mágoa, de tanta coisa que fingi alegremente e achando que seria de forma gratuita, não estar aqui dentro. Mas está. Principalmente essa bosta de sensação de impotência diante das atitudes alheias que me machucaram. Das que machucam.
Vejam só que novidade, descobri que não posso simplesmente controlar tudo. Grande merda de descoberta, não? Que imbecil não sabe disso? Levanto a mão. Eu.
Ontem, que já era hoje, dormi pouco, correndo atrás dos meus pensamentos como um cachorro atrás do próprio rabo. Previ rotas de fuga, desenvolvi estratégias de evasão, tudo em vão. Porque tem como fugir de nós mesmos sem acabar por virar uma invenção de gente, algo apenas levemente semelhante a um ser humano de verdade?
Assumo ter achado que seria simples estar de volta aqui, retornar como de uma viagem breve à esta mulher que decide seus caminhos sozinha. Que enfrenta tudo com coragem. Achei mesmo que seria indolor e sem grandes dificuldades. Ah, que boba que eu fui.
Porque a vida não vem com manual de instruções e num dia qualquer você se flagra num momento em que simplesmente não sabe o que fazer.
E o que aconteceu para desencadear tudo isso, porra?

Estou apaixonada pelo impacto da vida, por um tiro certeiro e bem mirado, pelo arrebatamento provocado pelo descuido das minhas defesas.”
Divã- Martha Medeiros

Lies



Mentiras

Acho que é tempo de desistirmos
E descobrir o que está nos impedindo
De respirar facilmente e conversar direito
O caminho é claro se você está preparado agora
O voluntário está se acalmando
E tirando um tempo para salvar a si mesmo

As pequenas fendas eles escalaram
E antes de você saber que é muito tarde
Para fazer círculos e dizer mentiras
Você se move rápido demais para mim
E eu não consigo acompanhar você
Talvez se você diminuisse o passo pra mim
Eu pudesse ver que você só está dizendo
Mentiras, mentiras, mentiras
Nos separando com suas
Mentiras, mentiras, mentiras
Quando você vai aprender?

As pequenas fendas eles escalaram
E antes de você saber que é muito tarde
Para fazer círculos e dizer mentiras
Você se move rápido demais para mim
E eu não consigo acompanhar você
Talvez se você diminuisse o passo pra mim
Eu pudesse ver que você só está dizendo
Mentiras, mentiras, mentiras
Nos separando com suas
Mentiras, mentiras, mentiras
Quando você vai aprender?

Então plante o pensamento e veja ele crescer
Sopre-o e deixe ele ir

.............................................................................................

Então é isso, Once novamente por aqui. Para mim, essa (no vídeo acima) é a cena e a música mais bonita do filme, todo ele cheio de lindas cenas e músicas.

...

...

...

Talvez porque nada é tão triste quanto um fim, exista tanto temor frente aos recomeços. Sim, eu tenho medo, morro de medo, assumo. Não quero mais essa dor que rasga tudo que você demorou tanto tempo para costurar e então vestir coração e aquecer a alma.

Não quero tudo dilacerado. Não sei mais como...

Não quero ver todos os meus jardins pessoais devastados por pragas que não sei como tratar. E ver tudo que era verde e broto e promessa, murchando até fenescer...

E me flagro quase chorando, porque essa ternura que insiste em estar aqui, em mim, todo o tempo, me pega de surpresa sussurrando encantamentos e cantigas de consolo. Viro as costas e ela me persegue pela casa, entranha-se em cheiros que trazem lembranças de tempos tão felizes.

Não quero. E digo não e não e não. Mando-a embora, mas ela se recusa. Ela fica. E hoje não tem vinho nem outra anestesia para fingir que ela é apenas mais um fantasma inconveniente.

.......................................................................................

E de Glen Hansard, que estrelou junto com Markéta Irglová o filme, um trecho da música Song for Someone (Uma canção para alguém). Por hoje, tá aí do lado.

"Eu espero que ela seja a mesma
E espero que ela possa sobreviver a isso de novo

E se todos formos de alguem?
E se todos nascemos para alguem?
Quando esse alguem virá
E colocará as coisas nos seus lugares?"

