segunda-feira, 12 de julho de 2010

De livros (Parte I)

Já havia comentando quando a Caminhante fez sua a sua lista que gostaria de fazer a minha. Então ele também fez a sua, e hoje, ao voltar do trabalho, escutando boas músicas (Bach e chuva) cumpro com o que prometi somente para mim mesma.
No meu caso, não vou colocar links, mas deixar que vocês procurem estes livros pelo mundo (o virtual e o real) apenas caso se interessem (não, não vou facilitar). Também falarei apenas de alguns dos meus livros preferidos. Como são muitos, dividirei essa lista em partes.
Essa primeira lista são sobre os livros que me falaram sobre aprender e amar. E sobre aprender a amar (e desamar) também.
A caixa preta de Amós Oz- Se a caixa-preta de uma avião que cai guarda os segredos que levaram à sua queda, a caixa preta de que o autor trata aqui é aquela onde se escondem os detalhes do fim de uma relação amorosa. Comprei na época em que estava me separando pela primeira vez e foi tão devastador quanto irritante lê-lo. É visceral, apesar do autor usar a relação que findou pata tratar de guerras outras que não a entre homem, mulher e os frutos de seu envolvimento.
Metaformose de Paulo Leminski- Tenho épocas de paixão devastadora por certos autores. Leminski sempre me encantou por seus haicais geniais e sua poesia vinda do umbigo. Então houveram dias em que junto à esta paixão havia meu interesse por mitologia grega. Não lembro como encontrei esse pequenino (apenas em tamanho) livro de Leminski, cujo subtítulo é “uma viagem pelo imaginário grego”. E fica para vocês uma frase apenas: “Que nume monstruoso me condenou a ser apenas uma metade? A metade de uma lenda, outra metade perdida nos labirintos da memória?”
Dona flor e seus dois maridos de Jorge, o Amado- Esse cara simplesmente mudou minha forma de me ver como mulher. Tendo sido criada por uma avó evangélica que via qualquer vontade como pecado e tinha poder de veto sobre o que eu lia, foi aos treze anos, já morando com minha mãe, que o descobri e claro, me apaixonei. Esse livro específico trata (para mim) da divisão entre desejo, mesmo que destrutivo e convenções sociais, que toda mulher cedo ou tarde enfrenta. Mas não apenas isso. Como nada no Jorge é apenas.
Cem anos de solidão de Gabriel García Marqués- Não tenho palavras, quem as tem todas é esse livro.
O cheiro de Deus de Roberto Drummond- Convencida por Gabriel Gárcia que o realismo fantástico era delicioso e me convinha, me aventurei com esse livro, convencida também por um namorado numa época distante. Roberto Drummond é também autor de Hilda Furacão. Esse livro tem lobisomens que comem rosas, mulher branca que vira mulher negra em determinadas noites, personagens masculinos com nome de uísque. E não vou falar o que é o cheiro de Deus, porque vocês tem que lê-lo, mas posso adiantar que esse momento (o da revelação do odor divino) é uma das passagens mais lindas e que descreve com a força de punhaladas na alma, amor e ódio, fome e desejo, sanidade e loucura, que já li em toda minha vida.
Mulheres que correm com os lobos de Clarisse Pinkola Estés- Um livro de uma autora que é terapeuta Junguiana só pode ser uma leitura chata, mas surpreendentemente é um livro delicioso que muda tudo dentro de você. Um calhamaço de trocentas páginas do qual eu e minhas amigas ao comentar, nos referimos como “a Bíblia”.
Morangos mofados de Caio Fernando Abreu- "Mas te investigo, te busco, te suspeito cúmplice de mim, não dele, porque a tua ajuda é a única que posso esperar, então insisto sempre se me entendes, e volto a perguntar então, me entendes? assim, me entendes, tu? agora, me entendes, ou nunca?"

Breve outra lista. Ou não.

A coragem de ser bicho


E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. Porque então você se ama também.