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ainda doente

Juntei o resto das forças que me sobravam, levantei, entrei no chuveiro e fui para o aniversário de uma amiga. Churrasco, cerveja e boa conversa. Eram já sete da noite e o meu celular toca. Com quinze dias de atraso, mas o rapaz de uma certa noite, ressurge das cinzas. Trinta minutos depois do telefonema, foi nos encontrar num bar para a qual tínhamos migrado depois de tanta carne.
Confesso-me impressionada. Porque o grupo que eu estava é muito legal, mas bom... digamos que amiga leãozinho e seu comparsa-namorado ocupam o primeiro lugar na fila dos sarcásticos de plantão. E não é que menos de dez minutos depois de chegar, o rapaz já entabulava conversas sem fim e levava todas as brincadeiras dos bêbados da mesa (incluo-me aqui) numa boa? Ganhou o primeiro beijo da noite. E meu respeito. E acesso aos meus lençóis e endredon e a acordar ao meu lado hoje.
E aqui faço uma pausa, para falar de uma coisa que cansa minha beleza e que entre amigas chamo de intimidade “fake”. Quando as pessoas não se conhecem direito, passam a noite juntas e amanhecem fingindo-se recém-casadas. Mesmo que nenhum dos envolvidos nesse teatro, esteja sequer pensado na hipótese de ver novamente o outro depois daquilo. Então normalmente, prefiro acordar sozinha, a ter que enfrentar isso. Não tenho mais idade para fingimentos e sou grossa feito papel de enrolar prego pela manhã. Assumo.
Mas o tal rapaz, como na primeira vez, se comportou tão bem. Foi tão delicado no seu acordar e na sua saída, sem melosidades desnecessárias ou fazendo coisas que me deixassem de mais pé atrás do que normalmente sou, que me conquistou.
Gostei de sua atitude de homem, de chegar junto, de ligar, sem joguinhos e sem promessas. Gostei dele ter ido, quando disse que ia (o que aqui nessa cidade parece difícil para a maioria das pessoas, não é, borboleta amada?) e de ter chegado tão rápido depois de afirmá-lo. Também gostei de notar, quando fui olhar o histórico das chamadas do número que salvei como dele, notar que o rapaz já tinha me ligado final de semana passado e eu não atendera nem retornara. Então, apesar da minha religião não permitir, enviei uma mensagem bem meiguinha.
Porque debaixo de tanta grosseria e mágoa e ironia, ainda bate um coração romântico e bonzinho.
Mas relevem um pouco tanta fofura, que eu ainda estou doente.
E neste caso, namorado, o jogo com as palavras é até óbvio, não?

domingo, 25 de julho de 2010

Chá

Gostaria muitíssimo de saber, prezado rapaz, o que temes em mim?
Não, não vale xingar agora, estou doente e pouquinha, portanto seja carinhoso e me traga um chá.
Amém.

sábado, 24 de julho de 2010

Não corra!

Bom, a menina (?!) do vídeo aí do lado é phoda. Sexy, instigante, poética. E linda, porque ela não é obrigada. Faz música para o antes, o durante e o depois.
Recomendo muito.
Querendo saber mais ...
Como já citado aqui: Ouça... E “lembre-se que a profundidade é a maior das alturas"...

Rápido Quanto Puder
Fiona Apple

"Eu deixo a fera quieta por pouco tempo
Não sei como viver sem minha mão na sua garganta
Brigo com ele agora e sempre
Oh, meu bem, é tão doce, você acha que sabe quão louca,
Quão louca eu sou.
Você diz que não se assusta facilmente e que não irá.
Mas eu sei que sim
E rezo para que isso aconteça.

Rápido quanto puder, meu bem,
Corra, livre-se de mim.
Rápido quanto puder.
Posso até ser suave na sua mão
Mas em breve estarei faminta por uma briga
E não deixarei você ganhar
Minha linda boca irá modular as frases
Que irão dizimar sua fé na humanidade
Então se você me pegar tentando encontrar um caminho para o seu coração
Ou por debaixo da sua pele

Rápido quanto puder, amor
meu bem, me arraste para fora, livre-se,
Rápido quanto puder.
Rápido quanto puder, amor
Meu bem, me arraste para fora, livre-se,
Rápido quanto puder.(...)"

Doença

Estou doente. O corpo dói, a cabeça parece que vai explodir, sinto calafrios e a garganta fechou. Gripe das pesadas. E ressaca. Das grandes.
Ontem depois de dedicar horas à faxina do apartamento fui com a amiga E. para um barzinho no Centro. Show massa, tudo muito divertido, tudo muito legal, mas o corpo já dava mostras de um cansaço estranho. A mente também. Só pode, não encontro outra desculpa além dessa, para o fato de ter recebido aquele homem no meu apartamento e na minha cama. Nos meu pensamentos. De novo.
Atchim.
Merda!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Jumper

“Pular de precipício em precipício, ossos do ofício...”
Talvez tenha sido a conversa, já que hoje fui para uma exposição com três mulheres com no mínimo com dez anos a mais que eu. Uma delas é a amiga-mestra e só há conforto em sua presença.
Vinho durante a exposição e eu recomendo os bares do depois.
No primeiro, a música não era legal, no segundo havia tristeza demais. E eu sem saber.
Quanto me deram vinte e cinco anos, ví a ironia em olhos que se achavam tão mais sábios que os meus. Alegria demais, diagnosticou a amiga-mestra. E eu quase calando.
Então enxergo um amigo numa mesa ao lado. Levanto animada e ele mesmo acompanhado, me abraça com força. Pouco tempo depois, tendo se despedido da sua nova paixão, senta na nossa mesa. E elas me olhando novamente.
Peço para o amigo me deixar em casa. Depois de concordar, o que faz com que minhas acompanhantes se desobriguem de mim, tomamos mais uma cerveja e conversamos e rimos. Muito.
Eu sei que havia desejo. Porque além de tudo, de todo o proibido que sempre nos cercou (e isso é outra história), eu estava linda. E sei que ele tem entrado vez ou outra no meu orkut e tantas outras coisas e detalhes nas últimas semanas e encontros casuais. Sei também e principalmente que depois dele fingir caminhos errados umas três vezes e de nossa conversa maravilhosa que rendeu mais por causa destes erros, eu podia convidá-lo para subir e fazer com que a noite me trouxesse mais fantasias e histórias e textos. Mas não quis. Não com ele. Não hoje. Não.
Porque eu sabia que a juventude do tal amigo seria apenas anestesia. E mais um precipício. E eu não queria pular.
Subi e só tinha tirado os brincos quando o celular toca. Um outro amigo tinha perdido as chaves de casa e é claro que podia dormir aqui. Chega e eu como um resto de brigadeiro enquanto me lamento e resmungo. Uma velha chata.
Agora o outro amigo ronca. Alto. E amanhã tem pedreiros e mais barulho.
Talvez pular tivesse sido o melhor. Mas sabe, é que foi tanta gente que não valeu a pena...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Porque eu sou loser



O Vencedor Leva Tudo


Eu não quero conversar,
Sobre as coisas que nós passamos
Embora isso me machuque,
Agora é passado
Eu joguei todas as minhas cartas,
E foi o que você fez também
Não há mais nada a dizer,
Nenhum ás a mais a jogar


O vencedor leva tudo,
O perdedor fica menor
Ao lado da vitória,
Está o seu destino


Eu estava em seus braços,
Achando que ali era o meu lugar
Eu achava que fazia sentido,
Construindo-me uma cerca
Construindo-me um lar
Achando que seria forte lá
Mas fui uma tola,
Jogando conforme às regras


Os deuses podem jogar um dado,
Suas mentes são tão frias quanto gelo
E alguém bem aqui embaixo,
Perde alguém querido
O vencedor leva tudo,
O perdedor tem que cair
É simples e está claro,
Por que eu deveria lamentar?


Mas diga-me se ela beija,
Como eu costumava te beijar?
Mas diga-me se é a mesma coisa,
Quando ela o chama?
Em algum lugar bem profundo,
Você deve saber que eu sinto a sua falta
Mas o que eu posso dizer?
As regras tem de serem obedecidas


Os juízes decidirão,
As coisas boas da minha vida,
Os espectadores do espetáculo,
Sempre ficam quietos
O jogo começa de novo,
Um amigo ou amante?
Uma pequena ou uma grande coisa?
O vencedor leva tudo


Eu não quero conversar,
Se isso te deixa triste
E eu entendo,
Você veio me dar um aperto de mão
Peço desculpas,
Se isso faz você se sentir mal
Ao me ver tão tensa
Sem auto-confiança
Mas você compreende
O vencedor leva tudo...
O vencedor leva tudo...


Alguém querido...
Leva tudo...
E o perdedor...
Tem que cair...
Lance um dado...
Frio como gelo...
Bem aqui embaixo...
Alguém querido...
Leva tudo...

Crise existencial

Só agora o barulho constante e irritante dos pedreiros diminuiu um pouco. Tenho pensado inclusive, de tanto que tenho falado destes trabalhadores da construção civil, em mudar o nome desse blog para algo ligado á respeito. Reforma e fúria, o que vocês acham? Bom, falemos disso depois...
Ontem a amiga E. chegou por aqui, acompanhada de um exemplar da espécie masculina muito, muito interessante. Era véspera do aniversário dela e bom, vamos dizer que comemorei com mais que brigadeiro e velas (apesar de termos tido ambos, além de cerveja e risadas).
Hoje me flagrei num estado que variava entre pensativo e melancólico. Talvez porque estivesse chovendo muito, talvez porque apesar de tentar manter minha fleuma diante da vida, muitas vezes sou pega de surpresa com uma espécie de pudor retroativo diante de certas atitudes que resolvo tomar.
Liguei para amiga-mestra e gastei todos os meus créditos em ladainhas confessionais. Balbuciei frases desconexas sobre promiscuidade e culpa. Fui interrompida em meus devaneios auto-fragelatórios, quando ela afirmou que tudo é simplesmente um direito meu. Simples assim. Direito sobre meu próprio corpo. Sobre minha vida.
Aí pensei se valia a pena escrever algo á este respeito aqui. Porque sei que muitas pessoas que conheço vez ou outra dão uma olhada neste blog, e bem, apesar de não mencionar lugares ou pessoas a exposição é muito grande.
Então, passei a analisar seriamente a possibilidade de parar de vez de escrever. Porque meu primeiro intuito ao criar esse espaço, foi sim, confessional. E se não me sinto mais confortável em usá-lo para tal, ele perde seu sentido para mim.
Como blogueira das antigas, sei que é exatamente nestes momentos, que, ou vestimos o personagem que é mais agradável aos que nos lêem ou permanecemos firmes, mesmo questionando os porquês, na nossa verdade.
Não quero precisar usar aqui os filtros que utilizo no cotidiano. No trabalho, no ônibus. Os filtros que agora mesmo, me impedem de jogar ovos podres na cabeça dos pedreiros que voltaram a fazer barulho demais. Quero poder desfiar meus nós e questionar meus porquês.
Já não tenho mais tanta certeza se consigo, posso ou devo fazê-lo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Porque foi bom, amiga!