Pintura de Egon Shiele/ Texto de Caio F. Abreu

Azedume

Ontem me chateei, tava com um sono sem fim e fui aquela que queria voltar para casa. Meu celular longe e indisponível e a amiga leãozinho (que se recusou a ser citada aqui como amiga advogada) brigando comigo, dizendo que eu gosto de dar trabalho aos outros pelo fato de tê-lo esquecido de novo.
E eu querendo o abrigo dos meus lençóis. Claro que, nesse clima, acabei comendo demais, e ao me flagrar devorando a última batata frita de um enorme prato, me dei conta que as coisas não estavam assim tão bem como me pareciam no dia anterior. Porque se peço batata frita como tira-gosto as coisas não andam coloridas no meu mundo.
Não que haja motivos. É mais uma sensação de incompletude generalizada. De cansaço diante do espelho. Borboleta volta hoje para casa e talvez seja a perspectiva da solidão que esteja me atormentando. Ou então o cotidiano, esse inimigo da contínua diversão, que já começa a se infiltrar entre os planejamentos da minha semana.
Como tento bravamente não cansar, resolvi que mais uma mudança é necessária. A partir de hoje serei um mulher séria e sã. Não mais beberei, nem serei irresponsável. Me tornarei lúcida, confiável e madura.
Façam suas apostas (como se vocês se importassem, né?).
Sim, tô azeda!

domingo, 11 de julho de 2010

Entre a fé e a falta de razão (uma fotonovela baseada em fatos reais). Parte III

Porque não tenho amiga besta e o agarrado que foge é melhor do que uma camiseta "estive em tal lugar e lembrei de você.". Mate suas amigas de inveja, pessoa que esvoaça.

No shopping, achamos esse mimo. Como este blog também é luxo e glamour, indicamos a compra para maconheiros ricos, porque o conjunto custa R$ 449,00. Mas dividem no cartão.

Entre a fé e a falta de razão (uma fotonovela baseada em fatos reais). Parte II

Começe pelo fim...

Eu, borboleta, amiga advogada, o bar, as cervejas e a sinuca. O resto da noite virou lenda.


Borboleta toda trabalhada na unha "soy quenga, pero no mucho". Reparem no brinco temático.


O mar que não tem cor, de acordo com borboleta. Humildemente concordei, mas estava chovendo, vejam bem...



Quando quase estavámos nos convencendo a entrar para a ordem das carmelitas descalças, o santo do pau oco nos observa e milagre! diz: "Amadas, vão tomar uma cerveja. Ah, se eu pudesse..."

Entre a fé e a falta de razão (uma fotonovela baseada em fatos reais). Parte I

Começe pelo fim...


E mais igreja (com um toque de verde).


Mais igreja.



Primeiro dia e primeira igreja e eu ainda trabalhada no interesse.




"Eu ouço vuvuzelas"

Bom, a final da copa do mundo está rolando nesse momento e “eu ouço vuvuzelas” (piada interna). Também me sinto como quem foi atropelada por um trem. Borboleta me acompanha nessa sensação (ou eu a acompanho?), com sua garganta fechante.
Estaremos somatizando?
Ontem desistimos do chá de fralda e fomos comer no shopping com o dinheiro que eu usaria para comprar as fraldas do tal chá. Pensamos em encarar um cinema, mas era tal a quantidade de adolescentes barulhentos que assustadas, resolvemos ir beber.
Fomos para o bar que era o local marcado para o encontro da borboleta com o agarrado que foge (post anterior) e houve cerveja e conversas e risos. O agarrado que foge quase que não vinha, mas veio e seguimos para um outro bar, onde rimos mais e bebemos mais e conversamos mais e onde eu fiz a borboleta experimentar a cachaça da terra.
Viemos para casa e o agarrado que foge libertou nosso almoço de hoje do congelador. E olhou meu bujão de gás para detectar vazamentos. E abriu o vinho. Enfim, um fofo. Não acho que Borboleta agradeceu devidamente, mas que posso eu fazer, não é?
Um homem para casar, o agarrado que foge.
Em nenhum momento meu celular tocou. E descobri agora que o perdi ontem. De novo! Ato falho que me entrega?
Então hoje tô meio assim, meio assado. Queimei o pé enquanto cozinhava. Cólica. Ressaca. Enfim... daqui a pouco me animo. Acho.

sábado, 10 de julho de 2010

A borboleta e a cidade

Amores e amoras, estou muito surpresa com a capacidade de manter-se sóbria da borboleta amada. Porque eu não consegui. Se bem que não posso dizer que tentei.
Peguei-a na rodoviárias às sete. Ela esqueceu o celular no táxi que nos trouxe (e a sua gigante mala) em casa. Chegamos, empresto uma sandália para sujeita, que só usa salto e, portanto só os trouxe, e saímos serelepes, trabalhadas na vontade de cultura para turistas e na necessidade de encontrar o tal celular passeante.
Igrejas e ladeiras e mais igrejas e mais ladeiras e outra igreja. E lindas vistas. Dez da manhã, quase nos convertendo, resolvemos tomar a primeira cerveja. Quando achamos o taxista e o celular anão de jardim, já estávamos na quarta (ou era a quinta?).
Enfim... tomamos mais uma para comemorar o fato de termos encontrado o objeto que toca e vibra e fala e pegamos um ônibus que nos trouxe para casa, parando antes no Carrefour para comprar adivinha o que? Quem gritou cerveja, acertou!
Então borboleta conhece o F. (amigo do (eca!!!) menino abusado), e a amiga advogada. Eu quebro uma taça (sinto muito, esposa!) quando resolvo acabar meu relacionamento virtual entre lágrimas e cerveja (claro!) e vou, deprimida, arrasada e de vestido florido para a nossa peregrinação “Há bares que vem para o bem!” junto à amiga advogada e a borboleta amada.
Sinuca, mais cerveja, risadas, cerveja, eu agarro um cara no corredor do banheiro. Amiga advogada diz que o agarrado que fugira, tava era dando em cima da borboleta. Então tomo um uísque no balcão para lamentar os cães que habitam o inferno, enquanto borboleta e amiga advogada se divertem com tacos e bolas.
Sei que eu acordei hoje e tinha um homem na minha cama. Fiz um café e a noite deve ter sido muito boa, porque eu o cedi à figura masculina que surge na porta da minha cozinha. Ainda bem que sou uma bêbada de bom-gosto, penso, agradecida.
Borboleta diz que nós conversamos muito e que ela achava que eu já o conhecia, tal o grau de intimidade entre nós. Pelo pouco que lembro, não tenho motivos para estar arrependida, muito pelo contrário.
Ela também chegou a conclusão que eu me saboto e portanto, será a responsável pela triagem das minhas palavras cruéis. Amiga advogada ao saber dessa intenção vai dar uma gargalhada, eu sei, porque pobre das pessoas que já tentaram fazer isso...
E agora a borboleta amada e inocente está toda trabalhada no Black porque vamos a um chá de fraldas (programa de índio eu sei, mas tem cerveja e feijoada) e de lá seguiremos para outra peregrinação etílica e sim, pedi desculpas ao agarrado que fugiu através da borboleta, que ligou para o sujeito e marcou de encontrá-lo mais tarde. Porque amiga minha tem que ser sabida. E ela está de férias e, portanto, liberada dos seus padrões pré-estabelecidos para homens.
E eu dei meu telefone para o homem que acordou na minha cama, e gostaria bastante que ele ligasse (por favor, divino, eu prometo, prometo me tornar uma pessoa melhor se ele ligar!!!!), que como já dito aqui não sou boba de fazer coisas boas apenas uma vez.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Louca e baratinha

Pois é, estava eu voltando do supermercado, cheia de sacolas (sacrifício por amor à borboleta linda que tá chegando amanhã, oba!) quando o celular toca. É amiga advogada. Segue-se o seguinte dialogo (editado!):
- Que post tú deletou tão rápido, que nem deu tempo de ler?
- Um que eu escrevi beba, pedindo perdão a W. Amiga-Esposa acabou me esculhambando nos comentários.
- Ainda bem que eu não li, faria o mesmo. Iria perguntar se você não tinha esquecido de agradecer o fato dele não ter te estrangulado, serrado e jogado pros cães.
Sim, amiga advogada se referia ao caso Bruno. Claro que ela, dona de um senso de humor muito particular, deve ter morrido de achar graça da piada. Eu não.
Porque sei que o que escrevi ontem é uma decorrência dele ter agido como sempre agia quando éramos casados. A resposta é automática de minha parte. Fazer com que eu me sinta tão mal comigo mesma, com o que sou, com o que penso, com o que visto ou como eu ajo, que qualquer mínimo gesto de carinho ou respeito é considerado uma dádiva quase divina.
Ontem mamãe me ligou dizendo que ele tinha ido pessoalmente deixar os documentos e a grana na casa dela. Esse foi o ato desencadeador de uma série de chicletinhos mentais mastigados com muito vinho.
O resultado desse reflexo condicionado é sempre desastroso para mim. Apesar de ter me feito entender os motivos, nem os oito anos de terapia lacaniana conseguiram que eu deixasse de me sentir culpada pelas merdas que os outros fazem comigo. Principalmente os homens.
Foda assumir, mas esse é um fato, faz parte dos meus defeitos, do lixo interno que preciso jogar fora. Tenho até melhorado, conseguido dizer mais nãos para quem me faz mal, mas sou condescendente demais, imbecil demais com os homens que gosto. Os que gostei e posso gostar um dia também servem. Uma merda, amigos, uma grandíssima merda.
Enfim... assumir isso aqui é fazê-lo principalmente para mim. Talvez, quem sabe, isso ajude a não repetir os mesmos velhos erros de me vender baratinho, por qualquer fungada no cangote ou pegada mais quente. Porque se sou tão amada por minhas amigas, a ponto delas se incomodarem em me dar esporros quando me desvalorizo, eu tenho que me convencer desse valor por mim mesma.
“E quem nunca pecou que atire a primeira pedra”- disse o homi!