Amo tú, bebedora de carreteiro.

Seu encargo e minha carga

Foi como se de repente a dor houvesse simplesmente acabado. Ido embora. E em seu lugar, um alegria tímida, novinha, recém-nascida e em tons pastéis.
Três meses. Há três dias. Só hoje me dei conta.
Voltei da feira agorinha, e o porteiro do meu prédio me sorriu e depois de dizer que nunca mais tinha me visto, comenta:
- Gosto das músicas que você escuta logo cedo.
Sorri de volta encantada, porque ele falava de Bach. Subi as escadas, abri a porta e tudo estava em seus lugares. Inclusive eu. Guardei pão e queijo, enquanto esquentava água para um café fora de hora. E penso nessa novidade boa. Nada fora do lugar. Nada mesmo. Nem as horas, que quem as decide sou eu.
E sinto que para você, amiga que amo, eu tenha que ser mais do que eu sou. Me comportar melhor do que agora. Sentir diferente e fazer menos ou mais ou... enfim... ter, que em tempo integral desconstruir essa fantasia de pessoa que não reconheço nas suas críticas e zangas. Não gosto dela, dessa pessoa, e ela não sou eu, saibas.
Meu amor por você não é só mérito teu, ele brota não só desse coração que se expõe, mas de mim inteira, falando e fazendo besteiras. E penso, que talvez, se um dia eu conseguisse alcançar o alto padrão que me exiges, esse sentimento, tal como flor que recebe água em excesso, morreria.
Talvez no fundo, queiras matar é meu reflexo em você. Talvez eu pese em excesso e seja carga em tua vida, não alegria. Sinto muito, então. Mas essas minhas últimas afirmações são só hipóteses.
As verdades absolutas a nosso respeito, deixo à seu encargo.

O barulho dos gatos

Gatos miam enlouquecidos embaixo da minha varanda.
Dizem que sexo entre gatos é doloroso. Não comentarei todos os detalhes sórdidos que já me contaram acerca disso, mas toda vez que escuto esse tipo de barulho me dá vontade de discutir com o divino. Como assim? COMO ASSIM, PORRA?
O negócio é que o barulho começou mal eu cheguei em casa, vinda de uma reunião entre amigos. Quando decidida, acendi um cigarro, liguei o computador e resolvi finalmente enfrentar o escrevinhamento de um conto erótico.
É que esboçamos um blog sobre o assunto e bom... enfim... os gatos...
Vocês por acaso já notaram o quanto esse assunto é espinhoso (desculpem-me o trocadilho, mas não resisti). O tal do sexo. Na vera. Na real. Para mulheres.
Então tá... começo o tal conto (com uma trilha sonora de arrasar) e noto que descrever certas coisas (ó eu sendo delicada) me deixava muito, muito constrangida.
Logo eu, Mané? A rainha das piadas politicamente incorretas? A mulher liberada? A que sempre acreditou em sexo como uma das necessidades primordiais do ser humano, igual a comer e dormir?
Pois é, eu, euzinha, não consegui descrever uma trepada sem romantizar. Virei quase uma Nora Roberts no meu texto. Só faltei falar de estrelas e eternidade e olhares que dizem que enfim, fui bem comida, amor. Só por você.
Pois é, eu sou uma farsa.
Os gatos sabem das coisas. Eu não.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Eu te amo

Eu tinha quinze para dezesseis anos quando escutei pela primeira vez um “eu te amo” de um homem. Aprendi que apesar de não ser um bom dia qualquer, essa frase, pelo bem que faz, não deve ser economizada. Então, não a uso nem com parcimônia nem com cuidado. Mas nunca a deixo escapar quando não é verdade.
No entanto, aprendi que existem várias formas das pessoas reagirem á esta declaração. Se tornam especiais no meu coração, aquelas que a recebem com simplicidade.
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