Post anterior deletado

Post anterior deletado por motivo de esporro bem dado e merecido da esposa.
PORRA! EU TAVA BEBA!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Sem querer...



Na primeira vez que me separei de W. passei um mês inteiro em que chegava do trabalho, tomava três doses de uísque escutando a música acima e chorava e chorava e chorava.
O que eu posso dizer de nossa história?
Esse amor sempre foi muito maior do que eu. E sim, ele também me amou com todas as forças que tinha. Mas nunca fomos parecidos. Eu libertária, ele cercado de convenções. Eu literatura e artes, ele veterinária. Eu livre, ele com medo.
Nos restava tentar, e tentamos e tentamos e tentamos, mas fui eu que comecei a ceder demais. Quando quase não me reconhecia mais, tive que partir novamente. Doía saber que ele pensava que eu nunca o amara por ter feito isso.
Hoje, no advogado, ví que W. sabia que cedo ou tarde eu iria embora. E se protegeu financeiramente de todas as formas que podia. Não há nada que eu possa fazer para provar nossa união estável sem perder muito tempo e muito dinheiro. Nosso divórcio foi homologado há anos e nesta época não fiz questão de divisão de bens. Então é isso... a guerra acabou antes de começar.
Saí completamente desnorteada do escritório de advocacia e passei no banco para verificar meu saldo. Ele tinha depositado 200 reais na minha conta. Seria engraçado se não fosse tão triste.
Peguei o ônibus e desci três paradas depois da minha casa, entrei na loja de material de construção e com uma parte do dinheiro comprei esmalte sintético vermelho, lixa, pincel e thinner.
Estou pintando agora o primeiro móvel que tenho desde que separei, uma cadeira de ferro que ganhei da minha amiga-chefe-mestra, uma mulher que teve todas as páginas de sua tese de mestrado riscadas com a palavra vagabunda pelo ex-marido.
E nesta cadeira que descansarei das lutas que sei que ainda vou enfrentar. Ela será meu símbolo da certeza que posso e vou sobreviver a qualquer coisa. Porque disso eu não tenho dúvidas, eu vou sim sobreviver e este será o primeiro de uma série de objetos, projetos, pinturas, amores, decisões e boas coisas que terei ao longo da minha vida.
E sim, sem querer parecer boazinha (o que não sou), eu o perdôo com todo o amor que ainda carrego dentro de mim. Porque ambos somos culpados e é tudo tão triste que não resta mais o que fazer além de esquecer.
E não se preocupem comigo, no fundo quem ganhou essa guerra fui eu.

Guerra

- Porque você não me avisou antes?
- Estou avisando agora.
- E as minhas contas desse mês?
- Arrume um emprego. Eu não tenho que trabalhar para pagar seu aluguel.
Depois do telefonema num orelhão de esquina, eu comecei a chorar descontroladamente no meio das pessoas em pleno centro da cidade. Uma amiga me tapa os olhos e ao escutar entre soluços o que tinha acontecido, me oferece conforto na forma de um emprego de dois horários. Telemarketing. Começo a planejar mentalmente o trancamento do meu curso.
Vou para casa da amiga-mestra-chefe que já imaginava que isso ia acontecer. Choro mais. Mil telefonemas. O advogado indicado pelo primo, com muita delicadeza, me convence que é um direto meu, pelo menos de acordo com a legislação Brasileira. Marco um encontro para o outro dia. Hoje.
Me sinto menos puta, o que o ex-marido tinha me convencido via Embratel que eu era. E interesseira. E sem coração. E irresponsável. E que nunca o amei. E que merecia passar fome, sede e frio por isso, ora pois. O que eram quinze anos, se eu o larguei?
Choro mais um muito quando a comadre liga e diz que vai segurar minha onda seja lá o que eu decidir fazer e que o irmão dele também está do meu lado. Me oferece uma grana que vai receber na sexta. Mais lágrimas.
Não consigo fazer mais nada. Venho para casa.
Dou um jeito no pescoço de tanta tensão e a amiga chamada de emergência chega em minha casa com miojo, vinho e massagem. Coloca os pingos nos is. Todos, menos eu, esperavam isso acontecer, ela esclarece. Ele quer sim, me magoar. Como sempre. Me sinto burra, todos menos eu, o conheciam.
Então choro descontroladamente por mais alguns minutos.
Como sempre esse homem consegue me atingir e apenas duas taças de vinho depois, me encolho em posição fetal e me escondo num sono de doze horas. Como sempre fiz quando ele nunca chegava ou quando me fazia sentir menos. Quando me convencia que eu só valia algo por estar com ele.
Acordo e a amiga está ao meu lado. Aliso seu cabelo, agradecida e faço café para nós. Me dou conta que não foi um pesadelo.
Agora estou indo para meu estágio de 300 reais e depois vou encontrar o tal advogado. Meu primo, policial federal, ficou de passar na minha antiga casa e pegar meus documentos, que ainda se encontram por lá.
Sim, caros amigos, a guerra começou.

terça-feira, 6 de julho de 2010

É crime!

Alguém já assistiu o filme “É Proibido Fumar?”
Então me contem o final porque o dvd deu pau na melhor parte.
Nessas horas eu concordo que pirataria é crime.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Certas alegrias

Bom, o negócio é que, como falei para amiga, eu tenho certa tendência à bipolaridade, tal qual a esposa.
Então, depois da tristeza depressiva e quase suicida de ontem, hoje acordei com a “molesta”. Depois de cinco horas na frente do computador em casa, esboçando meu esboço de trabalho de conclusão de curso, numa tempestade de idéias, voumimbora trabalhar, e lá se vão mais quatro horas organizando idéias alheias em outro PC.
Chego em casa e separo uma pilha de livros referentes aos trabalhos (o meu e o dos outros) e tiro o sutiã para respirar melhor. A única taça de vinho da noite (de uma garrafa esquecida na geladeira) está ao meu lado e estou surpreendentemente bem. Bem mesmo. Quase radiante.
E me dou conta, se existe algo que ninguém, nem nenhum acontecimento podem me tirar é a alegria que sinto diante de um desafio intelectual. Amém!

Mulheres eclipsadas

“O que não se sabe é sempre uma outra pessoa. Essa estranha perspectiva: o outro revela inclusive o que não se sabe sobre si. Casada com a sua própria impossibilidade, permanecia o desejo de ser lembrada.
Sozinha, sabia demais. Assim faltou espaço pra mais, nada.”
Bom, acordei cedo, com a mente fervilhando. Aí tentei com bravura e muito café, organizar meus pensamentos serelepes e bagunçados.
O resultado está aqui: Mulheres eclipsadas
Estou começando a escrever as primeiras considerações e a tentar destrinchar o problema-chave, mas a primeira idéia da tese é analisar a obra de mulheres artistas, e o porque de permitirem-se ser “traduzidas” e “expostas” não através de seu próprio trabalho (considerando a arte como forma de revelar-se ao mundo), mas pelo olhar dos seu amantes e maridos, pintores famosos.
Então é isso, o blog servirá para trocar idéias e para jogar os textos soltos de outros e os meus próprios.
Querendo ajudar...

domingo, 4 de julho de 2010

Desde sempre

Pedi com força, ajoelhada no chão recém-lavado da cozinha, a deuses e deusas antigos como o mundo, que me tragam conforto assim, como as carícias de um grande amor.
Fraquejo e temo. Não sou tão forte assim.
E o desejo agora e de cafuné e rede da casa da avó. De ver aquela mangueira da minha infância, que acolhia balanços feitos com corda e inocência.
Mas aí me lembro que desde muito cedo tenho ânsias e terrores, e mesmo ali, no antigo ninho, onde o mundo ainda me parecia um lugar aprazível, eu suava frio e chorava sem motivo.
Então porque hoje que tenho todos os terrores do mundo, como fantasmas a me assombrar, as lágrimas que lavam essa angústia que carrego desde sempre, não chegam?

Música politicamente incorreta



Aumenta o som, porque "Bom é quando faz mal", de Matanza.
A banda foi-me indicada por amore. Depois ninguém sabe porque eu sou louquinha por ele...

Eu sou sua preferida, eu sei. Vem logo, pois...

sábado, 3 de julho de 2010

Retificações

E a partir de hoje, esse personagem maldito, outrora nomeado menino abusado (atual filho da puta dos infernos), não mais frequentará nenhum espaço na minha vida, entre eles este blog. Esse ser do mal já rendeu histórias demais e eu cansei minha beleza morena, serelelepe e cacheada. Assim seja!
E a amiga lembrou-me que não mandei o homem-teflon tomar no cú, quem tomou foi eu. Enfim...

Um longo post para um longo final de semana

Uma das minhas melhores amigas chegou aqui em casa na Quinta. Tava mal e queria conversar. Eu com um vinho recém-adquirido que planejara tomar sozinha, esperando o freezer descongelar, toda trabalhada na piniqueirice, recebo ligação de outra amiga. E do menino abusado e do seu amigo. Quatro garrafas de vinho e doze cervejas depois, nossa festa para cinco já tinha me proporcionado muitas gargalhadas, uma conversa bêbada com a borboleta querida (com direito a cam e tudo), e uma viagem para lá de Marrakesh. Acabamos a noite no bar pé-sujo amado, e claro, que eu, que perco tudo, desta vez exagerei. Alguém viu minha chave por aí?
Longe do meu colchão próprio, fomos dormir na casa do menino abusado, onde muito comportada e ajuizadamente, fiquei longe das mãos do sujeito. Acordo ressacada bem na hora do jogo que nos tirou a esperança do hexa. Passo grande parte do segundo tempo dentro de um táxi, que me leva à casa da minha mãe e à cópia das chaves de casa. Quando retorno para frente da televisão, o Brasil já tinha se lascado. Sofri. Mas a promessa do rubacão da amiga salvou meu coração entristecido. Venho para casa e a única chave que a minha Mãe não fizera a cópia era a do cadeado que me deixava longe do meu celular, do meu computador, dos meus shampoos, das minhas calcinhas e roupas, enfim, da minha vida. Apelo para o porteiro super-herói que munido de martelo e afins, assassina o cadeado maldito.
O menino abusado e o amigo vem para cá, a amiga também. Mais cerveja. E mais. Amigo querido liga e nos incentiva a ir para o Centro, onde haveria show. Um amigo da amiga também liga (vamos chamá-lo de FinancialMan) e quer me conhecer, afinal soubera da minha inteligência e charme. Combino com o menino abusado que se eu não me desse bem com FinancialMan, dormiríamos juntos (Afinal, sou uma mulher precavida). Despacho-o e à seu amigo, marcando de encontrá-los no Centro depois. Me arrumo num estilo vestido-branco-puta e balanço meus cabelos cacheados quando vejo que FinancialMan é uma delícia. A noite prometia.
Mas como sempre digo, o inferno é cheio de cão. E começa agora.
FinancialMan é rico e prepotente e mandão. Quer determinar minhas palavras e minha noite. Enfim, se emputece quando conto do acordo que eu fizera com o menino abusado. Mas pelo menos, baixa um pouco a bola. Mas jura pela filha mortinha que não me beijaria. Nos beijamos. Mas ele se vinga quando chegamos no bar, afirmando de cinco em cinco minutos para o menino abusado que eu sou apaixonada por ele.
Meia-Noite, FinancialMan acaba enchendo o saco do estilo alternativo do Centro da cidade, sem seus amados seguranças e vai embora para uma boate, depois de nos fazer jurar que vamos encontrá-lo depois.
Chegam os cães. Todos eles.
O artista que foi o amor da minha vida me arrodeia e eu fujo. Para dar de cara com Homem-Teflon. A essa altura da noite a bebida já havia liberado a maldade do meu coração. Pergunto a Homem-Teflon porque ele não atendera meu celular e discurso sobre consideração, respeito e carinho. Mando-o tomar no cú e vou me esconder numa barraca com a amiga e um conhecido dela que elogia meus peitos. Agradeço e resolvo voltar para o bar.
Um coroa, amigo do menino abusado tinha chegado. Onze telefonemas de FinancialMan e muitas cervejas depois, resolvemos finalmente ir para a tal boate. O pessoal espera do lado de fora enquanto procuro por FinancialMan no meio do barulho e da fumaça. Ele diz que vai encontrar-nos lá fora. Não vai. Liga para a minha amiga e diz que não é palhaço para ser um homem de fim de noite.
Decidimos ir para o pé-sujo amado, onde enquanto o menino abusado tentava transar com o pé da mesa, dou de cara com o Homem-Teflon. Considerando que a noite foi cheia de emoções demais, vou ao banheiro chorar, e quando volto para a mesa, o menino abusado, depois de dar em cima da amiga, tinha ido embora.
O coroa amigo do menino abusado nos deixa em casa, depois de contar-nos que o palhaço tinha mandado ele se virar para pagar a conta. Eu já tinha avisado que estava sem grana depois de bancar cerveja para todo mundo e o imbecil tinha dito para eu não me preocupar. Cão dos infernos!!!
Quando chegamos em casa, o menino abusado liga e pergunta se ainda pode vir dormir aqui. Não contarei as palavras de baixo calão que utilizei na minha resposta, mas digamos que o fim do mundo será menos barulhento que o som da minha voz. Fui dormir e aqui me encontro, depois desse longo final de semana, e de um telefonema internacional da esposa (adoro!), tomando coca-cola e comendo frango frito.
A amiga ainda está aqui e quase agorinha me solta essa: - Tá, não vou mentir, eu até tomaria uma cervejinha agora...Medos, muitos medos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Cadê meu terninho?

Ricardo, que quando aparece por aqui (e se digna a comentar) sempre me faz rir, desta vez pegou pesado. Com que eu trabalho?
Que pergunta!!! Logo num momento tão delicado... Porque ontem, estava eu às voltas com planilhas e datas (eu trabalho com produção e elaboração de projetos na área de cultura e artes, querido) quando me dei conta. Merda, virei uma burocrata! E só ganho dinheiro ao bel-prazer dos que financiam “essas coisas” no nosso País.
E claro, a minha amiga-mestra-chefa nunca me deixa sozinha com meus dilemas, começou a me pressionar acerca dos meus planos para um futuro mestrado. Eu gaguejando, e ela me olhando com aquela cara de “especifique, por favor!”. Então ontem acabou sendo um dia de pensar no que ser quando crescer.
Mas não é tão simples quanto parece...
Tenho trinta e cinco anos e moro nesta cidade há mais de dez. Vim para casar, que eu sou (ou era) uma mocinha direita. Profissionalmente fui bem-sucedida aqui, ganhava bem, mas trabalhava em algo que detestava. Então joguei tudo para o alto, inclusive a estabilidade financeira, para me aventurar novamente na universidade e na vida. Mudei de foco.
E veio a minha separação.
Hoje, neste apartamento com cara de “garota de vinte anos sai de casa e vai morar sozinha”, sem meu sofá e sem meu lindo jardim de casada, e ás voltas com infiltrações na parede do meu quarto, pergunto se fiz o que era certo.
Porque sempre me imaginei aos trinta e cinco anos como uma mulher de terninho, carro zero, plano de previdência privada e sapatos poderosos. Meu atual visual riponga, sandálias de amarrar e o ônibus que encaro todo dia, mostram-me que minhas previsões não foram acertadas.
Quanto ao mestrado, quero fazê-lo, mas não aqui. E o tema que escolhi para desenvolver continua confuso na minha cabeça. Quero viajar mas não tenho dinheiro. O cigarro acabou. E eu tenho que lavar a louça e o banheiro.
E ontem foi um dia de exaustão. Fui dormir sete da noite. Acordei agora sonhando que era demitida de uma loja que vendia jeans. Não, eu não to legal.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...